Crítica | Apollo 13 – Do Desastre ao Triunfo

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estrelas 4

Após o sucesso da missão Apollo 11, a primeira a conseguir pousar uma espaçonave tripulada na Lua, a Nasa expandiu suas fronteiras espaciais e rapidamente investiu em um novo projeto. Porém, ao contrário do seu precursor, Apollo 13 teve problemas graves durante a viagem, sendo lembrada não por algum feito científico, mas sim pela incrível história de resgate dos astronautas. Após ter vivenciado isso, Jim Lovell escreveu um livro sobre as experiências dos astronautas durante o ocorrido e a trama atraiu o interesse de Ron Howard, responsável por filmes como Cocoon e O Código da Vinci, que adaptou a história para as telonas.

O longa aborda a missão espacial Apollo 13, que foi composta pelos astronautas Jim Lovell (Tom Hanks), Fred Haise (Bill Paxton) e Jack Swigert (Kevin Bacon). Porém, após uma explosão, mesmo tendo como objetivo inicial pousar na Lua, a tripulação passar a lutar para salvar suas próprias vidas e retornar à Terra em segurança.

Logo após os créditos iniciais, a obra estabelece a maneira como a historia será contada, utilizando imagens da Apollo 11 enquanto um narrador relata os fatos ocorridos na missão, ficando claro o tom documental da trama. Portanto, o primeiro ato preocupa-se em introduzir a família do protagonista Jim Lovell, buscando a empatia pelo personagem, para que, consequentemente, o público torça por sua sobrevivência durante o clímax, sendo uma boa estratégia, uma vez que humaniza o personagem. Além disso, o roteiro apresenta os ricos da operação, através de diversas cenas de treinamento, onde é explicado cada movimento que será realizado e as consequências de alguma falha, uma decisão acertada dos roteiristas William Broyles Jr. e Al Reinert, porque quando o segundo ato chegar ficará claro para o público tudo o que está acontecendo.

Outro ponto bem estabelecido é a época onde a história se desenvolve, através de uma direção de arte e figurino que reconstroem bem o início dos anos 70. Um curto plano sequência no início, por exemplo, acompanha Lovell pela casa enquanto é destacada a roupa de seus convidados e a mobília do local, ficando claro o período ali retratado.

Apesar de construir eficientemente pilares importantes da trama no primeiro ato, o roteiro demonstra ter pressa em apresentar alguns componentes da história e partir rumo aos momentos que ocorrem no espaço, como, por exemplo, em menos de 10 minutos Ken Mattingly é dispensado da missão, para Jack Swigert entrar, e após um único treinamento eles já partem. Outro exemplo é o desenvolvimento raso de outros personagens, como o próprio Swigert destacado apenas como um paquerador, enquanto sobre Fred Haise vemos apenas sua a família em algumas cenas e nada mais.

Apesar disso, a partir do segundo ato o filme cresce graças a direção precisa de Ron Howard, dosando tensão na medida certa. Repare como no início do longa os planos são mais abertos e quase estáticos, contrastando com a fotografia utilizada quando os astronautas estão no espaço, com enquadramentos mais fechados, vários travellings e até mesmo planos inclinados, destacando o desconforto dos protagonistas naquela situação. A montagem também insere tensão na trama, intercalando com precisão a ação dos astronautas e da cabine de comando, como se um dependesse do sucesso do outro, dando uma boa sensação de urgência em cada ação. O trabalho técnico também impressiona, tornando tudo extremamente crível, um exemplo disso são os efeitos especiais impecáveis utilizados nas tomadas externas, apresentando imagens do espaço realistas e o módulo de comando Odissey em nenhum momento passa a sensação de artificialidade. Já a mixagem e edição de som, além de reconstruir com perfeição os ruídos da nave, são fundamentais no momento que o acidente acontece, tornando a explosão do módulo onde os astronautas estão impactante.

Outro mérito de Howard é a escolha do elenco, uma vez que, como o desenvolvimento dos personagens não era um foco do roteiro, o diretor precisava de atores que atraíssem o carisma do público. Portanto, enquanto Bill Paxton não tem muito a explorar além de demonstrar os impactos físicos que a missão causa em seu personagem, Kevin Bacon cria um Jack Swagert com traços de bad boy e Tom Hanks constrói um Jim Lovell que demonstra o afeto por sua família no início e espírito de liderança durante a missão, sendo uma escolha acertada para conquistar a atenção de quem assiste. Mas o destaque fica para Ed Harris, que recebeu uma indicação ao Oscar por seu trabalho aqui, com uma composição que demonstra toda a preocupação de Gene Kranz com o destino dos astronautas, contrastando com a segurança e firmeza que tenta passar para seus comandados.

Mesmo sendo um pouco ufanista, evidenciado pela trilha sonora, e possuir um final clichê, Apollo 13 é brilhante tecnicamente. Prende o público do início ao fim e conta com uma ótima direção de Ron Howard, que apresenta aqui um dos melhores longas de sua carreira e um dos filmes de entretenimento que mais se destacam nos anos 90.

*Crítica originalmente publicada em 04 de agosto de 2016.

Apollo 13 – Do Desastre ao Triunfo (Apollo 13 – EUA, 1995)
Direção: Ron Howard
Roteiro: William Broyles Jr., Al Reinert (baseado em livro de Jim Lovell)
Elenco: Tom Hanks, Bill Paxton, Kevin Bacon, Ed Harris, Kathleen Quinlah, Gary Sinise, Mary Kate Schellhardt, Emily Ann Lloyd, Miko Hughes, Max Elliot Slade, Jean Speegle Howard, David Andrews, Michele Little, Clint Howard
Duração: 140 min

FERNANDO CAMPOS . . . Depois que fui apresentado para a família Corleone não consegui me desapegar da cinefilia. Caso goste de "O Poderoso Chefão" já é um belo início para nos darmos bem. Estudo jornalismo, mas amo mesmo escrever críticas cinematográficas. Vejo no cinema muito mais que uma arte, mas uma forma ensinar, inspirar, e o mais importante, emocionar. Por isso escrevo, para tentar incentivar às pessoas que busquem se aprofundar nesse universo tão rico. Não tenho preconceito com nenhum gênero, só com o Michael Bay mesmo.