Crítica | Aquaman #5 a 13 – Os Outros (Novos 52)

estrelas 3,5

Introdução

(ou sobre as edições #5 e #6)

Depois da conclusão de Os Abissais, temos duas revistas de transição até o arco seguinte, Os Outros. Essas edições mostram de maneira muito interessante e inteligente como a trama das criaturas da fossa oceânica se conecta com a história que virá. Na edição #5, temos o Aquaman perdido no deserto após um acidente com uma nave atlante. Ele então fica a par de um importante pedido de socorro, e após ser salvo pela marinha, vai para casa chamar Mera a fim de juntos buscarem informações com o professor Setephen Shin.

Na revista seguinte, há uma genial apresentação de quem é Mera, sua função inicial em relação ao Aquaman e a mudança de planos ocorrida no meio do processo. Se no início do arco anterior tivemos uma melhor visão em relação às motivações psicológicas e características pessoais de Arthur Curry/Aquaman, percebemos agora a sensibilidade de Mera em relação ao sofrimento feminino e sua incompreensão da humanidade. As subtramas então se afunilam e ambos os heróis partem para uma importante visita.

.

Os Outros

É de conhecimento geral que um bom início de arco deve ter uma boa premissa narrada de forma ágil e com um gancho dotado de enigma e intrigas a longo prazo, o que dará motivos para que o leitor espere ansiosamente pela edição seguinte. No caso de Aquaman, temos adicionado a essas características, o excelente trabalho da equipe artística, o que faz com que o novo arco da revista prossiga com a fantástica marca da surpresa e da boa qualidade que tanto elogiamos em Os Abissais.

O que nos chama a atenção já no início da edição #7 é o cuidado com que Geoff Johns constrói a história, não deixando peças soltas pelo caminho e compassadamente trazendo novas personagens para o enredo. O enigma dos “Outros” se estabelece tão logo vemos Kahina ser morta, na Amazônia. Quando a história se cruza com a linha do Aquaman e Mera, percebemos que ela é bem maior do que aparentou inicialmente, e dada a possibilidade do professor Shin estar envolvido, fica evidente que algo muito interessante está por vir.

O roteiro inicia a narrativa dando a entender que esses Outros são os vilões. Pelo menos foi assim que eu os percebi no início. Mas conforme investigamos o ataque do Arraia Negra e o roubo da relíquia que pertencia a Kahina, temos a agradável revelação de uma equipe não formal de heróis, da qual Aquaman fazia parte. No atual estado das coisas, todos voltam a se unir para deter o incansável Arraia. Até então não sabíamos que essa importância estratégica do vilão seria minada quando do aparecimento de um “mandante maior”, na conclusão do arco, um erro de concepção do autor que provavelmente não poderia ser evitado, dada a natureza do desfecho.

Além dessa abordagem interessantíssima do passado recente de Arthur Curry/Aquaman, o roteiro aponta as mudanças pessoais e psicológicas do herói. Os eventos que cercam o seu mortal círculo vicioso com o Arraia Negra aparecem em uma narrativa paralela inteligente e orgânica, quando ainda o professor Shin estava sob suspeita e custódia de Mera. Esse recurso é utilizado por Geoff Johns várias vezes durante o arco mas sem nenhum exagero, o que destaca ainda mais o seu bom uso.

A parte artística recebe a presença de alguns profissionais na finalização, mas mantém-se a boa qualidade dos desenhos e a maravilhosa paleta de cores. Geralmente em arcos que se passam em dois ambientes naturais distintos (nesse caso, terra e mar), há uma variação estranha no uso das cores e os desenhos parecem não obedecer a mudança de espaço físico, mantendo certos movimentos e uso de força padrão em todos os lugares, o que eu particularmente não gosto de ver, embora isso aconteça a rodo em quadrinhos. No caso de Aquaman, Ivan Reis (desenhos), Joe Prado (arte-final) obedecem essas mudanças de ambiente e adequam muito bem os desenhos a cada uma dessas realidades. Rod Reis é outro que merece destaque, porque suas cores são sublimes, especialmente o uso das tonalidades de azul – e aqui, tenho uma queda pessoal, porque além de o azul ser uma das minhas cores favoritas, gosto muito de histórias ambientadas em espaços litorâneos ou com presença de água.

E antes de finalizarmos, vale algumas linhas sobre a edição #0, que nos traz algo um potencial para trabalhos futuros. Vemos um Artur Curry abalado pela morte do pai e visões sob outros ângulos de algumas lembranças mostradas nas edições anteriores. Gostei da opção de trazer esses momentos sem sobrecarregar a revista com eles, mas colocando-os apenas para fazer um link satisfatório com a trama, o que funciona perfeitamente. Então presenciamos o encontro do Aquaman com Vulko, um atlante exilado na Terra. O interessante é que temos maior contato com a geração de Artur Curry, o destino de sua mãe e a apresentação de seu irmão, Orm, que é cogitado como o cara que encomendou o serviço sujo para o Arraia Negra. Seja como for, a edição é interessante e cumpre à risca o papel de premissa de toda a história.

Os Outros foi um ótimo arco desse novo Aquaman, e com certeza trouxe bastante riqueza e possibilidades para o futuro da revista. Ouvi reclamarem que o final teve um Deus ex machina, e andei buscando alguma coisa que indicasse isso, não encontrando nenhuma na revista. Para mim, é claro que o desfecho não foi pleno, faltou uma maior estrutura nessa ponte entre o fim da intriga e a paz que se segue à guerra, mas não houve nenhuma impossibilidade na vitória dos heróis sobre os vilões, tanto que nem foi uma vitória, de fato, uma vez que o poderoso cetro atlante foi levado pela misteriosa nave. Como disse, existem muitas possibilidades para o futuro da revista, e certamente vale continuar acompanhando.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.