Crítica | Baal (1970)

estrelas 4

Baal (1970) é a versão de Volker Schlöndorff para a obra homônima de Bertolt Brecht, a primeira peça completa escrita pelo dramaturgo alemão. O filme, feito para a TV, traz um grupo de atores de teatro e que recentemente havia iniciado uma carreira no cinema, dentre os quais estava o jovem cineasta Rainer Werner Fassbinder no papel de Baal, em uma lancinante interpretação.

O diálogo de Schlöndorff com a peça de Brecht começa na divisão dos pequenos atos do filme, obedecendo as marcações originais mas fazendo mudanças substanciais nos componentes internos de cada bloco, tanto naquilo que deveria constituí-lo quanto na adaptação da peça propriamente dito. O roteiro do longa, também escrito por Schlöndorff, mantém intacta quase a totalidade da peça, trazendo apenas alguns ajustes de localização em cada esquete ou ato e pontes de ligação que tornasse inteligíveis a sua visão de Baal.

Seguindo uma linha muito comum no cinema alemão dos anos 60, especialmente com o aflorar do Novo Cinema Alemão, do qual Schlöndorff fazia parte, Baal apresenta elementos claros de um país perdido (tanto na época em que surgiu quanto na versão dos anos 70), sem clara perspectiva de futuro e cada vez mais afeito a crueldades ou que se cala quando vê algo o tipo. Dado a prazeres de amor e ódio, os cidadãos comuns de Baal são coadjuvantes de um anárquico e libertário falso libertário modo de pensar.

Fassbinder constrói um protagonista nojento, cínico, malvado e que aparentemente se apaixona muito fácil por homens e mulheres à sua volta. Seu Baal é um homem sujo que consegue atrair a quase todos, seja por suas belas palavras seja por sua presença pouco usual e quase selvagem e de forte impressão de autoridade. Num primeiro momento, ele se mostra interessado nos assuntos de quem chega à sua vida, conquistando pessoas que ouvem o que quer e falam e são ouvidas ou retrucadas com palavras que para quem está de fora soam como agressão e demonstração de ignorância, mas que na dinâmica da obra demonstram um tipo de fetiche do dominado querendo ver a autoridade do dominador.

Ao explorar esse lado da atmosfera de Brecht em Baal, Schlöndorff consegue realizar um eficiente drama psicológico de tendência social subtendida. O Hino a Baal, o Grande, é narrado ou quase cantado ao longo dos 24 esquetes da obra, acompanhando de forma cronológica o “nascer”, viver, decair e morrer de Baal, que da sua ânsia por estar acompanhado por alguém, de seu medo por perder o controle das coisas e da sua dificuldade em assumir importância para qualquer pessoa que não fosse ele, acaba por afastar e enojar a todos, morrendo sozinho, numa floresta.

Através de uma fotografia especial (as bordas da tela foram desfocadas ou muitas vezes escurecidas pela fotografia para que o centro tivesse maior atenção do espectador) e uma trilha sonora pontual e de tendência narrativa, Baal é um filme rico em alegorias, uma obra que normalmente deixa o público preso a uma teia de caminhos, todos certos e todos errados, com a finalidade de gerar o debate sobre o por quê dessa dualidade e como os tais caminhos e quem está ali para escolhê-los chegaram aonde estão.

Baal (Alemanha Ocidental, 1970)
Direção:
Volker Schlöndorff
Roteiro: Bertolt Brecht, Volker Schlöndorff
Elenco: Rainer Werner Fassbinder, Sigi Graue, Margarethe von Trotta, Günther Neutze, Miriam Spoerri, Marian Seidowsky, Irmgard Paulis, Wilmut Borell, Michael Gempart, Hanna Schygulla
Duração: 87 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.