Crítica | Doctor Who: As Aventuras do 4º Doutor – 2ª Temporada

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ATENÇÃO: As críticas para os episódios desta 2ª Temporada das Aventuras do 4º Doutor estão intercaladas por contos das Short Trips e outros livros. No final, há críticas para algumas aventuras especiais lançadas pela Big Finish e o episódio 4 da minissérie Destiny of the Doctor.

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Old Flames, do primeiro volume das Short Trips, esta é uma aventura importante, pois marca a estreia da complicadíssima Iris Wildthyme, uma personagem-pastiche do Doutor, com várias linhas do tempo (passado, presente e futuro) todas possíveis e todas canônicas dentro do Universo expandido da série. Sim, é isso mesmo. No começo dessa história, o 4º Doutor está com Sarah Jane na Inglaterra, em 1764. Ele está em um lago, perseguindo um “grande gato”. Depois de abandonada a busca, o Time Lord resolve ir embora, mas ouve, com Sarah, um ônibus estacionando na floresta próxima. Então decide ficar para o baile e reencontra a velha amiga gallifreyana — em uma de suas linhas do tempo. A história é um exercício interessante de apresentação, e traz um bom olhar para o mito do bom selvagem. [Paul Magrs. 4/5]
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The Auntie Matter

2X01

estrelas 3,5

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Equipe: 4º Doutor, Romana
Espaço: Londres / Hampshire
Tempo: 1929

E o prêmio de pior tia do Universo vai para… Ligeia Bassett! Assim deveria terminar esta história, que sinaliza um tempo do Doutor e Romana vivendo na Terra, no início do século XX, enquanto K9 II está despistando o Black Guardian, pilotando sozinho a TARDIS. Considerando que tudo acontece depois de The Armageddon Factor, é compreensível que o Time Lord e a Time Lady precisassem de umas férias. Só Romana que não parece muito feliz com a escolha do local pelo Doutor, mas mesmo assim, tenta relevar e ver o que tem de bom (em ciência) neste período da História da humanidade.

A história se passa em dois cenários que, em pouco tempo, se juntam. De um lado, o Doutor e Romana vivendo em uma casa, em Londres. De outro, o aparvalhado Reginald “Reggie” Bassett e sua tia cheia de segredos, que vive mudando de corpo, aproveitando-se das meninas que Reggie leva para ela conhecer, apagando a memória do sobrinho logo em seguida. Toda a história tem um ar de terror, e está mais para os roteiros da época de Sarah Jane do que de Romana. De algum modo — descontando a época histórica — nos parece que esta aventura é um misto de Pyramids of Mars com The Seeds of Doom, basta vermos a exploração da casa, do “vilão oculto” que aos poucos se revela e dos subterfúgios para conseguir o que quer.

O clichê na resolução do caso, o ponto humorístico da aventura carregado por Reggie (que é chato demais, apesar de paradoxalmente… engraçado? Cativante?) e o caso de amor “proibido” se realizando são os lados humanos da saga, lados também vistos na relação entre o Doutor e Romana, dividindo uma casa, fazendo brincadeira de ciúmes e jogos de culpa, ou escondendo coisas que acabam revelando um para o outro no final. The Auntie Matter não é uma obra-prima, mas começa bem a 2ª Temporada das Aventuras do 4º Doutor.

The Auntie Matter (Reino Unido, janeiro de 2013)
Direção: Ken Bentley
Roteiro: Jonathan Morris
Elenco: Tom Baker, Mary Tamm, Julia McKenzie, Robert Portal, Robert Portal, Alan Cox, Jane Slavin
Duração: 65 min.

