Crítica | Bates Motel – 2ª Temporada

estrelas 4

Na 1ª Temporada de Bates Motel, o espectador foi apresentado a uma família, a uma cidade e a uma cadeia de situações que transitavam entre as boas aparências e a criminalidade em todos os seus aspectos possíveis. Os episódios dessa temporada inicial fixaram o famoso espaço geográfico da nova casa, do hotel e de White Pine Bay para a família Bates. Na tentativa de começar uma nova vida, a família esteve de frente para alguns desafios e algumas desagradáveis descobertas: a nova cidade se revelou um antro de tráfico de drogas e humanos, briga entre mafiosos, corrupção, assassinatos, extorsões, etc. Digamos que os criadores da série, Carlton Cuse, Kerry Ehrin e Anthony Cipriano preparam bem o ninho para que na 2ª Temporada pudessem depositar o ovo da serpente.

Utilizando como ponto de partida o cliffhanger deixado na temporada anterior, temos uma premiere de 2ª Temporada acima da média com Gone But Not Forgotten. O episódio captou nuances da vida de Norman que antes não houvéramos visto e, mesmo sendo o primeiro capítulo da temporada, já ensaiava um caminho que seria a trilha principal dessa fase: veríamos em Norman a dualidade de condição mental.

Ao passo que o perturbado jovem se culpava por coisas que não se lembrava mas intuía ter cometido, seu subconsciente dominado pela figura materna o acalmava e o fazia sublimar ou esquecer os atos. No melhor estilo “eu me recuso a admitir que isso está acontecendo na minha família” Norma Bates encoberta o filho enganando a si mesma de que ele é inocente.

No início, essa cadência pessoal para Norman e uma maior dualidade de sua relação com a mãe é diminuta porque os showrunners precisaram de um tempo para apresentar personagens novos. Já havia sido estabelecido que a produção tentaria abarcar tanto a parcela mais exigente e cerebral dos espectadores quanto a que menos faz uso de neurônios e só quer ver ação pela ação na tela, de preferência com clichês do gênero e pitadas de intriga e suspense. Na 1ª Temporada, esse aspecto incomodou mais. Nesta, o espectador consegue lidar melhor com esse lado do programa e aproveitar aquilo que ele tem de melhor.

Dito isso, vemos personagens como Caleb, Gunner e Cody aparecer e desaparecer de cena, mas não de forma completamente desprezível. A participação de cada um deles possui uma justificativa narrativa e se alia aos dois padrões já apontados anteriormente. Assim, a rotatividade de hóspedes do hotel e os impulsos para a vida de Norman mantém-se frescos e passageiros, o que nos deixa clara a seguinte premissa: a única coisa realmente fixa na vida do garoto é a mãe.

Com um número menor de músicas incidentais e temas mais dramáticos nas cenas de peso — com composições orquestrais densas, forte uso de cellos e contrabaixos, meios-tons e metais melancólicos — a temporada se segurou firmemente através de um elenco que não precisava de ajuda externa para brilhar mas que mesmo assim tinha na maioria dos episódios ambientes propícios para intensificação de seus comportamentos, com destaque para os capítulos dirigidos por Tucker Gates, especialmente os dois últimos, The Box e The Immutable Truth. Nota-se também uma investida ainda maior do setor de figurinos na criação de referências trágicas e eróticas, alterando sutilmente o guarda-roupa de Norman e montando contrapontos até constrangedores — porém não despropositados — à sua volta. A ideia de um isolado da comunidade em geral é facilmente percebida também por esse ponto.

Vera Farmiga e Freddie Highmore novamente destacam-se com louvor em seus papeis e a força cênica que ambos têm em cena é algo assustadoramente cativante. Como ambos os personagens passam por mudanças durante esse ano (o de Highmore, principalmente) os atores precisaram não só fazer uma transição aceitável de um estágio para outro, evitando o peso das mudanças abruptas, e ao mesmo tempo irem e voltarem para ambos os estágios, posto que a indecisão e insegurança marcam tanto a mãe quanto o filho.

O elenco de apoio ganha mais voz nessa temporada e passa a ter histórias pequenas mas bem vindas e que ajudam a complementar o cotidiano de Norman, já que os criadores desistiram de mostrar o jovem na escola ou qualquer outro tipo de relação dele com o mundo exterior. Essa função de maior ligação com o mundo é assumida por Dylan, que ao final desse ano parece ter se fixado como alguém de renome dentro da cidade.

Com um show de fotografia e desenho de prodição (destaque para a casa e para o Motel Bates, para a casa de Nick e para os demais cômodos familiares), pouco espaço para incoerências e desenvolvimento na medida certa do personagem principal, Bates Motel termina com mais um degrau de avanço na psicopatia de Norman. Depois do primeiro e do segundo assassinatos, é chagada a vez da mentira convincente, a verdadeira mentira. Pouco a pouco, vamos surgir dos olhares medonhos do jovem filhinho da mamãe, um monstro bastante familiar.

Bates Motel – 2ª Temporada (EUA, 2014)
Direção: Tucker Gates, Lodge Kerrigan, John David Coles, Christopher Nelson, Ed Bianchi, Roxann Dawson
Roteiro: Carlton Cuse, Kerry Ehrin, Anthony Cipriano e roteiristas convidados (baseados nos personagens de Robert Bloch).
Elenco: Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thieriot, Olivia Cooke, Nestor Carbonell, Nicola Peltz, Ian Tracey, Michael O’Neill, Michael Eklund, Rebecca Creskoff, Kenny Johnson
Duração: 42 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.