Crítica | As Aventuras da Liga da Justiça: Armadilha do Tempo

A primeira animação direto para vídeo da Liga da Justiça, não baseada em algum arco específico, As Aventuras da Liga da Justiça: Armadilha do Tempo, é, também, a que conta com maior potencial. Por não ser preso a algum material original, a obra conta com maior liberdade, podendo explorar os personagens de forma diferenciada e fugir da velha trama “arroz com feijão” dos heróis impedindo os vilões de destruir o mundo. Evidente que tal potencial, nem de perto, foi utilizado por completo, mas, ao menos, o resultado final trouxe maior originalidade do que os longa-metragens animados anteriores, esses repletos de problemas.

A trama tem início com a Liga combatendo a Legião do Mal novamente. Lex Luthor tem um plano que não faz o menor sentido: congelar ainda mais (?) a calota polar utilizando satélites construídos pelo Capitão Frio. Nessa operação, os vilões acabam, sem querer, congelando Lex por mil anos. No futuro, Vésper e Karatê Kid acabam descongelando Luthor por acidente e acabam revelando que Superman é Clark Kent. Após roubar um artefato que permite que ele retorne ao passado, o vilão decide acabar com a Liga da Justiça antes mesmo dela ser criada, impedindo que o Superman exista na Terra. Cabe à Liga, Vésper e Karatê Kid impedir que tal plano seja realizado.

Evidente que o roteiro de Michael Ryan dá mil voltas para chegar em um ponto bastante simples, que poderia ser alcançado de maneira muito menos complicada. Além disso, inúmeros pontos do texto soam convenientes demais, como o fato de Lex congelado estar exibido em um museu sem qualquer segurança e o fato de um artefato que possibilita a viagem no tempo estar bem ali do lado – fora isso, nem entrarei na questão sobre o antagonista ter sido descongelado exatamente mil anos após o seu próprio tempo.

Surpreendentemente, tirando tais artificialidades do roteiro do caminho, Armadilha do Tempo funciona perfeitamente bem, fazendo com que, desde cedo, nos identifiquemos com os dois heróis mirins, Vésper e Karatê Kid, ambos ainda inexperientes, mas que aprendem a colocar suas habilidades em prática conforme o filme progride. Curiosamente, embora saiba trabalhar com eles separadamente da Liga, quando os dois estão juntos dos outros heróis, a química parece ir embora, de tal forma que eles soam completamente desconexos, em dados momentos quase sendo ignorados plenamente pelos heróis adultos. Esse deslize, porém, não nos afasta de certos aspectos originais da trama, que faz belo uso do recurso de viagem no tempo, trazendo uma verdadeira batalha contra paradoxos, que mantém a tensão como uma constante durante toda a projeção.

O trabalho de animação também não decepciona, funcionando de maneira bastante fluida, com traço dotado de maior identidade, trazendo certo ar de As Aventuras de Jackie Chan. Giancarlo Volpe, na direção, veterano de Avatar: A Lenda de Aang, demonstra toda sua experiência nas sequências de ação, trazendo batalhas entre os heróis e vilões que efetivamente nos mantém engajados, com planos na duração certa, valorizando o trabalho da equipe de animação, visto que cortes excessivos poderiam prejudicar nosso entendimento do quadro geral.

Dessa forma, mesmo com seus defeitos, As Aventuras da Liga da Justiça: Armadilha do Tempo prova ser uma bela fonte de entretenimento, certamente contando com mais alma do que muitas das outras animações baseadas em quadrinhos da DC Comics. Com personagens carismáticos e boa utilização do recurso viagem no tempo, o desenho nos mantém engajados do início ao fim.

As Aventuras da Liga da Justiça: Armadilha do Tempo (JLA Adventures: Trapped in Time) — EUA, 2014
Direção:
 Giancarlo Volpe
Roteiro: Michael Ryan
Elenco (vozes originais): Diedrich Bader, Laura Bailey, Dante Basco, Peter Jessop, Corey Burton, Grey DeLisle, Jack De Sena, Michael Donovan
Duração: 52 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.