Crítica | Arlequina #9 a 16: Lado a Lado com a Poderosa (Novos 52)

lado a lado com a poderosa arlequina

estrelas 2,5

Este segundo volume encadernado da revista Arlequina traz a mesma estrutura temática que Uma Estranha no Ninho, o volume anterior, inclusive em seus pontos mais fracos, como a dispersão do tema central em prol de uma chacota que, ao romper a quarta parede, acaba gerando dois sentimentos no leitor, o primeiro, de cumplicidade (algo sempre interessante) e o segundo, de que os roteiristas Amanda Conner e Jimmy Palmiotti utilizam-se desse recurso para “justificar” encerramentos pouco ou nada interessantes no decorrer das edições.

O primeiro arco desse encarnado começa na edição #9, A Gaiola dos Nerds Loucos, e estamos novamente no prédio da Arlequina com o show de Tony Tigrão em andamento. De cara, sentimos uma boa sensação de “volta ao lar”, porque toda essa relação da Palhacinha com os seus locatários é chamativa, mostra um lado humano da personagem e dá sentido à proposta da revista, após os eventos de Doidinha Exigente, a fenomenal edição #0.

Esse mesmo tom de anti-heroísmo e convivência urbana mantém-se com ressalvas na edição seguinte, Não Existem Regras!, mas o roteiro cai bastante por dois motivos: a desnecessária quebra narrativa com ação em outro planeta (inicialmente até interessante, porque parecia alucinação da Arlequina após ser atingida na patinação à la Clube da Luta) e depois pela estranha mescla de subtramas, tais como a chegada da Poderosa (Kara Zor-El) à Terra e de Mason, o filho da Madame Macabra, à casa da mãe, com quem possui uma incômoda ligação edípica.

Desse ponto em diante, as edições dividem opiniões. Como não sou exatamente fã da arte de Chad Hardin, minha tendência foi de reações pouco animadas ao longo das páginas, com algumas poucas exceções, notadamente quando John Timms divide ou assume os créditos de lápis e finalização da arte. Para piorar, o roteiro ganha, a partir de Sem Poderes, uma nuance difícil de engolir. Não dá para aceitar a colocação de uma pequena saga cósmica que aparece no cliffhanger dessa edição e passa por Não Estamos Mais no Kansas, que tem um início (de novo!) aceitável mas depois descamba para um texto sem atrativos, truncado e meio bobo, até Acertando os Ponteiros, edição que marca a partida abrupta da Poderosa da vida da Arlequina.

Se em um primeiro momento o leitor se deixa levar pela “zuerinha” que pontua as edições, aos poucos ele percebe que nenhuma proposta absurda, por mais absurda que seja, pode ser considerada aceitável se ela burla ou boicota seu próprio desenvolvimento para que a piada — muitas vezes, uma má piada — ganhe espaço, como é o caso da Arlequina pendurada na Torre Eiffel para na edição seguinte, Um Dia na Vida, estar novamente em casa, vidrada no trabalho e lidando com problemas amorosos. É como se Amanda Conner e Jimmy Palmiotti tivessem planejado todo um cenário de luta da protagonista contra gangues e, em sua “vida social”, ter uma convivência familiar mas ainda assim maluca com seus novos amigos; para logo adiante tentar “acertá-la”, moralizá-la não em seu discurso mas em suas ações. Essa dedicação ao trabalho e a volta para comprar rações após ser furtava durante o tempo em que salvava pessoas de um incêndio (na edição Demência Pouca é Bobagem) são coisas que não combinam com a personagem e parecem completamente forçadas na edição.

arlequinaAs coisas melhoram um pouquinho mais em Tome Cuidado Com o Que Você Deseja…, que acaba com a criação da Gangue das Arlequinas. Tirando o desfecho clichê, a formação do grupo foi bem construída e até a diagramação optou por determinados caminhos que favoreceram a história. Claro que não conseguem salvar o encadernado da linha mediana mas pelo menos encerram este bloco de uma maneira não enraivecedora. O grande problema é que a tal gangue, pelo que foi indicado no box ao final da edição, aparecerá em um Especial 3 da Arlequina, o que é completamente insano, pois gastou-se uma edição inteira da revista corrente da personagem a fim de se formar um grupo que não fará parte da revista!?

Só pode ser piada…

Arlequina #9 a 16: Lado a Lado com a Poderosa (Novos 52)
Harley Quinn: Power Outage (New 52), EUA – 2014/2015

Roteiro: Amanda Conner, Jimmy Palmiotti
Arte: John Timms (#9), Marco Failla (#10), Chad Hardin (#11, 13, 14), John Timms e Chad Hardin (#12, 15, 16)
Arte-final: John Timms (#9), Marco Failla (#10), Chad Hardin (#11, 13, 14), John Timms e Chad Hardin (#12, 15, 16)
Cores: Paul Mounts (#9), Brett Smith (#10), Alex Sinclair (#11, 12, 13, 14), Alex Sinclair e Paul Mounts (#15, 16) 
Letras:
 John J. Hill
Editora nos EUA: DC Comics
Publicação no Brasil: Panini, novembro de 2015
Páginas: 172 (encadernado)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.