A Full Life é um tipo de “e se…?” em Doctor Who. Uma história tocante, que abre o precedente de uma nova linha do tempo para o 4º Doutor, Romana e Adric. Aqui, em um planeta chamado Veridis, no E-Space, eles se deparam com uma realidade onde os mortos podem retornar à vida. E ficam no lugar tempo o bastante para perceber as consequências negativas que isso teria para os Universos… Acontece que o Doutor e Romana precisam parar a máquina que faz a coisa acontecer e eles encontram um destino completamente inesperado nela. A partir desse momento, Adric vive uma vida inteira, tendo casado, se tornado pai, avô, enviuvado e conhecido um homem em sua velhice. Uma vida inteira, vivida em diversos aspectos, com direito a uma partida no final, com ele mesmo, já Doutor, se tornando uma espécie de pastiche do Senhor do Tempo que fora seu amigo. Uma história que realmente nos faz pensar como as coisas poderiam ter sido diferentes. Para o Universo. Para Adric. E para a forma como nós vemos o companion também. [Joseph Lidster. 4,5/5]

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The Sands of Life

2X02

estrelas 3,5

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Equipe: 4º Doutor, Romana
Espaço: Deserto do Saara
Tempo: Futuro

Esse episódio, que é a primeira parte de duas aventuras, começa da maneira mais contemporânea possível, com o noticiário da TV anunciando a vitória nas eleições da presidente[a?] Sheridan Moorkurk e o grande empresário Cuthbert, CEO do Conglomerado, amaldiçoando essa nova administração. O roteiro faz primeiro toda a base social (fortemente politizada) desse momento da História da Terra para depois inserir o Doutor, Romana e K9 II na narrativa. Mas há um pequeno desvio das intenções gerais e o texto segue para outros caminhos, mais ligados à “invasão” dos Laan do que da relação político-econômica do Estado e empresariado.

Depois da entrada do Doutor e Romana, o núcleo da história muda para outro patamar, mostrando mutações energéticas que anunciam a chegada dos Laan à Terra. Esses aliens vivem no Time Vortex e todos são fêmea, vindo para a Terra, para as areias do Saara, a fim de darem à luz. O grande problema nisso tudo é que são milhões de Laan. Se todas derem à luz no nosso planeta, as consequências não serão muito positivas… O início e o desenvolvimento da história coloca dos gallifreyanos tentando fazer os militares e o CEO do Conglomerado entender que não se trata de uma invasão, ao mesmo tempo que não sabem como guiar o caso da multi-maternidade em andamento nas areias do deserto.

Sands of Life é uma história de ação, com uma mudança de tratamento no drama em seu desenvolvimento. As prisões do Doutor e Romana não são as melhores partes da história, mas é sempre curioso ver uma sequência de interrogatórios (aqui, bastante agressivos) enquanto o mundo está praticamente prestes a ter uma grande catástrofe. Como o Doutor sempre diz… “ah, esses humanos”.

The Sands of Life (Reino Unido, fevereiro de 2013)
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: Nicholas Briggs
Elenco: Tom Baker, Mary Tamm, John Leeson, Hayley Atwell, David Warner, Toby Hadoke, Jane Slavin, Duncan Wisbey, Nicholas Briggs, Beth Chalmers, John Dorney
Duração: 65 min.

Glass é um conto de terror. Ou mais ou menos isso. Uma mulher comum, em Cambridge, é assombrada pela visão do rosto de um garoto, que aparece em qualquer superfície de vidro que ela vê. O 4º Doutor e Romana aparecem em um momento em que a mulher está quase enlouquecendo, já afastada do esposo e do filho e contando para as pessoas o que acontecia com ela, sem que ninguém acreditasse. Na verdade, o rosto é a manifestação da mente de um alienígena que escapou da esfera de Skagra (em Shada) tentando focar-se na mulher para manter a sua existência nesse espaço real. O Doutor e Romana fazem uma espécie de “operação jardim” e conseguem neutralizar a presença do alien, mas a mulher fica para sempre marcada pelo acontecido, sem nunca entender o que de fato se passou com ela. [Roteiro: Tara Samms. 3/5]

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War Against the Laan

2X03

estrelas 3

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Equipe: 4º Doutor, Romana
Espaço: Deserto do Saara
Tempo: Futuro

Conclusão da aventura anterior, este episódio segue a linha mais simples possível para chegar ao seu objetivo, o que, de alguma forma, poderia ser positivo, se o roteiro não tivesse coisas bem mais intricadas em mãos e que pudesse trabalhar com elas. A simplicidade aqui pode ser lida como ausência de risco, isso quando o texto poderia arriscar mais, fazer das propostas da aventura anterior novos caminhos para crítica e para a inclusão dos Laan na Terra, com um plano bem mais inteligente do Doutor, o que não ocorre aqui.

