Crítica | Anjos da Noite: A Evolução

estrelas 3,5

Era apenas natural que o sucesso comercial do primeiro filme acabaria gerando sua sequência, Anjos da Noite: A Evolução. Não estamos falando aqui, porém, de uma continuação motivada única e exclusivamente pelo lucro, visto que seu antecessor deixara inúmeros pontos a serem explorados mais a fundo, além de um cliffhanger que denotava que tudo aquilo fora apenas o início da história. Em muitos aspectos, portanto, essa segunda obra soa como uma extensão da anterior, podendo fazer parte do mesmo filme, inclusive. Isso marca a forte linguagem visual estabelecida por Len Wiseman, que apenas foi melhorada aqui.

O longa-metragem tem início pouco tempo após o desfecho do original, com Selene (Kate Beckinsale) e Michael (Scott Speedman) escondidos dos outros vampiros que certamente os caçariam após a morte de Victor (Bill Nighy). Com uma sequência inicial que atua como prólogo da obra, o roteiro de Danny McBride nos introduz apropriadamente a Markus Corvinus (Tony Curran), o vampiro original, cujo irmão fora caçado por sua raça por ser o primeiro lycan, que deixava um rastro de sangue por onde passava. Esse trecho nos prepara para o que está por vir e já nos oferece um relance da motivação do principal antagonista, que persegue a vampira e o híbrido incessantemente, na esperança de resgatar seu irmão de seu eterno confinamento.

Embora tenha recebido críticas bastante negativas à época de seu lançamento, Anjos da Noite: A Evolução definitivamente é uma obra que envelheceu melhor que seu antecessor. O constante filtro azul mascara muito bem os efeitos especiais empregados, que misturam o CGI com maquiagens e adereços, especialmente no que tange a caracterização dos lycans. Esses, felizmente, ganharam um tratamento maior aqui e contam com mais pelos e movimentos mais fluidos, dispensando o andar nas paredes do primeiro filme, que entregava de cara a idade da produção. Fora isso, a imagem constantemente azul proporciona cenas noturnas que nos permitem enxergar com clareza e dão um ar de fantasia a todo o enredo.

O texto de McBride faz um bom trabalho ao expandir a mitologia da franquia e, em geral, o faz de forma orgânica, sempre justificando as descobertas ao torná-las necessárias para a progressão da jornada de Selene. O foco no personagem de Derek Jacobi, contudo, acaba soando super-expositivo e se configura como algo inteiramente dispensável, visto que quebra o ritmo da projeção. Se suas aparições fossem limitadas à segunda metade do filme, certamente teríamos um impacto maior no twist que gira em torno do personagem, que, inclusive, garante o subtítulo A Evolução à obra.

O que mais nos chama a atenção, contudo, é a direção de Wiseman que passa por uma evidente melhoria em relação ao antecessor. Os enquadramentos, ao lado da já abordada fotografia, aproveitam o máximo dos efeitos e, apenas em poucos momentos ele acaba pecando por nos mostrar mais do que deveria. O diretor também nos proporciona boas cenas de ação, que, em geral, são mais contidas, apresentando uma duração menor e bem diferenciadas umas das outras. A exceção é o clímax em si que poderia ser mais curto e acaba nos cansando em alguns trechos. Outro aspecto a ser notado é a maior presença da violência gráfica, que definitivamente entrega choques maiores ao espectador. O fim do principal antagonista é especialmente visceral e dispensa qualquer pompa e circunstância, oferecendo uma bela sensação de missão cumprida ao roteiro.

Apesar de ter sido amplamente criticado, Anjos da Noite: A Evolução, é, na humilde opinião do crítico que aqui escreve, um dos raros exemplos de uma sequência que supera o filme original. Evidente que a linguagem visual estabelecida por Wiseman no primeiro longa é essencial para o sucesso deste segundo, mas estamos falando de uma obra que sabe aproveitar o seu ritmo e, em sua maior parte, acaba não perdendo a atenção do espectador, amarrando muito bem os pontos apresentados de tal forma que, se quisessem, poderiam ter encerrado a franquia aqui, por mais que ainda haja muito a ser explorado nesse universo das criaturas da noite.

Anjos da Noite: A Evolução (Underworld: Evolution) — EUA, 2006
Direção:
Len Wiseman
Roteiro: Danny McBride
Elenco: Kate Beckinsale, Scott Speedman, Bill Nighy, Tony Curran, Derek Jacobi,  Bill Nighy,  Steven Mackintosh, Shane Brolly
Duração: 106 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.