Crítica | Antes de Watchmen: O Coruja # 4 (de 4)

O Coruja é um dos prelúdios menos inspirados do projeto Antes de Watchmen, apesar de ser escrito por J. Michael Straczynski e apesar de ele estar fazendo um bom trabalho na outra série dele, Dr. Manhattan. Leiam,aqui, meus apontamentos sobre os três primeiros números dessa minissérie que se encerra agora, no quarto número.

A narrativa do autor é simplista e acaba tornando os coadjuvantes bem mais interessantes que o personagem principal. Em primeiro lugar, muito atenção é dada a Rorschach que, sabemos por Alan Moore, havia feito mesmo dupla com o Coruja. No entanto, estamos em uma série do Coruja e não de Rorschach, até porque o herói com máscara em preto e branco já tem série própria, também já encerrada (leiam aqui, aqui e aqui). Com seu “charme natural”, Rorschach rouba todas as cenas que aparece e o Coruja é reduzido a um bobalhão desajeitado, ainda que Straczynski tente dar um peso maior à sua vida pregressa, tanto abordando questões familiares com a violência de seu pai como com o segredo de Holys Mason, o primeiro Coruja e mentor de Dan Dreiberg, o segundo Coruja.

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E, como se Rorschach não bastasse, Straczynski ainda introduz uma cafetina/dominatrix/amante/super-heroína na vida de Dreiberg e os dois passam a caçar um bandido local enquanto Rorschach é amarrado à uma pira humana por um padre maluco. As duas histórias se interconectam, claro, mas são tratadas, quase que a todo o tempo, de forma separada e com coincidências demais entre elas para se tornar algo realmente mais próximo de um realismo aceitável. Afinal, nenhum desses pseudo-heróis têm poderes que vão além de saber dar um soco bem colocado aqui e ali e usar gadgets que fariam Batman gargalhar até a morte.

Straczynski tem tão pouco que dizer que a narrativa principal acaba na metade do último número, com o caso do padre assassino completamente resolvido com um deus ex machina para lá de ridículo que o autor deveria ter vergonha de usar. E, com esse lado amarrado, vemos o desfecho da relação de Dreiberg com Mason e, em última análise, também com ele mesmo. Ambos têm passados tenebrosos e têm que lidar com isso. No entanto, tudo soa muito forçado, empurrado garganta abaixo, sem necessidade de ser.

O Coruja nunca foi dos heróis mais interessantes da graphic novel seminal de Alan Moore e uma história mais de ação descompromissada, no melhor estilo Batman nos anos 70 dos quadrinhos, com um vilão menos realista, teria feito maravilhas aqui. Mas Straczynski seguiu o caminho mais sombrio, mais “complexo” (sim, entre aspas mesmo), para dar um ar maior a algo bem rasteiro e chinfrim.

O que chamava a atenção nos números anteriores era a arte final de Joe Kubert em cima do desenho de seu filho, Andy Kubert. No entanto, infelizmente, Kubert pai faleceu literalmente no meio do projeto, atrasando as publicações e privando-nos de um grande artista. Como consolo, outro grande artista o substituiu parcialmente no terceiro número e totalmente no quarto: Bill Sienkiewicz (digam duas vezes rápido: “Sienkiewicz faz a arte final de obra de Straczynski!”). Com isso, a arte ganha um sopro de vida belíssimo, com uma arte finalização soberba, talvez até melhor do que a do finado Kubert, atrevo-me a dizer. E, como o desenho de Andy Kubert é belíssimo e bastante apropriado para o equivocado tom escolhido pelo roteirista para a série.

O Coruja nunca teve chance de ser realmente algo brilhante. Acho que nem mesmo Moore faria algo excepcional com esse herói. Mas o material poderia certamente ser mais do que simplesmente lugar-comum, mesmo que fosse só para encerrar com chave de ouro a carreira de Joe Kubert.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.