Crítica | Anos de um Futuro Esquecido (Tie-In de Guerras Secretas – 2015)

estrelas 2,5

Dias de um Futuro Esquecido, mini-arco dos X-Men em apenas dois números publicados em meio à edição normal dos heróis e não como algo separado como certamente aconteceria hoje em dia, foi um divisor de águas. O que era apenas mais uma história capitaneada por Chris Claremont e John Byrne, tornou-se um sucesso absoluto e um modelo pelo qual futuros distópicos, viagens no tempo, paradoxos temporais e a visão pessimista do futuro dos mutantes seriam pautados dali por diante. Não surpreendentemente, mas corajosamente, essa linha narrativa serviu de base para o filme de mesmo nome que reuniu as linhas temporais separadas da franquia cinematográfica dos X-Men.

Assim, era mais do que óbvio que o arco seria objeto de diversas utilizações e adaptações futuras, diretas e indiretas, desaguando no Battleworld, criado na saga Guerras Secretas de 2015, em que o Doutor Destino torna-se um deus e recria o Universo Marvel do seu jeito, com terras auto-contidas que funcionam como versões O Que Aconteceria Se… de diversos eventos na cronologia Marvel, como Planeta Hulk, O Velho Logan e até mesmo a saga Guerras Secretas original, com a divertida e inusitada inserção retroativa de Deadpool por lá (leia aqui). Nasce, assim, Anos de um Futuro Esquecido.

Como a troca de “dias” por “anos” deixa entrever, nesse novo mundo os eventos que levaram à caçada governamental e quase extermínio dos mutantes no futuro distópico que o arco original abordou não foram revertidas pelo envio da mente de uma Kitty Pryde adulta do futuro para sua contra-partida mais nova do presente. Algo como 17 anos além do que vimos em Dias de um Futuro Esquecido se passaram e a minissérie lida primordialmente com os últimos dois mutantes nascidos antes da esterilização em massa dos portadores de genética avantajada, em uma verdadeira eugenia nazista. Esses mutantes são Cameron, jovem que vive fora dos campos de concentração com Wolverine, que o criou, e a ligeiramente mais nova Christina “Chrissie” Pryde, filha de Kitty Pryde e Piotr Rasputin, o Colossus, que vive junto com seus pais, Magneto (paraplégico) e outros mutantes grande parte do tempo dentro de campos de concentração, saindo apenas com supervisão dos quase onipresentes Sentinelas, sob ordens do agora presidente Robert Kelly, o pivô do futuro distópico no arco original.

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O tema “mudança do futuro” foge da estrutura de viagem no tempo e aborda o aspecto messiânico que potencialmente pode significar a existência de Cameron e Chrissie (especialmente esta última, já que ela foi educada para tomar esse papel) aos mutantes que restam. Com isso, Chrissie, que ainda não demonstra ter poderes especiais e que é praticamente uma cópia de sua mãe mais nova, carrega em seus ombros a responsabilidade de ser, literalmente, a última esperança mutante sobre a Terra. Quando, então, descobre-se que o Presidente Kelly sofrerá um atentado por meio de um vírus, os mutantes querem que Chrissie impeça sua morte, tornando-se o símbolo da união entre as duas raças. Mas é claro que nada é muito simples e a história passa a ter contornos cada vez mais complexos na medida em que evolui.

E é aí que mora o problema. Marguerite Bennett tenta sustentar sua história não com fluidez narrativa e densidade dramática, mas sim com reviravoltas a cada edição. São revelações sobre Cameron, sobre Chrissie, sobre Magneto, sobre mutantes queridos que estão sumidos e outras que se, vistas separadamente, poderiam até funcionar, mas que, no conjunto, acabam se auto-sabotando e banalizando-se. O ritmo narrativo, então, sofre com a claudicância que diversas novidades acabam determinando e a história perde impacto e relevância, ainda que, como divertimento descompromissado, ela acabe funcionando. No entanto, vê-se claramente o potencial desperdiçado.

A arte de Mike Norton faz esforço para emular o trabalho original de John Byrne, passando com eficiência a impressão efetiva de volta ao futuro distópico de Dias de um Futuro Esquecido. Apesar de criar splash pages eficientes, especialmente uma que é minimalista e que faz perfeito uso de balões expositivos falados por Colossus, seus traços parecem corridos e simplistas no geral, sem detalhes de fundo ou muito cuidado com fisionomias, que acabam se parecendo muito. Talvez tenha sido a necessidade de se cumprir prazos, mas a história – diante da importância do arco original – teria se beneficiado de um pouco mais de cuidado.

Anos de um Futuro Esquecido não faz jus à obra original da dupla Claremont-Byrne, mas acaba servindo com um tie-in interessante, ainda que nada especial de Guerras Secretas. Se esse futuro terá futuro – pois a minissérie não acaba completamente – só o tempo dirá.

Anos de um Futuro Esquecido (Years of Future Past, EUA – 2015)
Contendo: Years of Future Past #1 a #5
Roteiro: Marguerite Bennett
Arte: Mike Norton
Cores: FCO Plascencia
Letras: VC’s Joe Caramagna
Editora original: Marvel Comics
Datas originais de publicação: junho a setembro de 2015
Páginas: 106

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.