Crítica | Antes de Watchmen: Dollar Bill

Como é que a DC Comics ousou em imaginar a série Antes de Watchmen sem contemplar uma história sobre Dollar Bill, o membro dos Homens Minuto que se veste com um enorme de cifrão no peito e que famosamente morre crivado de balas quando, ao tentar impedir um assalto, sua capa fica presa na porta giratória do banco que protege? Essa sequência, na obra seminal de Alan Moore é de uma genialidade ímpar, pois, muito brevemente, mostra a futilidade dos esforços dos pseudo-heróis e, principalmente, serve como forte crítica aos pouco práticos uniformes de super-heróis que vemos em revistas todos os dias.

Mas voltando a Dollar Bill e já deixando claro que minha pergunta acima foi sarcástica, não dá para entender essa tentativa exacerbada de se tirar dinheiro do público com histórias como essa. A DC Comics já cometeu um sacrilégio, na visão de alguns, ao tentar criar prelúdios para Watchmen, a mais importante graphic novel de super-heróis já feita, com o que não concordo. Acontece que, ao dedicar séries inteiras aos personagens principais, ela acabou gerando muita coisa boa, como Minutemen e Espectral e, portanto, não precisava inventar coisas novas e que não faziam parte do projeto original, como Moloch e Dollar Bill.  No entanto, o sucesso dos prelúdios aliado ao fato que alguns sofreram grandes atrasos, a DC decidiu encomendar séries-tampão.

A função de Dolar Bill em Watchmen é ilustrar uma tragédia e permitir que Alan Moore destilasse seu veneno. Sua história pregressa não importa e não deveria ser importante. Moore não nos dá muitos dados sobre o personagem, mas isso não significa que precisamos saber cada detalhe de sua vida para ficarmos satisfeitos.

DOLLAR_BILL cover

Por um momento, tive esperanças que Len Wein, editor da GN original conseguisse criar algo minimante interessante, mas desde o começo vemos a narrativa padrão: Bill Brady é um atleta bonitão que vê seu futuro no futebol americano profissional ser destruída por uma jogada que o pega de jeito. Sem emprego e desesperado, ele aceita o papel ridículo de garoto propaganda do National Bank, comandado por cincos seres que, não por coincidência imagino, se parecem com os irmãos Marx. O único detalhe é que, para ter o emprego, ele tem que aceitar se vestir com um uniforme espalhafatoso. O que vem a seguir é sua relutância em agir como herói, sua transformação em herói e, claro, seu final fatídico. Nada realmente original ou diferente que justifique as 27 páginas ilustradas por Steve Rude.

Aliás, os desenhos de Rude são o ponto alto da publicação. Usando um estilo meio que “era de ouro” de desenhar, algo que funciona muito bem para a época e o tipo de narrativa que Wein cria, Rude arrasa com suas linhas fortes e bem marcadas e quadros geniais, como a que ilustra esse post e que mostra Brady tentando se tornar astro da Broadway. Sem linhas dividindo os quadros, Rude nos apresenta tensão nos preparativos mentais de Brady, uma aparência de êxito em seu trabalho de dança e canto, somente para arrebentar essa ilusão no quadro seguinte, em que vemos que o personagem foi um fracasso. O mesmo vale para as bem construídas cenas de ação, especialmente o clímax, que nos mostra em detalhes Dollar Bill sendo traído por sua própria vestimenta.

Uma pena que Rude não tenha sido utilizado para ilustrar outra série da Antes de Watchmen.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.