Crítica | Arlequina: Especial de Natal e Ano-Novo (Novos 52)

estrelas 3

Composta por três histórias temáticas passadas entre o Natal e o Ano-Novo, a saber, Presente de GregoTira do Seu Zumbido do Meu OuvidoTempo de Matar, este Especial da Arlequina traz muito da aura da personagem construída nas primeiras histórias de sua revista nesta fase dos Novos 52, contando com os esperados acontecimentos absurdos, comportamento violento e senso de comunidade e pertencimento da personagem que desde as edições #1 a 8 tem me espantado.

Acontece que nesta edição, por ser um especial de Natal e Ano-Novo (curiosamente publicado nos EUA em fevereiro de 2015!) o comportamento violento da personagem ou de seu universo é minimizado em favor da mensagem de união das famílias e confraternização nessas duas importantes comemorações.

arlequina especial de natalNo caso da primeira história, Presente de Grego, vemos a paixão de Arlequina por animais se tornar um problema quando ela se esquece de castrar alguns dos bichos que cria no segundo andar do prédio em que é síndica. O resultado, claro, é uma proliferação inesperada que ela e Tony jamais conseguirão sustentar. A trama se passa no Natal e Quina e Tigrão bolam um plano para colocar clandestinamente os filhotes nas sacolas de Natal dos clientes que ajudam. A partir daí temos o gancho para o verdadeiro ponto central da edição, a história de uma garotinha que perdeu a mãe e não consegue lidar com isso.

O roteiro de Jimmy Palmiotti e Amanda Conner, que escrevem as três histórias, constrói uma boa relação entre Arlequina e a pequena Cindy, aproximando o comportamento desregrado das duas e fazendo com que o problema familiar seja resolvido da forma mais… insólita possível. Se o primeiro momento da presença da Arlequina na casa da família é completamente dispensável dada a sua inverossimilhança (mesmo para os padrões caóticos da personagem) o desenvolvimento e a finalização funcionam muito bem, além de contar com uma arte de traços harmoniosos de Mauricet e excelente colorização de Dave McCaig.

arlequina natalA segunda história, Tira do Seu Zumbido do Meu Ouvido, é, a meu ver, a conceitualmente mais absurda, mas a que mais me agradou justamente por isso. E claro, por ter um tom fabular e social que realmente condiz com o clichê verdadeiro do “espírito natalino”. A trama se inicia com uma criatura que só acorda no Natal preparando-se para se hospedar no ouvido de alguém e ficar tocando (ou cantando) canções natalinas no ouvido dessa pessoa — pelo menos agora a gente sabe por que essas canções-chiclete de Natal parecem nunca mais sair da nossa cabeça…

É claro que a criatura se hospeda no ouvido da Arlequina e ela faz o maior alvoroço pra se ver livre do bicho. No final de tudo, a confraternização com o Papai Noel em um restaurante kosher, a boa conversa e a não colocação de todo o evento como uma “história irreal” dá um grande charme à trama, que na arte de Brandt Peters e Amanda Conner ganha possibilidade visual ainda mais notável.

Harley_Quinn_3O desfecho da revista, Tempo de Matar, é uma história de Ano-Novo e se baseia na antropomorfização do tempo em um personagem chamado “Pai Tempo” (Father Time), a quem Arlequina quer matar porque não consegue lidar com o fato de ter um fio de cabelo branco. Dos três contos deste volume, este foi o que menos me agradou, exceto na arte, que traz o sempre ótimo traço de Darwyn Cooke, do qual é impossível não gostar.

Querendo ou não, a história tem a mesma cadência familiar que a primeira, mas o trabalho e problematização burlesca para a figura do Pai Tempo tornou a coisa muito mais boba do que deveria. Há grande ternura no final, tanto pela questão familiar quanto pela adoção que os animais fazem dos velhinhos (a família, novamente!), mas a despeito da fofura, a aparência boba do enredo até ali não se desfaz. Nota para o último quadro, o melhor da edição, com toda a ironia possível para o “novo bom ano” que então se inicia…

Este Especial de festas de final de ano protagonizado pela Arlequina tem bom humor e alta dose alta de nonsense, como pede as histórias da personagem. Não é um conjunto de histórias perfeitas e nem essenciais, mas valem a pena ser lidas.

Arlequina: Especial de Natal e Ano-Novo (Harley Quinn Holiday Special #1 — The New 52) — EUA, 2015
Roteiro: Jimmy Palmiotti, Amanda Conner
Arte: Mauricet (Bad Toy); Brandt Peters, Amanda Conner (Get Yer Cheer Outta My Ear); Darwyn Cooke (K!llin’ T!me).
Arte-final: Mauricet (Bad Toy); Brandt Peters (Get Yer Cheer Outta My Ear); Darwyn Cooke (K!llin’ T!me).
Cores: Dave McCaig (Bad Toy); Paul Mounts (Get Yer Cheer Outta My Ear); Dave Stewart (K!llin’ T!me).
Letras: John J. Hill
Capas: Amanda Conner, Paul Mounts
Publicação original: DC Comics, fevereiro de 2015
Publicação no Brasil: Panini, novembro de 2015
Páginas: 44

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.