Crítica | As Aventuras de Panda e Seus Amigos / Espetáculo na Chuva

estrelas 3,5

* A nota acima refere-se à média das duas aventuras. Individualmente, atribuo 4 estrelas para o primeiro filme e 3 (sendo muito bonzinho) para o segundo.

Idealmente baseados no universo da personagem sueca Píppi Meialonga, para a qual Miyazaki e Takahata tentaram, sem sucesso, conseguir os direitos autorais, os dois filmes denominados Panda Kopanda (aqui no Brasil intitulados As Aventuras de Panda e Seus Amigos e Espetáculo na Chuva) possuem conceitos e qualidades bem diferentes.

O primeiro, As Aventuras de Panda e Seus Amigos, lançado nos cinemas japoneses em dezembro de 1972, é o melhor da dupla, apresentando a tríade de personagens principais (o papai Panda, o bebê Panda e Mimiko, a garotinha que dá o tom da narrativa) e criando um ambiente de fofura e fantasia que não é forçado em nenhum momento, tendo uma excelente animação -– destaque também para o bom uso de cores nos desenhos –- e uma atmosfera de amizade, companheirismo e comédia impagáveis.

O importante para um espectador desavisado é ter em mente que o mundo de Mimiko, apesar de ser igual ao nosso, possui certas particularidades. O caso dos pandas é o maior exemplo. Eles falam, possuem superforça e acabam adotando um comportamento de vida (quase) humano ao final do desenho. Além disso, o público deve descontar o fato de a avó da garota ter coragem de viajar e deixar a neta sozinha em casa e também o fato de que a criança consiga fazer absolutamente tudo que uma dona de casa adulta faz e ainda brincar com seus dois novos amigos. Como disse, esse é um mundo de particularidades. E ele funciona bem dentro de sua própria proposta.

A solidão e a carência de Mimiko são supridas com as figuras familiares também carentes e completamente confusas que os pandas representam. Ao mesmo tempo que é mãe do bebê Panda, a garota é irmã dele, porque é filha do papai Panda; e ao mesmo tempo que mima o seu filhote, também procura o mimo do “pai”. O espectador ri da forma como o parentesco se estabeleceu e percebe que juntos, os três formam uma interessante e improvável família com uma figuração bem próxima da nossa realidade, no desfecho da história.

No ano seguinte ao lançamento de As Aventuras de Panda e Seus Amigos Isao Takahata e Hayao Miyazaki revisitaram o mesmo universo com Espetáculo na Chuva, uma animação bastante inferior à primeira mas ainda assim com um bom número de cenas com demonstração de afeto, humor e fofura, especialmente com a presença de um novo personagem, o filhote de tigre que veio com o circo para a cidade.

O verdadeiro problema de Espetáculo na Chuva é o roteiro. Se no primeiro filme, o texto se adequou bem ao mundo criado pelos diretores, explorando-o em boa medida, aqui há uma sequência interminável de absurdos, como uma tempestade de uma noite que tem um efeito-dilúvio para a cidade de Mimiko. As bizarrices são inaceitáveis mesmo dentro desse tipo de fantasia, e dentre elas destacamos o trem andando embaixo da água e a casa parcialmente coberta pela água estar mais arrumada do que antes. Não existe particularidade que salve essa “viagem” do texto.

O circo, seus animais e os palhaços trazem uma graça extra para a história, mas percebemos que a animação aqui é bem mais preguiçosa e pouco ousada se comparada com a primeira, perdendo a oportunidade de fazer algo realmente interessante usando o mundo do circo como base, ao invés das bobagens ridículas ligadas à enchente.

A dupla de filmes Panda Kopanda é uma graça. As obras serviram de modelo imagético para um futuro personagem muito querido de Miyazaki, o Totoro e, embora a primeira parde da dupla de filmes seja superior no roteiro e melhor dirigida, a segunda tem seu charme e não deixa de divertir. Para quem procura nas produções cinematográficas pré-Studio Ghibli as sementes estéticas e dramáticas de Hayao Miyazaki e Isao Takahata, essas histórias dos pandas e Mimiko são a entrada pela porta da frente para o tão incrível universo que a dupla de artistas criaria na década seguinte.

As Aventuras de Panda e Seus Amigos / Espetáculo na Chuva (Panda kopanda / Panda kopanda amefuri sâkasu no maki) – Japão, 1972 e 1973
Direção:
Isao Takahata
Roteiro: Hayao Miyazaki, Isao Takahata
Elenco: Kazuko Sugiyama, Kazuo Kumakura, Yoshiko Ohta, Yasuo Yamada, Kazuo Kumakura
Duração: 35min. e 38min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.