Crítica | Ant-Man: Season One

estrelas 3,5

É curioso como o Homem-Formiga, um dos membros fundadores dos Vingadores conta com tão poucas histórias solo, sequer possuindo quadrinhos próprios em inúmeras fases da Marvel. Com a aproximação de seu filme chega a ser difícil conhecermos o personagem, tendo que de nos apoiar em antigas publicações, revistas do herói em um grupo ou algumas poucas séries que não seguiram adiante. Ant-Man: Season One é um dos poucos exemplos recentes que nos oferecem uma visão melhor sobre o Formiga original, Henry “Hank” Pym, que será vivido por Michael Douglas no vindouro longa-metragem. Apesar de não fazer parte do universo “padrão” da editora, a Terra-616, podemos através de suas páginas descobrir a origem e os poderes do personagem.

antmanseason11pcA leitura se inicia já em um ponto de ruptura na vida de Pym. Após ter perdido sua esposa em um suposto ataque terrorista em um restaurante em Budapeste (esposa essa que ele ganha em um retcon, conforme comentamos aqui), o cientista se afasta de suas pesquisas e inicia um acompanhamento psiquiátrico. Seu pai, porém, que não sabemos se se preocupa mais com a fama e a possível fortuna que o filho pode gerar ou com seu bem estar em si, o convence a voltar para a empresa Egghead Innovations, comandada por Elihas Starr. Ali, o doutor dá prosseguimento à sua pesquisa, desenvolvendo um gás que permite a redução em tamanho de qualquer objeto – e, é claro, outro que permite o crescimento novamente. Ao atingir o ápice de sua invenção, porém, Hank sofre uma tentativa de assassinato por parte de Elihas, forçando-o a utilizar o gás para sobreviver e, posteriormente, combater as temíveis ambições do dono da empresa.

Com apenas 136 páginas, essa HQ tem a função de contar a história de origem do personagem, dando mais coesão à ela, considerando a primeira aparição de Hank Pym em Tales to Astonish #27 e do heróis em Tales to Astonish #35). O grande problema, consequência dessa estrutura, é justamente o ritmo acelerado que a trama assume em determinados pontos. Constantes elipses procuram condensar aquilo que, em geral, ocorreria em diversas edições. Estamos falando, é claro, de uma obra de maior tamanho, mas nada que consiga recontar um início com a necessária calma. Felizmente, o roteiro de Tom DeFalco sabe minimizar esse fator ao escolher os pontos certos onde acelerar, mas não podemos deixar de sentir que um herói com a importância do Homem-Formiga – como dito, fundador dos Vingadores e criador de Ultron – merecia um pouco mais.

Sem o capacete não é tão bom assim ficar pequeno

Sem o capacete não é tão bom assim ficar pequeno

Naturalmente, grande parte do “esconder” desse deslize fica a cargo de Horacio Domingues, encarregado de dar vida e cores para o texto de DeFalco. Assumindo um traço que nos lembra aquele de Mark Bagley em Ultimate Homem-Aranha: Poder e Responsabilidade, a ação se resume à medida ideal, empregando poucos quadros para desenvolver uma ação que poderia ocupar páginas e páginas. O mais interessante é a forma orgânica como Bagley sabe trabalhar esse aspecto. Além disso, há um nítido tom jovial que permeia a história, algo que muito bem se encaixa com o tom mais bem-humorado que o texto se apresenta. Coroando tais aspectos temos o trabalho de coloração do próprio Domingues, que, ao utilizar cores mais vibrantes, torna a leitura mais fluida e dá o necessário tom “superheroístico” ao quadrinho, sem precisar apelar para o sombrio que tão preenche o cenário do blockbuster atual.

Dito isso, Ant-Man: Season One, apesar de seus problemas de ritmo, é uma maneira ideal para qualquer um conhecer mais sobre Hank Pym, os poderes de seu traje e o universo que se estabelece em torno dele. Trata-se de um fascinante personagem com interessantes ramificações e possibilidades de roteiro, que, infelizmente, parecem ser desperdiçadas pela falta de foco da editora em alguns aspectos. Esperamos que um possível sucesso do novo filme altere esse cenário, dando mais relevância para esse importante herói.

Ant-Man: Season One (EUA, 2012)
Roteiro:
Tom DeFalco
Arte: Horacio Domingues
Cores: Horacio Domingues
Editora (no Brasil): Não publicado
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Páginas: 136

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.