Crítica | Ballers – 1ª Temporada

estrelas 3

Criada por Stephen Levinson, produtor executivo de séries como Entourage (2004 – 2011) e Boardwalk Empire (2010 – 2014), Ballers é a nova empreitada da HBO no cenário “amigos-mulheres-drogas-dinheiro”. Com um elenco principal essencialmente masculino e uma abordagem que pouco cresce ao longo de 10 episódios, o programa acompanha a vida de jogadores de futebol americano em atividade ou aposentados, residentes em Miami. Dentre os temas trabalhados estão os problemas da aposentadoria (forçada ou não), as dificuldades financeiras mascaradas, a completa falta de noção de jovens jogadores que ganham muito dinheiro mas gastam sem nenhum controle e a questão realmente comercial da coisa, tais como compra e venda de atletas, assinatura de contratos, agentes financeiros e empresas de administração/assessoria de pessoas.

O episódio piloto e os dois episódios seguintes são medíocres em termos de narrativa e bem chatinhos em termos de entretenimento. Mas se o espectador consegue passar da tríade inicial, terá uma sequência mais ou menos interessante de episódios onde várias histórias individuais são interligadas por pessoas-que-conhecem-pessoas-que-conhecem-pessoas… A panelinha de técnicos, preparadores, jornalistas e toda a fauna ligada ao futebol americano é organizada para se mostrar nessa temporada, mas isso não significa que os roteiristas se utilizaram dessa variedade para avançar na narrativa.

Em outras palavras, a 1ª Temporada de Ballers é um grande arco. Dez episódios costurados por uma história que caminha a passos lentos e é melhor sustentada pela simpatia da maioria dos atores, pela loucura com que determinados episódios são escritos (a festa no iate é o ponto alto) e pelos dois episódios finais que, embora não caminhem para apresentar coisas novas, exploram de forma muito interessante o psicológico dos personagens, coisa que os oito capítulos anteriores fizeram apenas em doses homeopáticas.

O verdadeiro protagonista do show, ao menos nessa temporada, é Dwayne Johnson. E devo dizer que o ator não faz feio dentro daquilo que esse papel exige. Aliás, vê-se claramente que o personagem foi escrito pensando nas limitações dramáticas de “The Rock”. Todo o ar sem jeito para algumas coisas, a enorme simpatia do personagem (e do ator), a timidez meio sacana que infelizmente atrapalha no desenvolvimento mas pelo menos não o faz tenebroso e a própria história de Spencer Strasmore, um jogador aposentado que tenta encontrar um lugar no mundo dos “negócios do atletismo” funciona e  está colocada na medida como fio da meada para as outras histórias.

O que realmente impediu que este primeiro ano do show deslanchasse foi o formato “concha” do texto. Já comentei sobre o impasse da temporada-arco, mas mesmo dentro desse problema ainda é possível ver um outro, talvez mais grave, que é a coleção de acontecimentos dentro de um ambiente familiar mas sem um foco. A impressão que tive é que as histórias foram escritas em separado, com pontuais encontros de personagens, é só. Em partes, isso pode até ter funcionado aqui (porque a ideia da temporada corrobora isso), mas imaginem um segundo ano dentro dessa mesma estrutura! Se seguir exatamente o mesmo modelo de andamento tanto interno quanto externo, Ballers não terá um bom futuro.

O bom orçamento permitiu que a produção fosse bem cuidada. Os episódios possuem uma ótima fotografia, trilha sonora e figurinos, tropeçando mais na direção de atores, montagem (muito por conta do roteiro) e direção de arte pouco imaginativa, embora não se possa culpar completamente os profissionais da área porque a intenção de mostrar ambientes mais clean e com pouca identidade meio que faz parte da ideia desse mundo que a série retrata, ao menos para o showrunner Stephen Levinson. Há apenas uma exceção à essa regra em toda a temporada: a “casa do amor” de Ricky Jerret (John David Washington), que na vida real foi jogador de futebol americano. Aliás, boa parte dos atores-jogadores da série ainda são ou já foram atletas profissionais.

Com narrativa lenta e fechada, Ballers encerra a sua [boa, apesar de tudo] primeira temporada com referências a O Poderoso Chefão, dando a ideia de um novo império que está por vir. E que a próxima temporada traga mesmo novidades, de preferência com o lema “sem enrolação“.

Ballers – 1ª Temporada (EUA, 2015)
Criador: Stephen Levinson
Direção: Peter Berg, Julian Farino, Seith Mann, John Fortenberry, Simon Cellan Jones
Roteiro: Stephen Levinson, Evan T. Reilly, Rob Weiss, Steve Sharlet, Steve Sharlet
Elenco: Dwayne Johnson, John David Washington, Omar Benson Miller, Donovan W. Carter, Troy Garity, Jazmyn Simon, Rob Corddry, London Brown, Dulé Hill, Anabelle Acosta, Arielle Kebbel, Richard Schiff, Antoine Harris
Duração: 30 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.