Crítica | As Aventuras de Peabody e Sherman

estrelas 2,5

Baseado no segmento História Improvável (Peabody’s Improbable History) do desenho dos anos sessenta, Show de Rocky e Bullwinkle, As Aventuras de Peabody e Sherman é uma aposta da Dreamworks na temática de viagem no tempo (em alta devido à crescente onda de popularidade da série britânica Doctor Who). A vontade para adaptar para a tela grande o desenho já estava nos planos do diretor Robert Minkoff desde 2003, quando pretendia filmar um live-action.

O longa-metragem inicia nos contando sobre a história de Peabody, sobre ele ser um gênio e como adotou um menino, portanto aqueles que não estão familiarizados com o desenho original não precisam se preocupar. Se um menino pode adotar um cão, eu não vejo o porquê de um cão não poder adotar um menino – a frase do juiz que garantiu a guarda de Sherman ao cachorro nos revela a temática do filme, por onde a trama irá seguir.

Após uma briga na escola entre Sherman e uma colega de sala, uma conselheira do serviço social se empenha em tirar a guarda do menino de Peabody. Temendo perder o seu filho, ele convida a família da colega de Sherman para um jantar. Porém, algo inesperado ocorre: as duas crianças utilizam o Wayback, a máquina do tempo construída por Peabody. A partir desse ponto, a trama progride como o esperado: peripécias ao longo de diversos períodos da história ao mesmo tempo que a relação entre pai e filho e entre os dois colegas se desenvolvem.

No lado dramático a animação funciona de maneira tradicional e previsível, ainda assim as relações entre os personagens são bem estabelecidas e nada soa artificial. O que falta é uma dose de ousadia, para tirar o filme do lugar comum. O mesmo vale para a comédia que constitui o maior defeito do longa, ao passo que falha em produzir qualquer risada na platéia – somente algumas piadas realmente funcionam, em geral as de cunho histórico. Nesse aspecto, As Aventuras de Peabody e Sherman se perde na tentativa de agradar o adulto e a criança, sem conseguir nenhum dos dois. O que mantém o espectador ligado na projeção é a expectativa de qual período histórico veremos a seguir (embora alguns dos pôsteres estraguem por completo a experiência).

Os gráficos, por sua vez, não deixam a desejar e conseguem captar a essência do desenho original. A montagem ajuda tal aspecto, deixando mesmo as cenas mais agitadas de fácil entendimento por parte do público, ao mesmo tempo que valoriza a própria animação.

O ritmo dramático é bastante fluido, ao passo que a narrativa segue uma linha bem estabelecida pelo roteiro de Craig Wright. A trilha sonora de Danny Elfman consegue garantir a imersão do espectador, mas sem acrescentar nenhuma faixa memorável.

As Aventuras de Peabody e Sherman é um filme que diverte, mas sem acrescentar nada de novo, não conseguindo entreter efetivamente nem adulto nem criança. A viagem no tempo é o que leva o filme e o que garante o entretenimento do espectador, já que o roteiro é inteiramente previsível. O potencial da animação é palpável, mas pela sua falta de ousadia ele acaba não sendo utilizado, tornando este um filme que nos deixa aquela sensação de que há algo faltando.

As Aventuras de Peabody e Sherman (Mr. Peabody & Sherman) – EUA, 2014
Direção: Rob Minkoff
Roteiro: Craig Wright (baseado na série produzida por Jay Ward)
Elenco: Ty Burrell, Max Charles, Stephen Colbert, Ariel Winter, Allison Janney, Lauri Fraser, Zach Callison, Leslie Mann.
Duração: 92 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.