Crítica | Back to the Future #1 (IDW)

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estrelas 3

back to the future 1 idw quadrinhos plano criticoComo parte da comemoração do Back to the Future Day, ou o 21 de outubro de 2015, o futuro – que agora é presente e, em breve, passado – para onde Doc Brown leva Marty McFly e Jennifer em De Volta para o Futuro II, a IDW Publishing lançou, neste mesmo dia, o primeiro de quatro números de uma minissérie em quadrinhos baseada em ideias de Bob Gale não utilizadas na amada trilogia. Quem é Bob Gale? Ora, ninguém menos do que o criador das histórias e roteirista dos três filmes! Assim, automaticamente, essas publicações da IDW saem do status óbvio de meros caça-niqueis para algo bem mais interessante e relevante dentro do universo criado por Gale e Robert Zemeckis, não é mesmo?

A estrutura da publicação é muito simples e aborda, como a primeira página deixa claro, “histórias não contadas” e “linhas do tempo alternativas”, ou seja, há liberdade total para o desenvolvimento de qualquer tipo de história. Assim, neste primeiro número, há a divisão em duas histórias, uma que parece ser canônica, contando como Doc e Mary se conheceram e outra que parece ser em uma “linha temporal alternativa” que nos mostra Doc Brown em 1943 fazendo de tudo para participar do então secreto Manhattan Project, comandando pelo cientista J. Robert Oppenheimer e que resultou na criação da bomba atômica.

No primeiro conto, intitulado When Marty Met Emmett (ou, em tradução livre, “Quando Marty Conheceu Emmett“) finalmente descobrimos de onde surgiu a amizade entre dois dos mais icônicos personagens da ficção científica. Baseado em história de Gale, que co-escreveu o roteiro com John Barber, vê-se claramente a possibilidade efetiva de esse momento histórico ter sido pensando em alguma versão de pré-roteiro de De Volta para o Futuro. Os roteiristas refestelam-se no uso de referências ao primeiro filme, começando a história ainda com a saga da família de Emmett Brown – original Von Braun, o que nos remete ao segundo conto, aliás – e como ele perdeu sua enorme propriedade, ficando apenas com aquela garagem que vemos em detalhes no prólogo do filme.

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Doc Brown e Marty McFly (e Einstein, claro!) se conhecem.

Com o bojo da ação passado em 1982, portanto três anos antes de um certo DeLorean fazer sua primeira viagem no tempo, vemos um jovem Marty McFly tendo que entrar sorrateiramente no laboratório de Doc Brown, personagem recluso e com status até de mítico em Hill Valley. O desdobramento da narrativa, assim como o filme, é leve e divertido e não trai em momento algum o que já conhecemos da franquia.

Além disso, Gale e Barber usam o artifício do “enquadramento” para tornar a história ainda mais relevante. Todo esse fatídico encontro é contado em flashback – ou melhor, nesse caso, flashforward – a partir de algo como 1890, com Doc e Clara já casados na nascente Hill Valley e com seus dois filhos, Jules e Verne, conforme subentendemos do final de De Volta para o Futuro III. Doc está febrilmente tentando recriar o capacitor de fluxo (e nós sabemos que ele consegue, não é), quando Clara e sua prole o interrompe, forçando-o a contar uma história para eles. A partir daí, vemos o encontro de Doc com Mary em 1982 e a narrativa novamente volta para o século XIX com a promessa de mais momentos como esse.

A arte condiz com a leveza da história e Brent Schoonover trabalha com traços simplificados, caricaturais, ajudado pelas cores chapadas, mas bonitas de Kelly Fitzpatrick. Não há grandes arroubos de originalidade, mas a progressão narrativa funciona bem visualmente.

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Doc Brown está irritado!

Na segunda história, focada apenas em um Emmett Brown 10 anos mais novo que sua versão de 1955, nós o vemos como um professor do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em 1943. Ele está ultrajado por não ter sido escolhido para um projeto aparentemente secreto, ao qual outros cientistas teriam sido enviados. Do seu jeito afobado, ele então começa a mover mundos para reverter a situação. Aqui, o Doc Brown que conhecemos e amamos ainda não existe. Apesar de amalucado e desorganizado, ele é marcadamente mais sério e a história, diferente da anterior, não carrega na comédia. Se essa é uma história elseworlds de De Volta para o Futuro, ainda é cedo para saber, pois muito pouco acontece nela, já que apenas seis páginas são reservadas para Looking for a Few Good Scientists (“Procurando Alguns Bons Cientistas“).

A arte de Dan Schoening é bastante diferente da de Schoonover, já que ele carrega em traços mais limpos e “modernos”, alterando fortemente a fisionomia de Doc Brown. Mas é um traço dinâmico, quase de mangá que agrada ao olhar, apesar das cores digitais de Luis Antonio Delgado emprestarem um ar de “desenho animado” transposto para quadrinhos que particularmente não gosto.

A publicação da IDW pode não ser uma grande obra da Nona Arte, mas é material divertido o suficiente para justificar uma conferida, especialmente por que nos permite um olhar mais profundo sobre detalhes que desconhecemos da vida desses personagens que amamos.

Back to the Future #1 (Idem, EUA – 2015)
Roteiro: Bob Gale (primeira e segunda histórias), John Barber (primeira história), Erik Burnham (segunda história)
Arte: Brent Schoonover (primeira história), Dan Schoening (segunda história)
Arte-final: David Witt (primeira história)
Cores: Kelly Fitzpatrick (primeira história), Luis Antonio Delgado (segunda história)
Letras: Shawn Lee
Editora original: IDW  Publishing
Data original de lançamento: 21 de outubro de 2015
Editora no Brasil: não publicado no Brasil na data da presente crítica
Páginas: 25

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.