Crítica | Bates Motel 4X01: A Danger to Himself and Others

estrelas 4

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de Bates Motel, aqui.

Sabendo que Bates Motel foi pensada como uma série de 5 anos, uma das grandes expectativas a cada temporada é a pergunta para a resposta: o quanto Norman já está louco até aqui e quanto — ou como — ele pode enlouquecer ainda mais? Durante as temporadas 1, 2 e 3 esta pergunta foi sendo respondida aos poucos, à medida que contextos igualmente interessantes — pelo menos a maioria — eram erguidos. Mas agora, faltando 19 episódios para o encerramento da série (mais 9 desta e 10 da próxima), os showrunners não perderam tempo e começaram este quarto ano com um capítulo seminal para o crescimento e enlouquecimento de Norman Bates. A Danger to Himself and Others é um excelente episódio.

O ponto de partida é a torrente de eventos que ficaram em aberto ao final da temporada passada. Norman está desaparecido. Alex Romero está ‘dando um jeito’ no corpo de Bob Paris. Emma está prestes a entrar na sala de operações. Norma percebe que o mundo não gira necessariamente a seu redor, algo que ela percebeu de modo bem cruel na 3ª Temporada, mas parece que ainda não está acostumada. E para piorar, a personagem está sob pressão, situação que nunca soube administrar muito bem e que tem forte impacto em Norman.

O roteiro de A Danger to Himself and Others, escrito a seis mãos, estabelece essa pressão para Norma e cria o cenário perfeito para o surgimento de um novo Norman, um rapaz completamente diferente daquele que vimos mudar levemente na 1ª Temporada e que já na 2ª Temporada deu sinais fortes de sua psicopatia e tendência de imitar ou culpar a mãe. Agora, seus problemas psicológicos juntam-se a fatores que foram anteriormente construídos, como desenvolvimento da libido, estabelecimento bipolar da relação de amor e ódio com a mãe, momentos de grande descontrole, fuga da realidade e ciclo comportamental que, queria ele ou não, se inicia e acaba com a mãe.

Mesmo o bloco mais fraco do episódio, aquele que aborda Dylan, Will, Emma e a mãe de Emma faz uso de uma dinâmica inteligente de narração, ou seja, coisas mostradas aparentemente como curiosidades, mas que na verdade possuem um papel bastante importante para o desenvolvimento do episódio, começando pela chegada de Dylan ao hospital até a chegada da mãe de Emma ao hotel e sua interação com Norman no desfecho, uma sequência que traz mais uma excelente atuação Freddie Highmore como espelho caricato de sua mãe e um assassinato que talvez já nos acene para o futuro de Norma.

Dirigido pelo ótimo Tucker Gates, este episódio abre a 4ª Temporada de Bates Motel com indicações comportamentais assustadoras e uma tardia entrada de ajuda médica para Norman. Nós já sabemos o que ele fez no passado e certamente imaginamos o que pode vir daí. Tudo no episódio anuncia ainda maior densidade e introspecção nesta temporada: fotografia de pouca luz e tons frios (exceção às sequências no corredor do hospital, mas a paleta de estágio doentio ali acaba tendo o mesmo efeito sobre o espectador); trilha sonora extremamente melancólica e objetivo principal: mostrar quem é este novo Norman. E… oh, meus caros, ele não é alguém com quem você vai querer marcar para tomar um café. Essa penúltima temporada promete. Bem vindos, todos, à loucura!

Bates Motel 4X01: A Danger to Himself and Others (EUA, 2016)
Direção: Tucker Gates
Roteiro: Carlton Cuse, Kerry Ehrin, Anthony Cipriano
Elenco: Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thieriot, Olivia Cooke, Nestor Carbonell, Louis Ferreira, Elizabeth Greer, Damon Gupton, Andrew Howard, Karin Konoval, Karina Logue, Kevin Rahm, Fiona Vroom, Kwesi Ameyaw
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.