Crítica | As Tartarugas Ninja III

estrelas 0,5

O desgaste apresentado no segundo filme da trilogia de As Tartarugas Ninja ajudou a diminuir o hype e os investimentos em uma futura continuação. Dessa maneira, aos trancos e barrancos, dois anos depois, estreou nos cinemas As Tartarugas Ninja III, sem recursos, sem expectativas e trazendo, pela primeira vez, vilões desconhecidos pelo público.

A trama, com o pior roteiro já visto em toda a franquia até agora, narra a a viagem no tempo vivida por April e as tartarugas ao Japão Feudal. Recheado de clichês e abusando de fórmulas constantemente vistas em filmes do gênero, o longa dirigido por Stuart Gillard não consegue, ao menos, arrancar uma risadinha das crianças. Digo isso porque assisti ao filme quando criança, revi para escrever este texto e lembro de ter a mesma reação de “prefiro o primeiro” ou “essas são as mesmas tartarugas?”.

A identidade visual das tartarugas é um agravante para o fracasso desta segunda continuação. Ao trocar a empresa responsável pelas técnicas de robótica, As Tartarugas Ninja III teve que contar com animatrônicos de qualidade muito inferior em relação aos antecessores. O público ganha de presente, então, tartarugas muito mais estranhas e artificiais com expressões pouco convincentes.

O Japão Feudal é construído da maneira mais preguiçosa possível. Permeado por uma figuração e cenografia que apenas servem para reforçar aquilo que comumente se associa à imagem do oriente antigo, o Japão estampado na película é ainda habitado por um elenco fluente em inglês. Donatello sabiamente justifica o fato se amparando no começo das negociações comerciais mantidas entre Japão e Inglaterra. Desse modo, nada seria mais coerente do que um elenco anglo-japonês falando o mais puro inglês nova-iorquino.

Apesar de ser mal sucedido em completude, nota-se uma preocupação da parte dos produtores em atender à demanda de queixas feitas pelos fãs ao verem os rumos que foram tomados ao longo da sequência. O terceiro filme tenta, ainda que de maneira bem tímida, resgatar marcas do longa de 1990 que se perderam em O Segredo de Ooze.

Assim feito, temos de volta a utilização de armas em cenas de luta e o resgate de Elias Koteas que, dessa vez, interpreta Cassey Jones na Nova Iorque de 1993 e o prisioneiro Whit no Japão Feudal.

Assistir ao filme é um exercício de busca por algo que possa salvá-lo do completo fiasco. Infelizmente, dessa vez, não consegui encontrar nada de bom e não foi por falta de tentativas. O vilão é irrelevante, as lutas são mal construídas, as piadas sem graça e até mesmo as dancinhas são tão mal coreografadas que nos fazem até achar que  Vanilla Ice do segundo filme não foi uma ideia tão má assim.

As Tartarugas Ninja III (Teenage Mutant Ninja Turtles III, EUA – 1993)
Direção: Stuart Gillard.
Roteiro: Stuart Gillard.
Elenco: Elias Koteas, Paige Turco, Stuart Wilson, Sab Shimono, Vivian Wu, Mark Caso, Matt Hill, Jim Raposa,  David Fraser,  James Murray.
Duração: 96 min.

FILIPE MONTEIRO . . . O exército vermelho no War, os indianos em Age of Empires, Lannister de Rochedo Casterly. Entrou em órbita terrestre antes que a Estrela da Morte fosse destruída, passou pela Alameda dos Anjos, pernoitou em Azkaban, ajudou a combater o crime em Gotham e andam dizendo por aí que construiu Woodburry. Em uma realidade alternativa, é graduando em Jornalismo, estuda Narrativas e Cultura Popular, gosta de cerveja e tempera coentro com comida.