Crítica | As Aventuras de Robinson Crusoé (2016)

as-aventuras-de-robinson_crusoe

estrelas 1,5

O roteirista Domonic Paris deve odiar gatos“. Esta foi a primeira conclusão a que eu consegui chegar logo que terminou mais esta adaptação para o cinema do livro de Daniel Defoe, escrito em 1719.

A animação, dirigida por Vincent Kesteloot e Ben Stassen (Sammy: A Grande Fuga, 2012) adota um ponto de vista diferente daqueles a que estamos acostumados. É uma “outra confissão”, por assim dizer, contada a dois ratinhos por uma arara vermelha, a Terça-feira dessa versão. O tom fabular e cômico é visto logo no início, e por alguns minutos nós esperamos o encantamento que vem naturalmente com filmes protagonizados por animais engraçadinhos. Mas esse encanto, quando vem, está acompanhado de nuances do roteiro que simplesmente nos impedem de aproveitar bem o filme.

Na primeira parte, temos o caminho para o flashback: estamos em um navio pirata que irá “resgatar” Crusoé. Terça-feira aparece, é colocado do lado de fora da cabine do capitão e passa a contar a “verdadeira história de Robinson Crusoé” para os ratinhos, enquanto o resgatado se gabava de ter feito maravilhas contra… bem, os gatos do navio onde ele estava, que acabaram sendo os vilões de todo o filme. Sim. Os gatos. E o pior de tudo é que mesmo diante dos exageros normalmente cometidos nas animações fabulares, os gatos, neste longa, são os únicos que fogem de verdade ao parâmetro de ação, linha adotada exatamente para demonizar os bichos, com os quais nem um humano consegue lidar. Já por este ponto de vista, temos um impasse questionável do roteiro. E vejam, eu nem sou do time #catperson.

Se o princípio já traz problemas pelo caminho utilizado para narrar a história, seu desenvolvimento é de altos e baixos, com momentos de grande beleza entre Crusoé e os animais do”Paraíso” e sequências que repetem a infame contradição ético-moral entre os gatos demoníacos e os outros animais [quase] encantados, que se tornam amigos do humano. Essa linha de escrita dá ao filme uma vida curta, porque bem cedo o espectador se chateia com os exageros além do comum, se perde brevemente quanto ao foco do filme e espera que o final traga algo menos clichê, que o roteiro aproveite que está fazendo outra versão e apresente de fato alguma novidade, mas isso não acontece. Ainda bem que se trata de uma animação, então sempre há algo bacana para se valorizar.

A reprodução de efeitos como explosões, névoa, chuva e tempestade são os únicos pontos mais fracos do trabalho visual da fita. Fora isso, a animação consegue bons resultados na figuração dos animais e depois das cenas com Robinson Crusoé no seu navio, antes do naufrágio, mostra também uma ótima representação para o próprio protagonista. Os gatos também ganham um bom visual realista, magros, com os pelos sujos e constantemente molhados. Na sua relação com o roteiro, essa figuração reafirma o que já falamos sobre como esses animais são explorados negativamente na história. Esteticamente, porém, sua representação é maravilhosa.

Há uma cena de grande destaque da direção, a única realmente boa em termos de dinâmica, que é quando os gatos atacam o “Paraíso” pela segunda vez. O processo de perseguição aos animais bonzinhos e a derrubada da casa na árvore é intenso, cheio de tomadas inteligentes e boas resoluções visuais. O filme, todavia, permanece sendo muito ruim pela desmedida narrativa, tanto para a construção de personagens, quanto para a narração geral da história, com blocos pouco inteligentes e progressão inverossímil da trama. Uma baita perda de tempo.

As Aventuras de Robinson Crusoé (Robinson Crusoe) — Bélgica, França, 2016
Direção: Vincent Kesteloot, Ben Stassen
Roteiro: Domonic Paris
Elenco (vozes originais): Matthias Schweighöfer, Kaya Yanar, Ilka Bessin, Dieter Hallervorden, Aylin Tezel, Ghadah Al-Akel, Tommy Morgenstern, Melanie Hinze, Bert Franzke, Tobias Lelle, Gerald Schaale, Jesco Wirthgen, Jan Makino, Axel Lutter, Jan-David Rönfeldt
Duração: 91 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.