Crítica | Assassino a Preço Fixo (1972)

estrelas 2,5

Assassino a Preço Fixo é um daqueles típicos filmes que começa de forma extremamente instigante, mas que, com o desenrolar da história, acaba desandando completamente. Afinal, não é sempre que vemos um longra-metragem de ação, cujos primeiros dezesseis minutos não contam com qualquer diálogo e, de fato, nenhuma “ação” propriamente dita. O que vemos é Arthur Bishop (Charles Bronson) preparando algo que não sabemos exatamente o que. Pelo título em português, naturalmente, já sabemos que ele é um assassino, mas o original, The Mechanic, esconde essa informação e aprendemos conforme avançamos na projeção.

A trama gira em torno desse personagem, um homem consideravelmente calmo que recebe contratos de assassinatos de uma organização. Logo na primeira cena da obra já somos cativados pela forma como o protagonista, meticulosamente, cuida do cenário no qual vai atuar. Nada é deixado para a sorte e Bronson não só nos traz o típico retrato do forte e silencioso e sim o de uma pessoa inteligente e cuidadosa, que escuta mais do que fala e observa mais do que age. Quando a ação se desenvolve, portanto, nada foge de seu controle – isto é, até aceitar como protegido o jovem Steve McKenna (Jan-Michael Vincent), filho de um antigo amigo.

O que assistimos na perfeitamente conduzida sequência inicial, porém, não chega a ser repetido no restante da projeção. A ousadia desse silêncio é substituída por um foco em longas cenas de ação sem qualquer tempero que consiga atrair a nossa atenção – Assassino a Preço Fixo cai para o patamar de filme de ação comum, mas esse não é o maior de seus defeitos. O grande problema da obra está na ausência de um foco maior na relação entre Arthur e Steve, o que contribuiria consideravelmente para os plot-twists e, consequentemente, para o clímax e desfecho do longa.

Bronson demonstra uma simpatia verdadeira pelo jovem, mas, não fosse esse mérito do ator, o que teríamos é um relacionamento completamente raso, que dificilmente consegue soar verdadeiro, ao passo que o roteiro prefere se preocupar com outras questões. Um exemplo bastante claro disso é uma sequência de perseguição com motos, cuja duração é tão grande que chega a ser risível – trata-se apenas de uma repetição, que de nada acrescenta. Isso também se reflete no clímax, que dá mais atenção aos antagonistas que à interação entre o protagonista e seu aprendiz, prejudicando o impacto das cenas finais. O ápice é a reviravolta final, que não nos dá sequer tempo de desfrutá-la antes que os créditos comecem a rolar na tela.

Com isso em mente, não há como negar que Charles Bronson é o único de fato a se destacar dentre os atores. Mesmo Jan-Michael Vincent, que conta com um importante papel, não tem tempo o suficiente para respirar na tela – tornando sua traição completamente artificial, ao passo que apenas sabemos mais de seu personagem através das anotações feitas por Bishop. Uma verdadeira pena, já que a premissa estabelecida pelo longa-metragem poderia render muito mais que apenas algumas cenas de ação soltas, sem qualquer envolvimento dramático do espectador.

Assassino a Preço Fixo, que recentemente ganhara um remake estrelado por Jason Statham, demonstra, portanto, muito potencial em sua sequência inicial, mas não consegue chegar nem perto dela no restante da projeção. Trata-se de um filme com uma boa premissa, mas que é pessimamente executado, como se os realizadores temessem que a obra não teria qualquer audiência se seguisse por um caminho mais cerebral. Felizmente podemos assistir seus primeiros dezesseis minutos sem precisar ver o restante da obra, visto que ela diverte, mas não acrescenta absolutamente nada de novo.

Assassino a Preço Fixo (The Mechanic) – EUA, 1972
Direção:
 Michael Winner
Roteiro: Lewis John Carlino
Elenco: Charles Bronson, Jan-Michael Vincent, Keenan Wynn, Jill Ireland, Frank DeKova, James Davidson
Duração: 100 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.