Crítica | Antes de Watchmen: Moloch # 1 de 2

A DC Comics conseguiu uma proeza: atrasar todas as sete séries do projeto Antes de Watchmen. Dizem que um dos fatores foi o falecimento de Joe Kubert, que fazia a arte-final de Antes de Watchmen: O Coruja. Acontece que essa desculpa não cola. Afinal de contas, o saudoso Kubert trabalhava em apenas uma das séries. O que aconteceu com as outras seis. Houve greve dos roteiristas e dos desenhistas? O fato é que, no lugar de empenhar esforços para regularizar a publicação das edições, a DC resolveu anunciar mais duas: Antes de Watchmen: Moloch e Antes de Watchmen: Dollar Bill.

Enquanto que Moloch, por ser um personagem importante na obra original de Alan Moore, faz sentido, quem é que quer saber sobre a vida pregressa de Dollar Bill? De toda maneira, Moloch, série de apenas duas edições, caiu no colo de J. Michael Straczynski, que já era o responsável por O Coruja e Dr. Manhattan. Para desenhar, a editora trouxe o argentino Eduardo Risso, que trabalhou na longeva série 100 Balas da Vertigo, junto com Brian Azzarello. No departamento de arte, a série começou muito bem, com o traço semi-caricato de Risso pontuando e realçando o tormento da vida de Edgar Jacobi, o futuro Moloch, quando jovem. O menino, atormentado por sua aparência bizarra (parece um duende, com orelhas pontudas) é rejeitado pelo pais e massacrado por seus colegas de escola, especialmente uma menina que o trata com requintes de crueldade.

Risso trabalha bem a distribuição dos quadros, criando uma dinâmica muito interessante que ele já havia utilizado em 100 Balas: os quadros são fluidos e sangram de um para o outro, reduzindo a repetição da estrutura. Em outras palavras, cada página tem uma distribuição diferente, que ajuda na integração e no entendimento da história. No entanto, o trabalho de Straczynski desaponta. É possível que a necessidade de correr com um roteiro tapa-buraco tenha sido a verdadeira razão para a criação de uma narrativa de origem tão óbvia e rasteira. No entanto, considerando o trabalho abaixo da média do autor em O Coruja, não é impossível que os arroubos de criatividade de Straczynski sejam só isso mesmo: arroubos.

O que vemos é o padrão da indústria de quadrinhos: um vilão que se torna vilão por ser oprimido na infância. Quantas vezes já não vimos isso? Custava um trabalho mais elaborado, que trouxesse efetiva novidade à história de Moloch? Teria sido mais honesto se a vilania de Moloch não tivesse explicação e fosse algo que nascera de seu âmago. Afinal de contas, o mal sem explicações é muito mais interessante e assustador do que o mal causado por traumas da juventude. Além disso, a caracterização de Moloch na obra original é a de um homem derrotado. Mas não um super-vilão derrotado, e sim um bandido de décima quinta categoria que foi capturado em sem-número de vezes pelos heróis.

Alan Moore em nenhum momento deixou entrever que Moloch fora mais do que isso, ou seja, um ladrãozinho menor que acaba sendo manipulado por Ozymandias. Mas Straczynski, ainda que tente mostrar isso, acaba sucumbido à atos grandiosos de Moloch, como assassinatos frios ainda em sua adolescência e o comando total do submundo do crime. É como se estivéssemos lendo quadrinhos normais de super-heróis, com vilões exagerados que querem “dominar o mundo”.

Moloch tinha potencial para ser uma grande série. Afinal de contas, é a primeira das agora nove que foca exclusivamente em um vilão (ok, há Ozymandias no mix, mas, convenhamos, ele não se encaixa muito facilmente nessa categoria) e, mais do que isso, em um vilão torturado por seu passado. Como Straczynski resolveu fazer que nem a modus operandi de Moloch e usar “mágica” para transformá-lo em um rei do crime, a promessa de algo grande, excitante, cai por terra e dificilmente o segundo número – que fecha a série – conseguirá reergue-la

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.