Crítica | Assassin’s Creed Syndicate

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estrelas 3,5

Assassin’s Creed Syndicate tinha a difícil missão de redimir uma franquia consagrada, mas que caíra no sentimento do duvidoso, após a má repercussão que o, ainda sim bom, Assassin’s Creed Unity causara. Para começar a redenção, os desenvolvedores optaram por avançar ainda mais no tempo, no caso para a Londres de 1868, no auge da Era Vitoriana, época assim denominada pelo reinado da Rainha Vitória.

Talvez a maior virtude da franquia de assassinos, a ambientação histórica é, mais uma vez, de tirar o fôlego. Toda a Londres do século XIX é reconstruída de maneira verossímil, tornando o jogador parte viva de um ambiente ainda não mostrado antes nos jogos da série. As chaminés cortando o céu e o deixando esfumaçado, o Rio Tâmisa enlameado em meio á chuva, os moradores de rua pedindo esmola e as crianças sendo obrigado á trabalhar, ou nas ruas, ou em fábricas. Todos esses aspectos tornam o jogo uma construção visual imensurável. O jogo, no entanto, poderia ser mais ousado em explorar a prostituição e a cultura do ópio, características deixadas de lado em uma tentativa de suavizar o aspecto degradante da cidade de Londres Vitoriana.

Infelizmente, o enredo não se alia á construção de época apresentada. Os vilãos não têm o poder necessário para carregar o fardo que os Borgias e Haytham Kenway já carregaram e, apesar de que Crawford Starrick seja um retrato maior dos males que assolavam a capital inglesa, não há nada além de uma disputa de poderes entre ele e os protagonistas, sem algum envolvimento emocional estabelecido durante todo o curso do jogo.

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A parte situada no presente, sempre a mais fraca dos jogos, mas que se mantinha interessante até o Assassin’s Creed III, é mais uma vez intragável. A Ubisoft novamente tenta investir em uma proposta fraca, que o público não está interessado e que várias vezes atrasam o andamento do jogo. Surpreender-me-ia mais se a empresa abrisse mão dessa história de Abstergo, ou investisse de forma mais interessante.

Por outro lado, Jacob Frye e Evie Frye (na primeira vez que há mais de um protagonista em um jogo da franquia) possuem o renomado carisma que os protagonistas da franquia carregam, com exceção talvez de Arno Dorian. Ambos são interessantes e possuem personalidades opostas, que diferem das missões que cada personagem tem de fazer, com Jacob focado na construção de uma gangue, os Rooks, e sua imposição sobre os Blighters, e Evie em busca de continuar a busca de seu pai pela Peça do Éden, que está nas mãos dos Templários.

Além de diferir das missões de cada, as árvores de habilidades também são diferentes, e o jogador pode optar por investir primordialmente em aspectos opostos para cada personagem. Enquanto o jogador pode focar Jacob nas habilidades de combate, ele também pode focar Evie nas habilidades furtivas, e durante o jogo, utilizar os personagens nas missões secundárias que eles se adequarem mais.

As missões secundárias, no caso, possuem três divisões. As mais comuns, e mais importantes, são relacionados com a conquista de distrito e com a Guerra de Gangues, proposta por Jacob. Além disso, temos as atividades diversas, como Invasões, Escoltas de Carga, Clube de Luta, Corrida de Carruagens e os famigerados coletáveis, que vão desde ilustrações á flores prensadas. Essas missões, principalmente as relacionadas á conquista de território podem ser repetitivas e cansar ao longo do tempo, mas acabam por ser obrigatórias para conclusão da história.

Por fim, as memórias são o ponto alto das missões secundárias abordando diversos personagens icônicos da história mundial e seus respectivos afazeres mundanos. Desde Charles Dickens, reflexo da vida precária de várias crianças na Era Vitoriana, além de outras célebres obras literárias, até o renomado autor de A Origem das Espécies, Charles Darwin, passando pelo polêmico filósofo e sociólogo Karl Marx, o jogo é um prato cheio para os apreciadores e, ou, críticos dos personagens retratados nos livros de história. Não se pode deixar de citar a excelente incursão disponibilizada durante o jogo para a Primeira Guerra Mundial, que se iguala á magnitude das incursões de Unity. A presença do político Winston Churchill e uma visita a Ponte da Torre, ponto turístico que só fora construído décadas após os eventos do jogo apenas contribuem a experiência.

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A jogabilidade pode ser considerada redundante ao jogo anterior, que já tinha feito um grande avanço no sistema de escalada e descida. Sendo assim, algumas melhorias no sistema de parkour e de combate tornam o jogo apenas mais um Assassin’s Creed, não trazendo nenhuma revolução. De novidades “grandiosas”, agora temos a possibilidade de dirigir carruagens e utilizar o gancho, ideia adaptada dos jogos da série Arkham, da Rocksteady, que deixam a jogabilidade mais dinâmica, permitindo uma maior apreciação do design de mundo criado.

Os gráficos do jogo estão bonitos, como de costume na franquia, podendo ser considerado um pequeno espetáculo visual temporal. Infelizmente, durante a jogatina no Playstation 4, tive de reiniciar o jogo dezenas de vezes, mas conforme pesquisa aprofundada, parece ter sido um problema especial e não a regra. De bugs, uma quantidade ínfima comparada ao Unity e se tratando de um jogo de mundo aberto. De problemas técnicos, a usual confusão entre os sistemas furtivos e de combate, ainda mais em momentos como os de uso de bombas de fumaça. O sistema de sequestro, outra nova adição do jogo á franquia, também sofre de várias dificuldades de funcionalidade.

Assassin’s Creed Syndicate é certamente melhor que o Unity, mas só isso não bastava. A Ubisoft tinha a obrigação de entregar uma nova experiência, mas acaba fracassando, mesmo tomando algumas decisões difíceis, mas interessantes, como a remoção do modo multiplayer, que se fazia presente desde Assassin’s Creed Brotherhood. Enquanto Unity foi à primeira bola fora de uma sequência de jogos anuais, que mesmo com a fórmula repetida (com exceção de Assassin’s Creed IV: Black Flag) mantinham uma qualidade e um posto nos melhores jogos do ano, Syndicate foi um chute na trave, quase se igualando a qualidade dos outros games da série, mas não conseguindo restabelecer a franquia no gosto do público. A Ubisoft entendeu o recado, vide que 2016 não tivemos um novo game da série. Agora é esperar para que vejamos a Ordem dos Assassinos se reestruturar novamente.

Assassin’s Creed: Syndicate
Desenvolvedora: Ubisoft
Lançamento: 23 de Outubro de 2015
Gênero: Ação
Disponível para: PS4, Xbox One, PC

GABRIEL CARVALHO . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidades, movido por uma pequena loucura chamada amor. Já paguei as minhas contas e entre guerra de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia. Eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar, não é mesmo?