Crítica | Atividade Paranormal 2

estrelas 3,5

Com o sucesso estrondoso alcançado por Atividade Paranormal (estrondoso se considerarmos o baixíssimo custo da produção e sua rentabilidade mais do que triplicada), uma continuação era algo inevitável, especialmente na Hollywood atual onde sucesso é sinônimo de sequência. Menos de um ano depois (o que evidenciava a pressa dos estúdios em manter a franquia viva), chegava aos cinemas Atividade Paranormal 2, que ao invés de dar algum seguimento direto ao que foi visto no primeiro, volta no tempo e traz seu foco para outros protagonistas: Kristi, irmã de Katie, e seu marido Brian.

Basicamente, Atividade Paranormal 2 é uma reciclagem do que funcionou no primeiro filme, onde apesar do orçamento mais generoso liberado pelo estúdio, ainda se faz presente o aspecto caseiro da fita, onde reinam as imagens desbotadas e um trabalho de som propositalmente pobre. A única diferença está no número de câmeras da vez: desta vez são seis câmeras de segurança que filmam o interior da casa do casal que, após encontrarem a residência completamente revirada, decidem instalá-las como medida de segurança. E como último complemento, temos a adição de uma filha adolescente, a jovem ali, e o bebê Hunter. E de praxe, claro, um cachorro.

Entretanto, ao contrário de boa parte das sequências, Atividade Paranormal 2 consegue reciclar os elementos do primeiro e utilizá-los ao seu favor, além de trazer respostas satisfatórias para diversas arestas deixadas pelo primeiro. Agora se tais respostas soam desnecessárias ou não, depende de cada espectador.

Sai Oren Peli da cadeira de direção (assumindo apenas o posto de produtor) e entra o novato Tod Williams, que apesar de não possuir o mesmo talento de Peli para o manuseamento da(s) câmera(s) (o que obviamente deixa o nível alguns passos abaixo do original), consegue trabalhar de forma satisfatória com os diversos ângulos proporcionados dessa vez, construindo bons momentos de nervosismo (o silêncio é ainda mais constante desta vez) e pregando sustos de parar o coração (como quando Kristi está na cozinha).

O problema é que Atividade Paranormal 2 acaba se auto diminuindo quando tenta não apenas reciclar, mas reprisar descaradamente elementos do primeiro filme e de outros exemplares do gênero que utilizaram a técnica do found footage. A cena em que Katie era arrastada pelo corredor no primeiro (e que arrancou gritos de diversas plateias) é descaradamente copiada por Tod Williams aqui, porém sem o mesmo efeito de choque e surpresa. E o clímax, apesar de nervoso, causa certo desgosto ao se assumir como uma mera réplica do desfecho de [REC], o que também dilui o impacto da obra.

Mas Atividade Paranormal 2, como já dito, funciona por saber utilizar os elementos do primeiro ao seu favor, mantendo um nível razoável de tensão, embora nenhum espectador tenha ficado sem dormir desta vez. Mas em tempos onde os filmes de terror apostam no explicito (banhos de sangue e nudez desnecessária) para tentar atingir seu público, é louvável nos depararmos com uma franquia que aposte mais na sugestão do que na clara exibição do que está em tela. E se isto é motivo de irritação para alguns, para outros funciona como uma maravilhoso deleite, prova de que filmes de terror não precisam de exageros para serem assustadores.

Atividade Paranormal 2 (Paranormal Activity 2, EUA – 2010)
Roteiro: Michael R. Perry
Direção: Tod Williams
Elenco: Katie Featherston, Brian Boland, Molly Ephrain, Seth Ginsberg, Sprague Grayden
Duração: 91 min.

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.