Crítica | Antes de Watchmen – Rorschach # 1 de 4

Rorschach é a sexta e penúltima publicação da série Antes de Watchmen, um projeto ousado da DC, já que ela resolveu fazer prelúdios para a idolatrada graphic novel de Alan Moore e David Gibbons com outros autores (mas todos muito bem escolhidos). Vejam nossos comentários sobre outras duas revistas da série: Minutemen e Ozymandias.

O personagem Rorschach é, provavelmente, o mais reconhecido e amado personagem criado por Alan Moore para sua sensacional obra. Isso se dá por razões muito simples: de todos os heróis, ele é, facilmente, o mais objetivo. Assim com sua máscara, tudo para ele é preto ou branco. Não há tons de cinza em seu perturbado universo. Além disso, seus métodos violentos, sua roupa comum mas eficiente (um sobretudo e chapéu marrons e uma máscara que muda sua configuração como um teste psiquiátrico rorschach) e os diálogos e textos que escreve eu seu diário são todos feitos para o público geral gostar e aplaudir. Moore sabe como ninguém manipular sua audiência!

No entanto, Rorschach é, também, o mais raso de todos os personagens de Watchmen (e, mesmo assim, mais profundo do que 90% do que vemos por aí) e, portanto, não esperava muito mais do que um prelúdio que seguisse a linha da pancadaria precedida ou sucedida de diálogos bacanas. Quando Brian Azzarello foi anunciado como roteirista, fiquei mais esperançoso, já que o autor é responsável pela já encerrada, mas excelente e complexa série 100 Balas, que se notabilizou por diálogos muito bem escritos.

Acontece que Azzarello não estava muito inspirado quando escreveu esse primeiro número. Respeitando a estrutura de apresentação de Rorschach de Alan Moore, tudo começa com fragmentos do diário do personagem (estranhamente escritos com máquina de escrever já que, em Watchmen, ele escreve à mão) explicando suas ações: ele está atrás de uma rede de tráfico de drogas em plena Nova Iorque de 1977. Mas a mímica de Alan Moore não para aí e Azzarello força a barra, tentando adaptar frases de Moore para o novo contexto e o resultado acaba se tornando uma espécie de paródia involuntária.

Não que a leitura não seja fluida. Ela é, mas Azzarello não traz nada terrivelmente original à mesa e simplesmente se contenta em colocar Rorschach contra os tais traficantes, deixando muito claro como é que a história terminará (espero ainda surpreender-me nesse ponto). Além disso, ele insere provavelmente o que será a trama paralela – ou a principal, não sei – nos próximos números: um assassino serial chamado “O Bardo”, que, pelo que parece, mata mulheres e, depois, escreve sonetos em suas peles. De novo, nada fora do comum mas nunca se sabe o que pode sair da mente de Azzarello.

Os desenhos de Lee Bermejo, mais realistas e sujos, são muito bonitos e combinam bem com o tom sombrio da história. E há momentos inspirados como a capa, em que vemos Rorschach em seu próprio rosto  (e assim por diante) e, logo na abertura, quando notamos o rosto do anti-herói formado pelas nuvens sobre a cidade que detesta. A disposição dos quadros segue um padrão mais simplista, de fácil compreensão e acompanhamento mas sem maiores arroubos de originalidade.

Espero estar equivocado, mas Antes de Watchmen: Rorschach parece ser uma das menos inspiradas revistas do novo projeto da DC, mas ainda sim vale ser conferida.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.