Coisas como a perseguição dele e de Romana pelo Conglomerado, os problemas políticos enfrentados pela presidente[a?] Sheridan Moorkurk, o rabo preso do Estado diante de mega investidores… tudo isso tem um ótimo funcionamento no roteiro, mas se perde aos poucos com uma forma boba de fazer o espectador se ligar ao sofrimento dos Laan. Por serem fêmeas, o contato telepático acontece com Romana e Sheridan, que sentem o sofrimento de uma das Laan capturadas e que está num laboratório do Conglomerado, prestes a ser dissecada. A ação é terrível, me lembrou bastante a parte de experimentos com animais de Homem Animal: O Evangelho do Coiote, mas não há muita coisa além desse ponto.

Diminuído pela falta de exploração do drama que envolve a espécie e adotando um caminho um pouco mais emotivo, Nicholas Briggs perdeu a oportunidade de entregar um final épico para essa possível guerra dos humanos contra as Laan. No todo, é uma história acima na média, com um bom final — as cenas de despedida e não a grande vitória, que, para mim, foi abrupta — e com algumas boas relações sociais e políticas tiradas de nossos tempos. A linha das corporações dominantes e a questão bioética da aventura não passam despercebidas, dando um significado maior para a mega maternidade que acontece apenas em parte nas areias do Saara, em um futuro distante.

War Against the Laan (Reino Unido, 11 de março de 2013)
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: Nicholas Briggs
Elenco: Tom Baker, Mary Tamm, David Warner, Hayley Atwell, Jane Slavin, Toby Hadoke, Hugh Fraser, Nicholas Briggs, John Dorney, Beth Chalmers
Duração: 58 min.

My Hero faz parte da coletânea Short Trips: Snapshots. Nele, uma uma mulher encontra no chão um pequeno quadrado, aparentemente feito de plástico, enquanto ia para o trabalho. Ela o coloca no bolso, sem nem pensa por quê. Mais tarde, quando seu trem parte da estação, ela vê um homem (o 4º Doutor Doutor) correndo pela plataforma. O homem reaparece em seu trabalho e tenta avisá-la sobre o objeto, mas é retido pela segurança do local. Na volta do trabalho, o objeto faz com que a mulher seja atacada por uma máquina de venda de doces na plataforma do trem. O Doutor chega a tempo de desmantelar a máquia, que acaba explodindo. Ele pega o quadrado e diz para a mulher que se trata de um alienígena vivo. Ela dá risada, enquanto ele entra em uma caixa azul e mostra para ela o interior. A TARDIS desaparece e deixa a mulher atenta, olhando de forma diferente para o mundo, como se nada fosse o que parecia ser. [Stuart Manning. 3/5]

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The Justice of Jalxar

2X04

estrelas 3,5

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Equipe: 4º Doutor, Romana, Jago, Litefoot
Espaço: Londres
Tempo: 1899

O Doutor e Romana chegam em Londres, em plena Era Vitoriana, e são confrontados com um assassinato misterioso. Romana mantém a constante contrariedade dela em relação às distrações do Doutor, sempre que alguma coisa séria acontece. Ele se lembra de seus amigos Jago e Litefoot e resolve fazer uma visita para eles. Já faz dez anos, desde que se encontraram em The Talons of Weng-Chiang. Leela está em Gallifrey, Londres cresceu, mas as coisas estranhas que acontecem na cidade parecem nunca deixar de existir.

