Crítica | Antes de Watchmen: Ozymandias # 4 a 6 (de 6)

Para quem não quiser pegar o “bonde andando”, sugiro a leitura das críticas dos três primeiros números de Antes de Watchmen: Ozymandias nos seguintes links: Ozymandias # 1 e 2 e Ozymandias # 3.

A impressão que deu, lendo os três últimos números da minissérie que conta a história pregressa daquele que talvez seja o personagem mais importante da obra máxima de Alan Moore, é a mesma que normalmente eu sinto quando alguém me explica os detalhes do gosto de um vinho ou de uma comida requintada ou quando você vê o making of de um filme que adorou: uma sensação mista estranha de estupefação e desapontamento. Estupefação, pois nossos horizontes são abertos para entendermos em detalhe o que provamos ou vimos. Desapontamento, pois a magia vai embora na medida proporcional ao quanto aprendemos sobre o que provamos e vimos.

Len Wein, que foi editor da graphic novel Watchmen original, mostra que realmente conhece o trabalho e a mente de Alan Moore e dos personagens que criou. Ele vai fundo na psiquê do personagem mais complexo da narrativa destrinchando, em seus mínimos detalhes, o gigantesco e megalomaníaco plano de Ozymandias para evitar o holocausto nuclear.

Se, por um lado, conhecer detalhes como o nascimento de Bubastis (e o porquê do nome), como Ozy (sim, sou íntimo) teve a ideia para seu master plan, como ele comprou a ilha, contratou a equipe e fez tudo mais sem deixar rastros é algo muito interessante e instrutivo. Ao mesmo tempo, porém, essa “expedição para o fundo da mente de Adrian Veidt” também é uma fraqueza. E eu explico.

Todo mundo que já leu Watchmen (e, se você está lendo a crítica desse prelúdio, só posso crer que tenha lido o trabalho de Moore) sabe exatamente para onde vai cada minissérie baseada nos personagens. E não há mal nisso, desde que cada roteirista saiba apresentar elementos novos, não previsíveis, como fizeram Darwyn Cooke em Minutemen e Espectral e Straczynksi em Dr. Manhattan. No entanto, Len Wein não faz isso, com exceção do primeiro número, quando mostra Veidt quando criança. Depois, o autor entra em uma zona de conforto que todos nós conhecemos e a utiliza para esmiuçar cada detalhe, cada decisão, cada exagero de Ozymandias. E isso funciona até certo ponto, mais ou menos até o final do quarto número, quando ele mostra Veidt resolvendo o impasse nuclear da Baía dos Porcos, em Cuba. A partir desse ponto, o que vemos é o anti-herói percebendo que ele precisa resolver todos os problemas do mundo e a narração dele próprio serve como um manual de instruções de como fazer um plano maquiavélico que tem como objetivo a paz mundial.

E, como é difícil gostar de manual de instruções, o trabalho de Len Wein, que é realmente detalhista e bem bolado, acaba caindo em sua própria rede e fica repetitivo, até mesmo enfadonho. A grande vantagem, porém, é que, dentro de sua proposta, ele soube exatamente onde parar, ainda que o momento seja óbvio para qualquer leitor de Watchmen. Wein não se atreve nem mesmo a olhar os acontecimentos da graphic novel sob outro ângulo, parando onde o trabalho de Moore começa, quase que fazendo reverência ao mago barbudo.

E, pelo lado da arte, dos desenhos, Jae Lee continua dando seu show. Ele não só faz um belíssimo uso de uma estrutura simétrica de quadros ousados, como usa seus traços esguios característicos para elevar o tom de “nobreza” da narrativa. Ozymandias acha que é “o cara” e Lee multiplica essa sensação para nós leitores, emprestando um porte e uma qualidade de rei, de imperador, de faraó mesmo ao personagem. As cores de June Chung não ficam atrás e, fazendo uso de muitos tons fortes, mas muito bem escolhidos, ela consegue ser a proverbial cereja no bolo em relação aos desenhos, um perfeito acompanhamento para os traços de Lee.

Se Wein tivesse ousado mais, Ozymandias poderia ser a melhor minissérie do projeto Antes de Watchmen. Ao pecar por ser um enólogo explicando o buquê e o retrogosto do vinho que bebemos sem que tenhamos pedido, Wein acaba virando um “enochato”, mas um que mesmo assim temos que tirar o chapéu pelo conhecimento enciclopédico.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.