Crítica | Bates Motel 4X02: Goodnight, Mother

estrelas 4

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de Bates Motel, aqui.

Sem assassinato, sem respostas prontas ou exploração didática e imediata do que aconteceu no final de A Danger to Himself and Others, este episódio conseguiu ser ainda mais intenso e mais relevante para o cânone da saga de Norman Bates (com pelo menos seis grandes referências visuais e várias indicações em diálogos daquilo que vemos em Psicose) do que foi o da abertura desta 4ª Temporada.

Também é possível perceber que um problema que não é exatamente um problema — o bloco dramático envolvendo Dylan e Emma — tem maior peso negativo aqui, não a ponto de estragar o excelente drama geral de Norma e Norman e, em essência, o episódio, mas desacelerando e até minando um pouco a edípica e extremamente complicada relação entre mãe e filho, que simplesmente nos prende na cadeira e nos deixa cada vez mais pasmos pela qualidade com que é mostrada e pelo trabalho bárbaro de Vera Farmiga e Freddie Highmore em seus papeis.

Se por um lado entendemos que não dá para o roteiro deixar de lado Dylan e outros personagens de importância notável nas outras temporadas, percebemos que vai demorar um pouco até que todas as pontas estejam bem conectadas e agindo de forma intensa. Por enquanto, a internação de Emma e seu futuro com Dylan tem se mostrado um drama “à parte”, muitas vezes servindo como suspense pelo que acontecerá em seguida — tudo bem que é um recurso preguiçoso, conseguido através da montagem, mas convenhamos que funciona –, mas alguns ‘poréns’ sobre o futuro do casal e a presença e morte (ela morreu mesmo, certo?) da mãe dela no episódio passado serve como ligação forte e de enorme potencial para os episódios seguintes. Só precisamos esperar que isso aconteça.

Escrito por Torrey Speer, assistente de roteiros em Bates Motel desde Gone But Not Forgotten (2ª Temporada) mas assinando sozinho um episódio da série apenas em Crazy (3ª Temporada), Goodnight, Mother serve como uma mostra do que pode ser (e será) Norman Bates no “controle total” da situação. Até a temporada passada os apagões eram tratados como uma recorrência provocada por uma hóspede ou amiga ou conhecida sensual, mas havia uma forte docilidade em Norman (coisa que não ocorre aqui, ao contrário, nós temos medo dele) e a voz verdadeiramente ativa da relação mãe-e-filho vinha de Norma, situação que também mudou completamente, mas não apenas tendo como parâmetro a inversão do “manda-e-obedece” e sim como identidade. Norma passou a agir como uma filha respondona e Norman como uma mãe que tenta manter a filha na rédea. Perceba a excelente sequência em que eles discutem sobre quem deveria ou não fazer o check-in de uma família no Hotel.

O diretor Tim Southam, assim como fizera no excelente episódio Persuasion (3ª Temporada) explorou os ambientes internos (sua grande marca na direção) com extrema competência, dando pela primeira vez um real toque de terror na série já com todas as peças colocadas em posições semi-finais. Na 1ª Temporada uma abordagem nesse sentido foi dada, mas aos poucos se dissipou. Aqui, a relação de dominação, o medo, a exploração dos espaços na casa às escuras e as hipóteses do que pode ter acontecido à mãe de Emma se somam para criar um desfecho perturbador e desalentador, com a ajuda de uma trilha sonora não agressiva, apenas acompanhando, como em um lamento, essa inversão de papeis, personalidades e poder. Norman está se encontrando (e também se perdendo) mais e mais a cada episódio. E nós sabemos muito bem onde isso vai dar.

Bates Motel 4X02: Goodnight, Mother (EUA, 2016)
Direção: Tim Southam
Roteiro: Torrey Speer
Elenco: Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thieriot, Olivia Cooke, Nestor Carbonell, David Cubitt, Louis Ferreira, Andrew Howard, Karina Logue, Fiona Vroom, Dustin Freeland, Nelson Leis, Hannah Levien, Sasha Rojen, Elizabeth Weinstein
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.