O clima de suspense + terror Vitoriano é bem capturado por John Dorney. Seu roteiro prepara bem dois territórios com problemas aparentemente desconexos — o de Romana e o Doutor verus o de Jago e Litefoot — e aproveita esses enfrentamentos iniciais separados no “choque do encontro”, algo até emocionante de se ver. Assim como a despedida. O desenvolvimento para o vilão é bom, mas parece conveniente demais em alguns momentos, além de uma linha dramática relacionada ao “vigilante”, que parece solta quando olhamos para quem estava por trás de tudo. Além disso, a ajuda feita pelo Pugilista a Mary, a garota explorada por um chefe do crime, não tem muito sentido, mesmo depois de explicada.

Há uma ótima contextualização para este cenário no início do episódio e isso quase não se perde com o passar dos minutos. Claro que os problemas citados anteriormente atrapalham a recepção geral da obra, mas não fazem com que ela seja ruim. Sabendo do que aconteceria depois para a dupla vitoriana, as palavras da despedida se tornam ainda mais interessantes. Oh, sim, eles voltariam a encontrar o Doutor…

The Justice of Jalxar (Reino Unido, 11 de março de 2013)
Direção: Ken Bentley
Roteiro: John Dorney
Elenco: Tom Baker, Mary Tamm, Trevor Baxter, Christopher Benjamin, Mark Goldthorp, Rosanna Miles, Ben Bishop, Adrian Lukis
Duração: 65 min.

Insider Dealing faz parte do livro Short Trips: How the Doctor Changed My Life. Nele, lemos a história de um garoto, que está no porão de sua casa demolida. Ao redor da casa, uma cidade jaz em ruínas, e o 4º Doutor vai até o porão para falar com o garoto. Ele percebe que os Vawm haviam plantado uma semente no menino. Os Vawm são uma raça que dominam planetas liberando suas sementes e dominando pessoas, que descobrem um poder inerente de utilizar as foras destruidoras da natureza. Isso foi o que aconteceu com Jonathan. Falar com o Doutor fez Jonathan perceber que a destruição e as mortes ao seu redor eram obras suas, mas ele não podia voltar a ser ele mesmo outra vez. Percebendo isso, o Doutor ajudou o garoto a se tornar parte das árvores e se disfarçar na natureza ao redor. [Dann Chinn. 4/5]

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Phantoms of the Deep

2X05

estrelas 4

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Equipe: 4º Doutor, Romana, K9 II
Espaço: Fossa das Marianas
Tempo: 2040

O Doutor, Romana e K9 II se materializam na Fossa das Marianas, em 2040, e espantam completamente a pequena equipe de pesquisadores que estão a bordo do veículo de exploração marítima Erebus. Muita coisa há para ser dita e explicada, mas o espanto de ter encontrando uma caixa azul de madeira em um dos lugares mais profundos e inóspitos do planeta acabou servindo de freio. O Doutor se apresenta como pode e se enturma com a equipe do submarino. Não demora muito para que K9 diga estar recebendo sinais de alguns polvos e que eles estão prenunciando algo muito ruim. O pedido é que saiam dali imediatamente, ou todos serão mortos.

Essa aventura, escrita por Jonathan Morris, é uma das coisas mais diferentes que podemos encontrar como completamento da 16ª Temporada da Série Clássica. Se pararmos para olhar o tom da história, a tecnologia envolvida e os problemas que o Doutor lida, parece mais uma trama da Nova Série, com o 12º Doutor (mesclado com The Time Warrior) do que com o 4º Doutor. Isso, claro, não é uma crítica negativa. Essa “inadequação” do cenário é interessante, tão claustrofóbica quanto Cold War e tão interessante que nos prende do começo ao fim. O fato de a história se bifurcar em ações e objetivos diferentes dão a oportunidade de cada personagem se mostrar, principalmente K9, aqui novamente interpretado por John Leeson, que tem uma das mais longas e interessantes participações reais em uma aventura da série.

