Crítica | Arrow – 5X08: Invasion! (Parte Dois)

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estrelas 2

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas das temporadas anteriores da série, aqui e de todas as partes do crossover Invasion!, aqui.

O 8º episódio da 5ª temporada de Arrow é, muito mais do que apenas parte do alardeado crossover Invasion!, um marco para a série, já que é seu 100º episódio, número quase mítico almejado por toda produção televisiva por razões históricas que hoje até nem fazem mais tanto sentido quanto antigamente. E, verdade seja dita, apesar de a narrativa estar inserida dentro da história maior baseada nos quadrinhos de mesmo nome e que teve seu prelúdio em Supergirl e a efetiva primeira parte em The Flash, o foco do roteiro de Marc Guggenheim e Wendy Mericle, baseado em teleplay de Greg Berlanti, está mesmo na comemoração do número alcançado.

E, como de praxe em episódios de número 100 desde tempos imemoriais, o que o espectador recebe é uma espécie de “melhores momentos” de toda a série. Mas calma, pois o episódio não é uma meramente uma sucessão de flashbacks rememorando momentos-chave das quatro temporadas anteriores e sim algo razoavelmente diferente e até mesmo passável. Mas há que estabelecer uma premissa: se o espectador gostar de Arrow (seja por guilty pleasure, seja por gostar de verdade) então provavelmente gostará também do episódio comemorativo, ao passo que aqueles que, como eu, não suportam mais a série, provavelmente terão suas reticências.

Sem perder muito tempo, a situação é estabelecida a partir do desaparecimento de Oliver Queen, Thea Queen, John Diggle, Sarah Lance e Ray Palmer ao final da primeira parte do crossover em The Flash. Logo descobrimos que eles estão em casulos de estase, capturados pelos Dominadores, ao alienígenas que invadiram a Terra. O que se segue daí é um capítulo que se passa substancialmente dentro de uma “realidade” virtual em que os cinco heróis interagem, sem memória de nada, em um mundo “normal”, com Oliver prestes a casar-se com Laurel Lance. Os preparativos da festa nessa versão idealizada da vida de todos – sem suas tragédias e perdas pessoais – formam o pano de fundo para que diversos falecidos voltem momentaneamente à vida, incluindo Katie Cassidy como Laurel, Susanna Thompson como Moira Queen, Jamey Sheridan como Robert Queen e até mesmo, brevemente (como pontas reaproveitadas de outras cenas), Colton Haynes como Roy Harper e Colin Donnell como Tommy Merlyn.

É, sem tirar nem por, um daqueles episódios que prezam pelo sentimentalismo e pela tentativa canhestra de se extrair lágrimas da “vida que poderia ter sido” de cada um dos personagens. Acontece que o roteiro não tem elegância alguma e nem tenta ter. Sabem os olhares chorosos e os sorrisos brancos e perfeitos que permeiam cada sequência tipo Barrados no Baile que são uma praga em Arrow? Eles estão todos lá elevados à décima potência. E a direção de James Bamford não ajuda, pois, quando o momento não é contemplativo, ele se perde em maneirismos histriônicos com a câmera em sequências que não pedem isso, como a irritante câmera giratória que não para ao redor de Oliver e John quando eles finalmente descobrem que algo está muito errado ali ou nas tomadas junto ao chão nas sequências de ação e pancadaria dentro dessa realidade virtual.

Aliás, falando em sequências de ação, é uma pena constatar que as coisas não mudaram na 5ª temporada neste aspecto (ainda não assisti aos episódios da temporada até aqui, apenas este em razão do crossover) e toda a coreografia parece mais um balé em que cada movimento é telegrafado em detalhes, retirando toda e qualquer urgência narrativa. É como ver a versão mal ajambrada e de baixo orçamento da luta ao final de A Ameaça Fantasma que todo mundo parece gostar, mas que se esquece que, aquilo ali, de luta não tem nada. É um “pula para cá, pula para lá” que não para e cansa o espectador sem em nenhum momento realmente deslumbrá-lo ou cativá-lo.

O mesmo vale para as breve sequências na “realidade verdadeira” com a Trindade dos Insuportáveis formada por Felicity Smoak, Curtis Holt e Cisco, além do restante da equipe, tentando localizar os desaparecidos. Flash e Supergirl fazem uma ponta – apenas para lembrar ao espectador que, apesar de tudo, trata-se mesmo de um crossover – enfrentando quase que aleatoriamente, junto com o inútil e muito mal escrito Cão Raivoso, uma vilã cibernética que nem mesmo existe nos quadrinhos e cujo uniforme parece cosplay feito com peças encontradas aleatoriamente em um ferro velho e reunidas em 15 minutos com fita crepe e Durepox.

Mas nem tudo se perde no episódio.

Mesmo no meio de um turbilhão de momentos sentimentaloides, o roteiro consegue ser simpático o suficiente para inserir referências mil aos status quo verdadeiros dos cinco personagens que são raptados enquanto eles vivem na realidade virtual (como o momento em que Sarah diz que é sorte do Oliver que ela não é uma assassina treinada). E, como o crossover parece ser uma grande aposta de marketing da The CW, a injeção de dinheiro beneficiou e muito os efeitos especiais que aparecem nos cinco ou seis minutos em que a linha narrativa de Invasão! propriamente dita é abordada no episódio, bem ao seu final. O CGI funciona tanto para os Dominadores, como especialmente para uma visão geral de sua nave e a breve perseguição espacial. É pouquíssimo tempo para realmente se apreciar a sequência de fuga e ela ainda por cima exige uma dose saudável de suspensão da descrença para ser minimante aceita, mas no todo, o resultado neste aspecto, se visto isoladamente, é positivo.

Em outras palavras, este capítulo é muito mais para marcar o 100º episódio da série do que para realmente fazer Invasion! avançar. A grande verdade é que o crossover é algo que está em um longínquo segundo plano aqui e, por isso, no que diz respeito à história unificada que perpassa todas as séries, o episódio falha completamente. No entanto, aos saudosistas que gostam da série e conseguem glosar seus seríssimos defeitos em troca de ver seus heróis preferidos na telinha seja do jeito que for, todas as melosas sequências de realidade virtual provavelmente funcionarão e trarão lembranças agradáveis. Aos demais, é como reviver um tratamento de canal sem anestesia…

Arrow – 5X08: Invasion! (EUA, 30 de novembro de 2016)
Direção: James Bamford
Roteiro: Marc Guggenheim, Wendy Mericle, Greg Berlanti
Elenco: Stephen Amell, Katie Cassidy, David Ramsey, Willa Holland, Susanna Thompson, Paul Blackthorne, Emily Bett Rickards, Colton Haynes, Echo Kellum, Grant Gustin, Carlos Valdes, Caity Lotz, Brandon Routh, Melissa Benoist, Jamey Sheridan
Duração: 42 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.