Crítica | Antes de Watchmen: Rorschach # 2 de 4

O esmero de Lee Bermejo nos desenhos de Antes de Watchmen: Rorschach # 2 dá gosto de ver. Seu realismo sujo juntamente com sua atenção aos detalhes transformam a revista em um deleite visual para quem tiver estômago forte.

Afinal de contas, Rorschach apanhou muito no primeiro número e, diferente do que poderíamos esperar, Brian Azzarello, não escreveu uma continuação com ele já magicamente recuperado, caçando seus algozes. Não. Rorschach continua quebrado, sangrando, mancando, mas se recusa a procurar tratamento médico. O que ele faz é seguir sua caçada aos bandidos, liquidando um em uma espetacular cena envolvendo um caminhão e um coquetel molotov em plena luz do dia.

E é aí que o trabalho de Bermejo se sobressai. O herói sangra. As ruas sangram nos belos traços de Bermejo, que ainda brinca com a composição das páginas para tirar o melhor proveito da fluidez narrativa.

De tão preciso e inspirado, o trabalho de Bermejo chega a compensar a falta de criatividade do roteiro de Azzarello. Há uma melhora efetiva no trabalho do escritor, especialmente ao não escolher a saída fácil da “cura mágica”, mas, mesmo assim, ele não consegue trazer nada de novo à história do personagem. Azzarello fia-se ao fator cool que inegavelmente Rorschach tem aos borbotões para atrair o público e, com isso, esquece-se de escrever algo mais complexo do que uma “caçada a cruéis vilões”. Nem mesmo a história paralela do assassino serial chamado O Bardo ele avança nesse número, e olha que chegamos à metade da série.

A série de Rorschach fica naquela categoria de HQs bacanas, mas rasas, que poderiam ser muito mais do que são.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.