É sempre difícil manter a sensação de perigo constante e bom uso da atmosfera do medo sem cairo no clichê, especialmente em uma aventuras com poucos personagens e em um menor espaço de mobilidade, como eu já havia dito em outro drama com o 4º Doutor que tem essa mesma atmosfera, Night of the Stormcrow. Aqui, o vilão só perde um pouco a graça na reta final da obra, talvez por ter tido suas cartas e possibilidades apresentas antes e nada de muito interessante restar para a história. Mesmo assim, suas ações e o final desta saga em um dos lugares mais misteriosos da Terra certamente vão ser apreciadas pela maioria dos espectadores.

Phantoms of the Deep (Reino Unido, 8 de maio de 2013)
Direção: Ken Bentley
Roteiro: Jonathan Morris
Elenco: Tom Baker, Mary Tamm, John Leeson, Alice Krige, John Albasiny, Charlie Norfolk, Gwilym Lee
Duração: 63 min.

Doing Time faz parte do livro Short Trips: Steel Skies. Três criminosos atraem um Senhor do Tempo para uma colônia isolada, entram na TARDIS, roubam o impulsor do Time Rotor, e dirigem-se ao portão Nove Zero Zero Um. Ali, Shepherd se separa do grupo e encontra o 4º Doutor e Romana, que sabem o que ele está fazendo e o adverte que se ele não retornar o Time Rotor ao seu dono, ele iria acabar “criando tempo”. Shepherd não admite que havia roubado algo e o Doutor, consternado, o deixa partir. Shepherd e seus amigos vendem o impulsor para seu contato entre os Sontaran, e pegam o dinheiro, indo cada um para um lado. Mas no dia seguinte, percebem que estão de volta à colônia, roubando o impulsor mais uma vez. Shepherd começar a ter uma sensação de déjà vu à medida que vive o mesmo evento de novo e de novo. Quando ele percebe do que se trata, já é tarde demais; ele e seus amigos estão presos em um loop com um espaço de tempo cada vez menor, e logo o tempo passa em segundos, então em menos tempo ainda — um infinitésimo de tempo que os ladrões irão repetir para sempre. [Lance Parkin. 4/5]

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The Dalek Contract / The Final Phase

2X06 e 07

estrelas 3,5

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Equipe: 4º Doutor, Romana, K9 II
Espaço: Estação Espacial Fortune II, Planeta Proxima Major, Sistema Proxima
Tempo: Indeterminado

E Cuthbert, o CEO-orgulhoso lá de The Sands of Life dá as caras aqui, agora em outro cenário, com outro objetivo e abrindo uma possibilidade paradoxal que certamente o trará de volta à série, no futuro. A pergunta sobre como ele foi parar na Estação Espacial Fortune II, vindo de outro tempo, e como ele conseguiu avançar nesse tipo de projeto talvez tenha um princípio mais complicado do que parece, algo que o próprio Doutor sugere para resposta futura.

Em mais uma aventura com os Daleks em cena, é claro que enfrentamos os clichês básicos desse vilão, ou melhor, os clichês que tão bem conhecemos desse vilão quando é escrito por Nicholas Briggs. Mas não digo isso porque o roteiro é ruim. Existem boas ideias sendo executadas e praticamente todo o lado humano e de relações do Doutor com Romana e os que estavam tentando se proteger dos Daleks e do frio (em um planeta outrora tropical) está bem escrito. O impasse está na inserção dos Daleks por muito tempo bancando os “seguranças” de Cuthbert e a demora deles em agirem, adotando, quando resolvem fazer alguma coisa, uma postura desesperada que não condiz com o que estavam demonstrando anteriormente.

A linha de humor mista de seriedade com a qual o Doutor enxerga o mundo ajuda a criar uma melhor ligação do espectador com o que está ouvindo, e acreditar, de fato, no drama dos nativos e o que enfrentam ao lado do Senho do Tempo para impedir que — mais uma — grande anomalia aconteça. Tudo bem que este não é um princípio novo em DW, mas é muito interpretado e tem bons momentos emotivos. Se não fosse a forma como a linha dos Daleks é colocada no jogo — inteligente — de Cuthbert, talvez a ameaça tivesse ainda mais força e o finale desse temporada tivesse uma cara de fato épica.

