Crítica | As Aventuras Oficiais de Batman & Robin (audiodrama – 1966)

Apesar de Batman e Robin terem sido figurinhas fáceis no programa radiofônico do Superman a partir de 1945, a Dupla Dinâmica, por mais incrível que possa parecer, considerando seu sucesso desde sua criação, jamais teve seu próprio programa nessa mídia. Foi somente em 1989 que a BBC, então já responsável pelas incríveis dramatizações radiofônicas da Trilogia Original de Star Wars, produziu e lançou o primeiro material do Batman pelas ondas do rádio, The Lazarus Syndrome, de apenas 45 minutos. A segunda e, até onde sei, a última, saiu em 1994 e foi a mais ambiciosa, pois adaptou A Queda do Morcego.

Mas audiodramas do personagem começaram a surgir de forma diferente ainda na década de 60, mais precisamente 1966, com o sucesso da série cômica kitsch Batman e Robin. O primeiríssimo foi intitulado The Official Adventures Of Batman & Robin (em tradução direta, As Aventuras Oficiais de Batman & Robin) e lançado em vinil pela MGM sob seu selo Leo the Lion, voltado para o público infantil. Contendo três histórias, o LP foi um sucesso que foi seguido de uma continuação e, depois, por outra gravadora, novas versões foram feitas.

O objeto da presente crítica, porém, é o primeiro vinil, que contém as seguintes histórias: The Legend of Batman and Robin (A Lenda de Batman e Robin), The Penguin’s Plunder (A Pilhagem do Pinguim) e The Joker’s Revenge (A Vingança do Coringa). Elas foram retiradas de HQs da época, com algumas variações aqui e ali e com um elenco vocal exclusivo para a produção.

Apesar de terem sido lançadas para aproveitar a série de TV, a pegada das histórias é surpreendentemente séria e adulta, o que, porém, não deve ser considerado como sinônimo de história sombria ou pesada. A primeira delas, The Legend of Batman and Robin, reconta, em 16 minutos, a origem de Batman primeiro e, depois, como ele conheceu Dick Grayson, formando a Dupla Dinâmica, em uma versão econômica, mas muito completa da famosa história na primeira vez em que ela foi contada fora dos quadrinhos. O trabalho de sonoplastia, lidando com o assassinato de Thomas e Martha Wayne, a inspiração para o uniforme de morcego e, depois, a família Grayson no trapézio são críveis e remontam aos melhores trabalhos radiofônicos das décadas anteriores. Claro, não há a sofisticação de uma produção da BBC – e nem é o objetivo – mas cumpre seu papel, especialmente pelo roteiro ágil que conta até mesmo com uma clássica “montagem de treinamento” de Robin. De estranho mesmo é só a voz de Bruce Wayne quando criança, bem mais adulta do que esperamos, o que nos retira um pouco da imersão.

A segunda história, confesso, me fez rir alto pela bobagem completa que é. Em The Penguim’s Plunder, o Pinguim, depois de sair da prisão, abre uma fábrica de guarda-chuvas e pede que Batman endosse seus produtos. Diante da negativa, ele engana o Cruzado Encapuzado e obtém o endosso, conseguindo um contrato para fornecer guarda-sóis para um resort milionário em uma ilha, tudo, claro, um plano diabólico para roubar o local depois de os guarda-sóis girarem para criar uma tempestade de areia. O que torna a história particularmente engraçada é que, apesar de ser tipicamente uma narrativa daquelas absurdas da Era de Ouro dos quadrinhos, o enfoque mais “sério” da narração de Jackson Beck e dos trabalhos de voz do elenco emprestam uma assincronia cômica, com se fosse um complô para fazer os ouvintes levarem a sério a trama rocambolesca. E, com isso, o resultado, garanto, trará um sorriso para o rosto daqueles que souberem entrar no espírito.

Finalmente, The Joker’s Revenge lida com o Coringa em rota de colisão com o Juiz Parker, resposável por seu último encarceramento, em um plano que envolve o Palhaço do Crime disfarçar-se de Comissário Gordon para enganar todo o aparato de proteção do Juiz, incluindo a Dupla Dinâmica. Com elementos tirados diretamente de Batman #1, de 1940, que conta com a primeira aparição do Coringa, assim como o inusitado cinto de utilidade do vilão que é abordado em Batman #73, de 1952, a história tem um viés bem mais sério que a anterior com o Pinguim, graças a um Coringa bem distante da versão que vemos na clássica série de TV sessentista.

Tendo o público infantil como alvo primário e contando histórias leves da Dupla Dinâmica, o LP As Aventuras Oficiais de Batman & Robin divertirá também os adultos. É uma proposta simples, mas muito bem executada pela MGM, que trouxe o Batman pela primeira vez para o áudio solo para navegar na fama de sua série clássica.

As Aventuras Oficiais de Batman & Robin (The Official Adventures of Batman & Robin, EUA – 1966)
Produção e direção: Herb Galewitz
Roteiro: Ronald Liss
Elenco (vozes): Jackson Beck, Jack Curtis, Ron Liss, George Petrie, Dan Ocko, Ian Martin, Barbara Louis
Duração: 40 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.