Crítica | Antes de Watchmen – Ozymandias # 3 de 6

O terceiro número de Ozymandias é como se fosse a história de um Batman com más intenções construindo sua batcaverna e criando seu plano para acabar com os criminosos de Gotham. Vemos o efetivo nascimento do intrincado plano de Adrian Veidt tomar forma logo depois de sua interessante luta inicial com o Comediante e da descoberta da existência do Dr. Manhattan.

Quase que instantaneamente, o que ressalta sua (exageradamente) incrível inteligência, Adrian Veidt determina a construção de sua fortaleza na Antártida e tudo entra nos eixos para uma conclusão longínqua, muitos anos depois, na já lendária série Watchmen.

É interessante ver quadro a quadro aquilo que apenas ouvimos falar na obra máxima de Alan Moore, mesmo que isso seja, em última análise, algo desnecessário. Len Wein utiliza-se de seu profundo conhecimento da série original e de sua capacidade de criar situações cativantes para prender o leitor, mesmo não trazendo verdadeiramente nenhuma novidade sobre Ozymandias.

Os traços de Jae Lee continuam belíssimos, com o uso de um paralelismo nos quadros que tenta fazer mímica do trabalho inesquecível de Dave Gibbons. São elipses menores se contrapondo a maiores e vice-versa,splash-pages de ângulos inusitados e o uso constante do círculo, tema recorrente em Watchmen.

O grande problema é efetivamente entender o que o futuro reserva ao prelúdio. Afinal de contas, agora, Ozymandias já aparece plenamente inserido no contexto da obra de Moore e o que vemos não expande o personagem, apenas coloca em palavras e em desenhos aquilo que já sabemos. A procura por Hooded Justice, que serve como final do número 2 e início do 3 simplesmente deixa de existir no desenrolar dessa história. Será que Wein pretende voltar ao assunto? Parece incongruente esse eventual retorno, considerando o contorno que a saga está tomando: fortalezas milionárias na Antártida não parecem combinar em escala com o paradeiro de um membro esquecido dos Minutemen.

Mas Wein sabe costurar narrativas e a esperança é que, nos últimos três números, ele consiga criar um arco que vá além do que esperamos, talvez até mesmo trazendo Hooded Justice para dentro do contexto de um plano maior de Veidt. Seria, no mínimo, algo intrigante. Por enquanto, a série está muito boa, mas o caminho que esboça seguir não tem muito futuro sem alguma guinada inesperada.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.