Crítica | Asa Noturna: Renascimento

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estrelas 4

Desde sua criação no ano de 1940, o Robin é um dos personagens mais queridos dos leitores de quadrinhos de todo o mundo. O mais querido de todos os Robins, com certeza é o primeiro dono do manto do “menino prodígio”. Dick Grayson foi e sempre será o primeiro Robin, e além disso, Grayson é um dos personagens mais queridos dos fãs da editora DC Comics.

Com a sua nova linha de publicação, a DC decidiu por tornar a HQ do Asa Noturna (alter-ego de Dick) uma edição quinzenal. Essa é uma atitude temerosa, produzir quadrinhos é algo que exige muito tempo e trabalho, tanto dos roteiristas como de todo o grupo de arte. Se um quadrinho tem a missão de ser quinzenal, toda a equipe de arte e história devem ser munidas com pessoas e equipamentos necessários para o bom andamento do título.

A missão de Asa Noturna se tornou ainda maior, pois o antigo titulo do personagem, chamado Grayson, era um queridinho dos fãs. A trama se passava em uma fase que Dick não usava o uniforme, ele era um agente secreto de uma agencia chamada Spyral. Tudo ia bem até que o ex-Robin descobriu que existia uma conspiração para descobrir a identidade secreta de todos os heróis dentro da Spyral.

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Coisas aconteceram, a editora achou que já estava na hora de recolocar o uniforme no herói. A nova fase tem o roteiro de Tim Seeley e a arte de Yanick Paquette. A HQ começa com Dick levando o atual Robin e filho de Bruce, Damian Wayne, para dar uma volta. Uma das maiores características do personagem sempre foi seu carisma, e com certeza Seeley conseguiu colocar isso de maneira sutil no quadrinho. Não vemos algo forçado, que perde a graça, vemos algo leve e sutil que nos leva a rir junto com os personagens. A arte não fica de fora, Yanick e Nathan Fairbairn nos entregam traços e cores também muito sutis e leves.

A história da HQ é quase que uma homenagem a toda a fase de ‘Agente 37’ do personagem. Vemos arcos sendo fechados e explicações sendo feitas. Temos que lembrar e o Rebirth é uma ação feita para atrair novos leitores, o roteiro tem que, antes de começar a história, se preocupar em pautar o novo público dos assuntos relevantes do passado. O quadrinho faz muito bem isso, durante uma conversa que Dick tem com o pequeno Wayne, tudo o que tem que ser colocado para a história seguir em frente é esclarecido nessa parte da HQ.

Com o passado já deixado as claras, Tim Seeley consegue pautar um caminho para o futuro. O roteirista já nos deu pistas do que irá acontecer no arco de Grayson, no meio do quadrinho vemos a corte da coruja tramando no subterrâneo de Gotham. Temos ainda uma parada para o “fanservice“, quando o primeiro Robin pensa que Batman irá ficar bravo com alguma atitudes tomadas pelo menino. Porém, ao invés disso, vemos um ensaio de sorriso no morcego de Gotham (que é algo raro) e a HQ fecha com um ótimo reencontro de dois amigos.

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No final, uma missão que parecia ser muito difícil foi levada com leveza. Ter uma HQ quinzenal é um desafio, porém Tim, Yanick e Nathan acharam um trunfo que pode transformar essa tarefa. Dick sempre foi amado pelos fãs pois, mesmo convivendo com um local de crime e dor, ele nunca se deixou levar por isso. O menino não deixou de ser quem é para se tornar um herói, e é exatamente isso que Dick diz a Bruce no final do quadrinho:

Eu já fui muitas coisa Bruce. Já fui Grayson Voador, Robin, Asa Noturna, Batman e Agente 37. Todos eles tinham uma coisa em comum, todos sempre foram Dick Grayson.

Qualquer um que na infância leu quadrinhos ou assistiu animações, cresceu junto com esse personagem, ele é um amigo de muitos! E lendo essa edição de Asa Noturna descobri que Dick pode ser qualquer um, morcego ou de agente. O que Dick não pode deixar de ser é Dick Grayson.

Asa Noturna: Renascimento (Nightwing: Rebirth) — EUA, 2016
Roteiro: Tim Seeley
Arte: Yanick Paquette
Cores: Nathan Fairbairn
Letras: Carlos Mangual
Editora original: DC Comics
Datas original de publicação: 13 de julho de 2016
Páginas: 26

PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".