Crítica | Antes de Watchmen – Comediante # 1 a 3 de 6

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Brian Azzarello foi premiado com os prelúdios dos dois mais violentos e perturbados personagens de Watchmen: Rorschach e Comediante. No entanto, em nenhum dos dois casos, pelo menos não até agora, a usual qualidade dos roteiros do autor, vistos comumente na já encerrada série 100 Balas, conseguiu tratar adequadamente os heróis de Alan Moore.

O prelúdio de Comediante começa muito bem, contextualizando Eddie Blake em meio a fatos históricos. Ele é amigo da família Kennedy e vive, no primeiro número, eventos que marcaram os Estados Unidos, como o caso de JFK com Marilyn Monroe e, claro, o assassinato do presidente. Apesar dessa inserção do Comediante no meio de um cenário real, de certa maneira mimetizando o que faz Alan Moore em Watchmen, a caracterização do personagem parece estranha, deslocada. Todos sabemos que Blake é um ser corrompido, difícil de lidar e a pose de bom moço que vemos aqui não combina com o que sabemos do personagem. Afinal de contas, nessa época ele já havia estuprado a primeira Espectral, não?

No segundo número, a desconfiança de que Azzarello está construindo um personagem diferente do imaginado por Moore se concretiza. Vemos Blake, já alguns anos para frente, indo para a guerra do Vietnã e notamos que os acontecimentos com JFK e durante a guerra começam a moldar o caráter do personagem, tornando-o o que aprendemos que ele é. No entanto, ainda que essa tentativa de mostrar que a “decadência” dos EUA é refletida em Blake seja interessante, o fato é que isso acaba depondo contra a compreensão de Azzarello sobre quem é o Comediante. Se ele era bom moço e foi corrompido com o tempo, então como explicar suas ações junto com os Minutemen originais narradas na obra seminal do mago inglês?

Finalmente, no terceiro número de Antes de Watchmen: Comediante, vemos sua transformação completa, apenas ratificando as suspeitas das duas primeiras revistas no sentido de que Azzarello queria mostra a “queda” dos EUA e a “ascensão” do anti-herói. Mais uma vez, vemos o artifício do autor em inserir o personagem em um contexto histórico, dessa vez os protestos contra a guerra do Vietnã e os conflitos raciais que surgiram daí. A novidade do primeiro número desaparece completamente com sua repetição exagerada.

Azzarello acaba transformando o Comediante em uma espécie de Forrest Gump amoral, inserindo-o em diversos momentos históricos para ver como ele reage, sem que as histórias sejam devidamente conectadas, a ponto de mostrar uma evolução mais natural do personagem. Isso, claro, sem contar com a questão da caracterização em si do personagem, que subverte os mandamentos de Alan Moore.

Infelizmente, quem quiser ver o Comediante da forma que ele deveria ser escrito, deve procurar ler Antes de Watchmen: Espectral. Lá sim, ele aparece no ponto alto de sua forma fazendo aquilo que esperamos que ele faça.

A arte de J.G. Jones é, ao contrário do roteiro de Azzarello, muito boa, com belos painéis realistas fugindo da estrutura de nove quadros por página que nos acostumamos a ver no original e, também, em vários prelúdios. Não, há, porém, grandes arroubos de originalidade na disposição dos painéis e, por vezes, há certa desconexão entre o que está sendo dito e o que vemos acontecer. Pode até ter sido uma escolha artística deliberada, mas acabou ficando estranho em diversos momentos.

A nota acima é uma média dos três números.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.