Crítica | Antes de Watchmen: Moloch #2 de 2

Moloch, assim como Dollar Bill, foi uma das revistas anunciadas a posteriori pela DC, quando o projeto Antes de Watchmen já ia de vento em popa – com algumas tempestades no meio do caminho… Com uma história dividida em duas edições, Moloch apresentou um roteiro fraco de J. Michael Straczynski, que repetiria esse desapontamento no prelúdio do Coruja, mas em compensação, acertaria em cheio em Dr. Manhattan.

Dando continuidade às desventuras de Edgar Jacobi, temos nessa edição de fechamento uma história de rendição que – pasme! – me fez sentir dó de Moloch, e pela primeira vez na vida, sentir ódio por Ozymandias. É claro que esses sentimentos estão unicamente centrados no contexto exposto por Straczynski em Moloch #2, mas é impossível negá-los.

Ao terminar a leitura, um misto de admiração pela soberba inteligência do Sr. Veidt junto a um estranho arroubo de fraternidade por Moloch tomam conta do leitor de coração mais amolecido, e isso porque Straczynski usa bem um recurso que ele deveria ter trazido na edição passada: a identificação com a personagem e suas relações significativas com o passado. Meu colega e coeditor aqui do Plano Crítico, Ritter Fan, já havia abordado o quão óbvia fora a história do autor na abertura desse duo de revistas, tendo como ponto de partida a justificativa da vilania por traumas do passado, sem acrescentar nada de novo ou significativo para que a história tivesse uma verdadeira alma, como acontece no maravilhoso prelúdio dos Minutemen.

Mas apesar das falhas iniciais, o encerramento da história de Moloch se mostra eficaz, especialmente se compararmos o seu início cambaleante. E o que temos de tão interessante nessa segunda edição? Ora, temos um roteiro que se aproveita do gancho da história anterior e estende uma rede interessante de relações. Com base no que fora apresentado, era impossível esperar uma obra-prima aqui, e mesmo a classificação dessa edição como algo “bom” tem como parâmetro a estrutura deixada na edição passada, que recebe uma continuação mista de redenção e desgraças.

A manipulação de Ozymandias é vista como um dos elementos principais, mas a transformação de Moloch em um cristão burocrata é o que mais me chamou a atenção. As mágicas, as explicações do tipo “eu sou vilão porque…” ficaram na edição passada. O que temos aqui é uma mudança de perspectiva para alguns acontecimentos familiares para nós, que já lemos Watchmen, mas uma sequência que acrescenta muito à “segunda fase” da vida de Edgar Jacobi, consequentemente, um acréscimo em sua psicologia e a explicação de alguns eventos não necessariamente óbvios na obra de Alan Moore. Esses eventos são pouco interessantes? Ninguém liga para eles? Bom, isso vai de leitor para leitor, mas, não sei se pela decepção da edição nº1, eu acabei gostando das coisas apareceram aqui.

Moloch caminha então para o seu fim, um dos mais patéticos e sofríveis de todas as mortes passadas no universo Watchmen. Não tinha como ser diferente, mas o caminho percorrido até o quadro final, pelo menos nesta reta da corrida, foi menos sinuoso e mais arejado que o primeiro, mas se alguém me pedisse a indicação geral das histórias desse prelúdio que valeriam a pena (de alguma forma) a leitura, eu indicaria, mesmo que em último lugar, a história desse cara das orelhas pontudas.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.