Crítica | Antes de Watchmen – Espectral # 1 a 3 de 4

Enquanto J. Michael Straczynski ganhou talvez o personagem mais complicado para fazer um prelúdio – Dr. Manhattan – Darwyn Cook, que também escreve Minutemen, ganhou o personagem com mais flexibilidade para se criar: Espectral II (Silk Spectre II, no original). Isso ocorre, pois, de todos os heróis criados por Alan Moore em Watchmen, Espectral é a que teve menos desenvolvimento. Sabemos que ela foi moldada por sua mãe, a primeira Espectral, para ser sua sucessora como super-heroína, mas não muito mais do que isso.

Assim, Cooke teve espaço para trabalhar. E, no primeiro número, ele realmente começa do começo, mostrando brevemente a infância de Laurie Jupiter e a constante vigilância de sua mãe Sally. Da infância, pulamos para a adolescência e o roteiro vira uma história padrão de adolescentes, com direito a amor proibido e tudo mais. Até é uma evolução natural e justificável, mas a descoberta do amor por um jovem que tem exatamente os mesmos problemas que Laurie enfraquece a história.

O desenho de Amanda Conner é eficiente, pois ela consegue fazer uma Laurie sexy, mas de forma contida, exatamente na medida necessária a transmitir sua personalidade em contraste à de sua mãe. E, pela maior parte da revista, Conner segue o “padrão Watchmen” de nove quadros por página, criando movimento célere sem grandes arroubos de criatividade. Funciona muito bem.

Já no segundo número, vemos uma Laurie mais segura, morando em San Francisco com o namorado e amigos hippies e navegando na onda da juventude da década de 60, com direito a “paz e amor”, drogas, sexo e rock ‘n roll. Vemos, também, sua primeira missão como a nova Espectral, ainda de forma muito amadora. O DNA herdado de sua mãe basicamente a força a resolver os problemas da maneira que foi treinada. Cooke consegue, com os diálogos, tornar Laurie bem mais interessante que no primeiro número. A introdução do vilão, que quer dominar os jovens com o uso de uma droga que aumenta o consumismo, é uma espécie de distanciamento do tom sisudo das demais séries Antes de Watchmen.

Conner, seguindo sua estrutura de quadros, é muito eficiente em fazer o début da super sexy Espectral, sem retirar da personagem um certo grau de inocência que é essencial à trama. Conner também aproveita a época e localização da história para usar uma alegre paleta de cores.

No terceiro número, basicamente 25% da história é uma viagem lisérgica de Espectral, drogada no número anterior. Nesse momento, Conner solta completamente as amarras de sua arte e se diverte com a inteligente e inspirada manipulação da estrutura de nove quadros por página.

Cooke, ao mesmo tempo que escreve seus textos completamente nonsense – mas todos devidamente costurados à mitologia Watchmen – para os momentos da viagem de Laurie, introduz um personagem muito importante na vida de Laurie, prenunciando um provável fechamento trágico para esse prelúdio.

Em resumo, apesar de um começo relutante, Antes de Watchmen: Espectral surpreende e se torna uma das séries mais interessantes dessa iniciativa da DC. Certamente não agradará a todos, mas o caminho tomado por Cooke é realmente original, especialmente considerando o material fonte.

A nota acima é uma média dos três números.

Antes de Watchmen: Espectral # 1 a 3 de 4 ( # 1 a 3 de 4 (Estados Unidos, 2012)

Roteiro: Darwyn Cooke

Arte: Amanda Conner

26 páginas (cada número)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.