The Dalek Contract (Reino Unido, 11 de junho e 15 de julho de 2013)
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: Nicholas Briggs
Elenco: Tom Baker, Mary Tamm, John Leeson, David Warner, Toby Hadoke, Dominic Mafham, Nicholas Briggs, Jane Slavin, John Dorney

I Was A Monster!!! faz parte do livro Short Trips: Zodiac e representa o signo de capricórnio. Um jovem na casa dos 20 anos, que trabalhava em um escritório, sai para beber com os amigos e volta para casa bêbado, encontrando no caminho uma sedutora vampira ruiva. Ela estava se alimentando e se assusta com o som e alguém se aproximando. Aos acordar no dia seguinte, o jovem percebe que desenvolveu sede por sangue. Ele tenta resistir por um tempo, dormindo durante o dia e indo para o clube à noite, usando bebidas e drogas para esconder a fome — mas ela cresce e cresce, até que alguém o insulta e ele mata o homem e bebe seu sangue. Mais mortes se seguem, e mesmo que ele não aparecesse no espelho, ainda podia ser visto pelas câmeras de segurança da cidade. A mídia o chamou de “O Assassino de Capricórnio”, devido ao seu cavanhaque. Notando sua fama, ele resolve matar uma estrela de uma novela em um clube, mas não conseguiu. Ele queria deixar sua “marca” no mundo. Então visitou outro clube, procurando matar mais. Todavia, encontrou uma mulher chamada Romana, que não se comporta como as outras. Confuso, o jovem a segue por um corredor onde um homem de casaco vermelho e cachecol lhe crava uma estaca. O jovem morre sem saber se sua vida era mesmo real. [Joseph Lidster. 3/5]

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The Warren Legacy

Short Trips: Bônus

estrelas 4

Equipe: 4º Doutor, Romana
Espaço: Colônia Terráquea / Jaffa, Palestina, durante a 3ª Cruzada / Inglaterra
Tempo: 1593 / Século XII / Século XVIII

Há uma semelhança enorme dessa história com a Winter Series do 12º Doutor e Clara, no sentido de termos o Doutor “preso” a uma sequência de eventos que ele não tem controle porque da primeira vez que tem contato com “a coisa em si”, quase tudo já está em andamento. A diferença é que o 4º Doutor e Romana levam isso bem mais na esportiva e as ações, talvez por estarem em uma Short Trip e não em uma série com longos episódios, acontecem de forma mais breve, embora seja admirável que o roteiro de Julian Richards logre organizar tantos tempos e lugares em uma história tão curta. Assim como na referida série da Família Winter, a Família Warren recebe constantes visitas do Doutor e sua companion, todas elas em momentos de vida e morte. O ponto fraco da história é o encerramento com o vilão. Isso é engraçado, porque ele é bem colocado no início e aparece de forma bastante aceitável no desenvolvimento, mas o final, no melhor estilo Deus ex machina, não foi exatamente um dos melhores.

The Warren Legacy (Reino Unido, setembro de 2015)
Direção: Não Informado
Roteiro: Julian Richards
Elenco: Stephen Critchlow
Duração: 35 min.

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The Doctor’s First XI

Short Trips: Bônus

estrelas 4

Equipe: 4º Doutor, Romana
Espaço: Indeterminado
Tempo: Indeterminado

Uma história que tem um real impacto sobre o leitor, especialmente em se tratando desta era do 4º Doutor. Particularmente, não esperava que fosse encontrar aqui algo que sinalizasse uma estadia de séculos do Doutor e Romana em um único lugar, prisioneiros de um povo que eles ajudaram. Esse planeta devastado após um ataque teve um povo traumatizado, com medo do céu e do que poderia acontecer. O Doutor, recusando-se a levar todos embora — por medo das consequências –, é feito prisioneiro pelo líder e separado de Romana. Cada um fica em um lugar da cidade, cuidado dos enfermos e sobrevivendo, encontrando-se apenas uma vez ao ano, quando todos se reúnem para um jogo de críquete que o Doutor “inventou” para divertir a todos. Essa prisão de gerações (séculos!) dos dois é algo comovente e torna a colônia de medrosos, que passa de geração para geração a ordem de que o Doutro e Romana devem permanecer entre eles, é algo que impacta o espectador. Uma pena que a história não traga melhor demarcação do tempo, mas trata-se de um inteligente conto de liderança e medo que tem um final comovente e interessante.

