Crítica | Arquivo X – 10X03: Mulder & Scully Meet the Were-Monster

estrelas 4

Obs: Há spoilers. As críticas da “série completa” e dos dois longa-metragens podem ser lidas aqui

Em determinado momento desse terceiro episódio da 10ª temporada de Arquivo X, Fox Mulder (David Duchovny) diz para Dana Scully (Gillian Anderson) que está fazendo uma autópsia em uma vítima de um possível monstro que ataca pessoas:

– Você estava sentindo falta desses casos, não é mesmo?
– Sim, estava – responde a agente.

Nós também estávamos morrendo de saudades dos episódios onde nos era apresentado o saudoso “monstro da semana”. E claro que essa volta monumental dessa série não poderia deixar de agradar os fãs, não é mesmo?

Pois além do monstro em questão temos ainda uma dose cavalar de bom humor, tiradas que vão deixar os fãs alucinados e com aquela vontade de querer mais e mais sacadas como aquelas nos próximos episódios que ainda estão por vir.

A trama, que é escrita por Chris Carter e Darin Morgan (responsável por cinco outros roteiros da série como “Blood” e “Humbug”) nos apresenta já de cara um monstro um tanto atrapalhado. Toda a vez que ele entra em cena uma pessoa é brutalmente assassinada. Claro que Mulder e Scully são chamados para resolver o caso e tentar encontrar o que está por trás dos assassinados. Seria um serial killer ou mesmo uma criatura com chifres assustadora e sanguinária?

Já de cara o mistério de quem é o tal monstro é revelado ao espectador (em uma cena um tanto cômica, é verdade). Rola ainda eventos hilários em um hotel (que até lembra um pouco Twin Peaks com passagens secretas e lugares onde é possível observar os hóspedes) e uma conversa sincera em um cemitério onde toda a verdade é revelada.

Claro que esse episódio pode decepcionar aqueles fãs que chegaram embalados pelos dois primeiros episódios cheios de revelações, intrigas e conspirações. Esse episódio revisita aquelas tramas mais leves, recheadas de bom humor, diálogos rápidos e debochados sobre como os personagens encaram os mistérios envolvendo criaturas e monstros. É uma forma de agradar a todos, quem curte mistério (sim, temos lanternas nesse episódio, mas ainda sigo com saudades dos milharais) e ver Duchovny se divertindo muito em cena.

Mas quem comanda o episódio é mesmo Rhys Darby, o homem por trás do monstro do episódio. Além de absurdamente engraçado ele encena muito bem a mesmice da vida humana: acordar, trabalhar, odiar o trabalho, voltar para casa para repetir toda essa saga mais e mais vezes, todos os dias da nossa vida. Até dá para fazer algumas reflexões bacanas sobre como a nossa raça é tão absurda e ao mesmo tempo tão apaixonante.

A conversa entre Guy Mann (um bom nome para um monstro que se torna humano, não é mesmo) é muito bem editada e escrita. Guy conta como foi brutalmente mordido por um ser humano e que, desde então, deixou de ser um lagarto que vivia tranquilamente na floresta, para habitar o mundo dos humanos e buscar, desesperadamente, uma vida normal com a sua nova espécie. Morgan e seu roteiro questiona toda a origem da série e mesmo dos Arquivos X, já que o monstro por trás de todos aqueles assassinatos era apenas mais um humano, como outro qualquer.

O desfecho é cheio de esperança. Esperança em acreditar sim em algo que está lá fora. E não é porque a gente não viu que ele não exista. Arquivo X é campeão em nos mostrar isso. No final, o episódio é uma viagem divertida e muito bem humorada naqueles saudosos episódios da década de 90. A explicação para tudo até faz algum sentido, mas de qualquer maneira, o que vale aqui é mostrar como Mulder precisa acreditar sempre na verdade, mesmo que ela seja muito absurda para os humanos normais, digamos assim. E, tiveram que se passar 10 temporadas para ele, enfim, estar frente a frente com um monstro de verdade!

A direção é também de Morgan, que estreia no mundo de Arquivo X (ele havia dirigido dois episódios da saudosa Millenium) e faz um bom trabalho atrás das câmeras. A edição até consegue enganar um pouco o espectador sobre a identidade do monstro e do desfecho de toda a trama. Ao final, fica aquele sentimento: está longe de ser o melhor episódio dessa temporada, mas foi ótimo reviver os monstros e dar risadas. E sim, Mulder e a tecnologia ainda vão gerar muitas piadas bacanas nesse novo ano da série.

P.S.: A cena de sexo de Scully na loja de celulares é uma das coisas mais hilárias que Arquivo X já criou. De fato, pode parecer apelativa para alguns, mas eu confesso que minha barriga ficou doendo de tanto rir. Arquivo X também sabe fazer comédia, ora essas!

Arquivo X 10X03: Mulder & Scully Meet the Were-Monster (EUA, 2016)
Showrunner: Chris Carter
Direção: Darin Morgan
Roteiro: Darin Morgan e Chris Carter
Elenco: David Duchovny, Gillian Anderson, Rhys Darby, Kumail Nanjiani, Tyler Labine, D.J. Pierce e Richard Newman.
Duração: 43 min.

GISELE SANTOS . . Gaúcha de nascimento, mas que não curte bairrismos nem chimarrão! Me encantei pelo cinema ainda criança e a paixão só cresceu ao longo dos anos. O top 1 da vida é "Cidadão Kane", mas tenho uma dificuldade enorme de listar os melhores filmes da minha vida. De uns anos para cá, os filmes alternativos têm ganhado espaço neste coração que um dia já foi ocupado apenas por blockbusters pipoquentos.