Crítica | Aranhaverso (Tie-In de Guerras Secretas – 2015)

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estrelas 2,5

Escrever uma história com liberdade criativa e com um número determinado de cinco edições parece sonho para qualquer criador de quadrinhos, especialmente os de heróis. Com o gênero cada vez mais desgastado, os roteiristas se vêm apenas com uma única opção: repetir aquilo que já foi feito outrora. Porém, de tempos em tempos a editora Marvel, uma das maiores de toda a indústria, resolve criar uma grande crise. Apesar da palavra ser muito utilizada pela sua principal concorrente, a Casa das Idéias sempre soube lidar bem com esses grandes eventos editoriais, fazendo com que não apenas a saga que contém o título principal do evento (como Guerras Secretas) tenham as vendas alavancadas.

aranhaverso-capa-plano-criticoEsses tie-ins dão uma grande liberdade para seu criador, mas nem tudo são flores. O grupo que trabalhará na revista, terá apenas cinco edições para fazer com que seu leitor ame, odeie ou tenha qualquer outro tipo de sentimento e relacionamento com sua história e personagens. Isso pode resultar em tramas apressadas e muito mal resolvidas, principalmente se seu grupo criativo tiver ilusões de grandeza.

Aranhaverso é mais uma dessas incontáveis tie-ins que giram em torno da grande saga Guerras Secretas. Escrito por Mike Costa, o roteiro se passa em uma terra que não vê seu herói Aracnídeo, Peter Parker, há um bom tempo. Ele é tido como morto e, em sua ausência, seis novas derivações de Aranha surgiram, entre elas Spider-Gwen e um Porco-Aranha (sim, você não leu errado! E não, a história não é roteirizada pelo Homer).

Mesmo com essas loucuras, a trama de Mike vai bem, principalmente nos diálogos, todos eles são bem construídos e bem inseridos, conforme cada personagem. Colocando isso de lado, vemos um roteiro bem básico, que não faz grandes apostas e nem ousa em criar um grande evento, o que é muito inteligente da parte de Costa, como a  história tem apenas cinco edições, seria impossível construir algo grande em tão pouco tempo de desenvolvimento.

Infelizmente, Mike falha em alguns aspectos de sua história. Além de ter alguns erros de continuidade e pequenos furos em seu roteiro, o autor peca muito na construção da motivação de seu vilão Osborn, que agora é prefeito da cidade. Os heróis, com seu altruísmo, são muito mais fáceis de serem motivados. No entanto, um vilão precisa de algo crível e digno para fazer as crueldades que faz. Osborn não tem uma motivação, é mal porque decidiu ser e, mesmo com o tempo limitado, Mike teria como trabalhar um pouco melhor esse aspecto em sua trama.

Se o roteiro é vazio, a arte o acompanha nesse aspecto. Desenhar uma revista do Homem Aranha requer que o artista saiba lidar muito bem com as posições em combate. O Aracnídeo é muito dinâmico em sua luta, agora pegue esse aspecto e multiplique por seis, esse era o grande trabalho de André Araújo, que infelizmente não conseguiu cumpri-lo. Com expressões que variam entre boas e horríveis, traços apressados e que tentam transmitir a mensagem pela simplicidade, só que caem no terreno do mal feito. Posições que também estão hora fisicamente impossíveis, hora muito bem colocadas. Painéis que não encantam, mas também não erram, e sombras feitas por traços grossos demais, causando um estranhamento no leitor. Em resumo, um arte ciclotimia, que não agrega e nenhum momento a história que esta sendo contada. André tem bons momentos, porém nos apresenta situações desenhadas de forma apressada. Isso são, claramente, sintomas de um artista que foi cobrado a entregar sua obra o mais rápido possível.

Talvez o maior problema de Aranhaverso seja o posicionamento editorial da Marvel. Toda a história parece ter sido feita às pressas, a dupla André e Mike tenta dar o seu melhor em uma trama que parece ser feito apenas para tampar um buraco editorial. É uma pena ver uma trama que demonstra um bom potencial, ser podada, simplesmente por que a editora decidiu que assim seria.

Guerras Secretas: Aranhaverso (Secret Wars:  Spider-Verse) — EUA, 2015
Roteiro: Mike Costa
Arte: André Araújo
Cores: Rachelle Rosenberg
Letras: Joe Caramagna
Editora original: Marvel Comics
Datas originais de publicação: 2015
Editora no Brasil: Panini Comics
Páginas: 156
PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".