Crítica | “At The Beeb” e “Live at the Bowl” – Queen

At the Beeb

estrelas 3,5

Este álbum é um dos “ao vivo-embrião” do Queen. Lançado em 1989, mas concebido no início dos anos 1970, o disco mostra algumas das 6 sessões de rádio e regravação em estúdio que o Queen fez para a BBC entre fevereiro de 1973 e outubro de 1977. Infelizmente At the Beeb (também conhecido como Queen at the BBC) não contém todas as sessões e nem as melhores canções, mas mesmo assim nos traz oito músicas do primeiro catálogo do quarteto, algumas muito boas, como a versão mais sutil de My Fairy King e outras bastante estranhas, como a fraca versão de Son and Daughter.

A primeira sessão aconteceu no Langham 1 Studio, em Londres, no dia 5 de fevereiro de 1973. Nesta ocasião foram gravadas quatro canções, My Fairy KingKeep Yourself Alive,  Doin’ Alright  e  Liar, todas elas selecionadas para At the Beeb, o que me pareceu uma escolha historicamente bastante aceitável, já que se trata do primeiro material da banda regravado, mais ou menos como eles já usavam nos shows. Como todas elas fazem parte do álbum Queen (1973), o protótipo cru e mais “despreocupado” do grupo pode ser visto claramente nessas faixas. Um pequeno destaque aqui para a versão de Doin’ Alright, que não perdeu a delicadeza da versão do disco original, mas ganhou uma produção musical bem curiosa, mais simples e com vocais finais de Roger Taylor, sem a rouquidão característica de sua voz.

A segunda e terceira sessões, também do Langham 1 Studio, aconteceram em julho e dezembro de 1973, contando com a gravação de oito músicas, que especifico melhor abaixo:

  • 25 de julho de 1973: See What A Fool I’ve Been,  Liar,  Son & Daughter,  Keep Yourself Alive
  • 3 de dezembro de 1973: Ogre Battle,  Great King Rat,  Modern Times Rock ‘n’ Roll,  Son & Daughter

Dessas, entraram para o disco as faixas que formam o Lado B de At the Beeb: Ogre Battle,  Great King Rat, Modern Times Rock ‘n’ Roll e Son and Daughter, apenas com Ogre Battle do então inédito Queen II (1974). À parte Son and Daughter, este lado possui uma produção um pouco mais ousada, já bastante influenciada pela turnê do Queen para o seu primeiro disco e a preparação extremamente trabalhosa para o segundo.

Acredito que At the Beeb sirva mais como documento histórico da evolução da banda do que como um ao vivo notável e imprescindível de sua carreira. Notem que o trabalho de remasterização quase inexistiu — e o disco foi lançado em 1989, havia possibilidade de fazer ajustes no som! –, portanto, a qualidade do lançamento foi diminuída por uma atenção menor dos músicos, padrão percebido também no ao vivo anterior, Live Magic. Contudo, a já comentada importância histórica de At the Beeb permanece e o álbum consegue ficar acima da média, apesar dos tropeços. Nosso único lamento é que a banda poderia ter aumentado o número de canções e colocado outras pequenas pérolas das sessões seguintes gravadas na BBC.

Aumenta!: Liar
Diminui!: Son and Daughter
Minha canção favorita do álbum: My Fairy King

At the Beeb
Artista: Queen
País: Reino Unido
Lançamento: 4 de dezembro de 1989
Gravadora: Band of Joy (em parceria com a BBC Records, Tapes e EMI Records Ltd).
Estilo: Rock, Hard Rock

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Queen on Fire – Live at the Bowl

estrelas 4,5

Gravando no (à época) Milton Keynes Bowl, Reino Unido, em 5 de junho de 1982, durante a turnê de Hot Space, Queen on Fire – Live at the Bowl é um dos grandes álbuns ao vivo do Queen, lançado apenas em 2004. Curioso observar que a apresentação foi marcada por muitos problemas técnicos — guitarras e microfone –, mas isso não impactou a qualidade do show, que conta apenas com duas performances musicalmente menores, Back Chat, que fecha o disco um e Get Down, Make Love, que abre o disco dois.

Começando com duas músicas bem curtas, Flash e The Hero, temos a impressão de que a banda estava preparando o terreno para o que viria depois, um padrão um pouco diferente dos shows em geral, que tentam fazer uma abertura icônica e modular a apresentação com faixas de diferentes estilos, momentos e exigências musicais, contando aí com algumas surpresas para o público e novos arranjos para faixas bastante conhecidas. Preparado o cenário, Mercury levanta a plateia com We Will Rock You e daí em diante o show ganha asas, encontrado apenas dois pequenos problemas (citados anteriormente) no meio do caminho.

A questão de Back Chat e Get Down, Make Love é que as duas canções não se encaixam no projeto do show, sendo a primeira colocada em um momento de contemplação, logo após a excelente Save Me, e a segunda com um desnecessário, longo e estranhíssimo arranjo que, curiosamente, parece ter agradado ao público.

Para quem ouve os discos, fica clara a visão de sucessos menores na primeira parte do show e sucessos maiores na segunda parte, algo que também vemos ter reflexo na ousadia instrumental, ampliada a partir de Under Pressure, e na manutenção da configuração vocal de Freddie Mercury, que não deixou de fazer boa parte das notas agudas, e entregou versões incríveis para canções que já na versão de estúdio enlouqueciam o público, como é o caso de Crazy Little Thing Called Love e, claro, Bohemian Rhapsody.

Os percalços técnicos e as duas canções destoantes do disco não foram capazes de diminuir a qualidade fina de Queen on Fire – Live at the Bowl, que faz parte da era em que os membros ativos e responsáveis pelos lançamentos do grupo aprenderam a tratar bem o material histórico gravado ao longo dos anos e realizar um bom trabalho de mixagem em estúdio para seus concertos. Mais um daqueles discos para colocar no último volume e dançar e cantar como se estivesse no meio da multidão, olhando para o palco e vendo o Queen tocar, de fato, ao vivo.

Aumenta!: Crazy Little Thing Called Love
Diminui!: Back Chat (Disco 1) e Get Down, Make Love (Disco 2). 
Minha canção favorita do álbum: Crazy Little Thing Called Love

Queen on Fire – Live at the Bowl
Artista: Queen
País: Reino Unido
Lançamento: 25 de outubro de 2004
Gravadora: Parlophone
Estilo: Rock, Hard Rock

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.