The Doctor’s First XI (Reino Unido, 22 de dezembro de 2014)
Direção: Não Informado
Roteiro: Ian Atkins
Elenco: Stephen Critchlow
Duração: 35 min.

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Babblesphere

Destiny of the Doctor 4

estrelas 4,5

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Equipe: 4º Doutor, Romana II
Espaço: Planeta Hephastos
Tempo: Indeterminado

Imaginem uma colônia terráquea que conseguiu um tipo de excelência artística, louvável sob qualquer aspecto, que hoje possamos pensar. Uma sociedade que resolveu rápido seus problemas básicos e pode, desde muito cedo em suas origens, investir em todos os tipos de produção cultural, incentivando gerações a participarem de um grande projeto de engrandecimento daquela sociedade através da arte. Até aí, sem problema, correto? Agora imagine que esta mesma sociedade adicionou formas muitíssimo avançadas de tecnologia nesse processo e foi criado um banco de dados + rede geral que ligava todos os artistas e cidadão daquele lugar. Tudo o que alguém produzia passava, imediatamente, a ser de conhecimento de todos. Inclusive os seus pensamentos. Tenebroso, não é mesmo?

Pois este é o tema central dessa maravilhosa aventura do 4º Doutor ao lado de Romana II no Planeta Hephastos. Jonathan Morris realiza uma crítica ácida e bastante pertinente às redes sociais utilizadas sem moderação, como uma espécie de extensão das pessoas, que aos poucos, perdem sua liberdade, pois tudo o que fazem precisa ser atualizado para que todos vejam o que ela pensou. Este é exatamente o cenário de Babblesphere, a grande rede que liga não apenas a produção cultural, mas todo e qualquer pensamento ou desejo que ocorre em Hephastos. Não há privacidade. Não há silêncio também. Todos vivem em uma sufocante cacofonia de atualização, sete dias por semana, 24 horas por dia.

A maior parte da ação se dá em um jogo de descoberta, experimentação e urgência de liberdade por parte do Doutor e Romana. Bastante cioso das liberdades individuais, o Senhor do Tempo fará de tudo para que essa rede seja desmantelada e as pessoas possam não apenas pensar (negativa ou positivamente) sobre tudo, mas também fecharem-se para qualquer pensamento quando desejarem apenas uma coisa: descansar. Uma história que no final traz boas cenas de humor e a mensagem “secreta” do 11º Doutor, como migalhas dessa jornada que só será completada em uma linha do tempo bem mais à frente.

Babblesphere (Reino Unido, 1º de abril de 2013)
Direção: John Ainsworth
Roteiro: Jonathan Morris
Elenco: Lalla Ward, Roger Parrott
Duração: 65 min.

Child of Darkness faz parte do livro Perfect Timing. O 4º Doutor e Romana seguem uma anomalia temporal até um Conselho de Estado no início do século 21, onde uma soldado do futuro está tentando matar um garoto chamado Alex Malokian. O Doutor, lembrando que aquele planeta irá cair sob a ditadura de alguém chamado Malokian, conclui que os Time Lords mandaram Paolucci para mudar a História, mas ao confrontá-la, não é bem isso que o Doutor descobre. Paolucci escapa da vigilância de Romana e vai procurar Alex novamente — Romana consegue impedi-la, mas o garoto, assustado, corre pela rua e é atropelado por um carro. Como resultado da morte de seu irmão, a pequena Lisa cresce e se torna uma ditadora. Uma forma do tempo reafirmar seus caprichos.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.