Crítica | Bates Motel 4X03: Til Death Do You Part

estrelas 4

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de Bates Motel aqui.

O centro das atenções nesta série passa, na atual temporada, por uma reformulação bastante agradável de se ver. É um modelo maduro de levar Bates Motel para os “finalmentes” dramáticos, algo que, desde o primeiro episódio desta 4ª Temporada aparece acompanhado de inúmeras referências, em imagem ou fala, que acenam diretamente para Psicose.

Aqui, o roteiro de Alyson Evans e Steve Kornacki torna um pouco mais complexa (sob nosso ponto de vista) a situação para Norma, que parece ganhar a sanidade aos poucos, agora que está “livre” do filho (temos a impressão de que ela está passando por um processo de desintoxicação); e enquanto isso, Norman guarda consigo um forte desejo de vingança — confundido pelos saltos emocionais de sua psique perturbada — e termina o episódio pronto para virar o jogo e, mais uma vez, terceirizar a culpa de seus atos para mãe.

Se tomarmos o comportamento do jovem na 2ª Temporada e as crises e brigas que pautaram aí sua relação com a mãe (situações remodeladas na 3ª Temporada) entendemos facilmente a relação de amor e ódio entre os dois e a confusão que isso é para ambos, já que envolve desejo, amor, ódio, cumplicidade e transferências de culpa o tempo inteiro, algo que parece não atingir Dylan, pelo menos não com a mesma intensidade (ele já passou por pequenos batismos de fogo nas outras temporadas) ou não até agora. Aliás, Max Thieriot tem guiado o personagem para uma linha mais séria de interpretação, de fato mostrando indícios de que está mudando de vida e, claro, deixando-nos atentos para possíveis interrupções desse sonho de viver honestamente.

Interessante é que diferente de A Danger to Himself and Others e Goodnight, Mother, o presente capítulo se ocupa quase que totalmente em apresentar possibilidades. É preciso que o espectador fique atento aos sinais e ao novo cenário que se arma para acompanhar a narrativa do roteiro, os diálogos pesados de Norman com o doutor, em contraste com a leveza às vezes neurótica da relação de Norma com Romero e a volta em círculos que Dylan faz para tentar escapar do mundo onde se colocou (ou foi colocado). Fica evidente para nós que, no primeiro caso, Norman será confrontado com essa nova realidade e certamente saber que a mãe se casou não será nada interessante para ele, mesmo que tente mostrar o contrário. No segundo caso, o escopo de possibilidade ainda é aberto demais. Vamos esperar para ver onde irá chegar.

A presença de Julian nesse contexto (na melhor sequência do episódio, esteticamente falando) é um bem-vinda e traz um inesperado contraponto com Norman, embora inserido dentro do mesmo conceito de “problemas psicológicos”. Alguns espectadores estão reclamando do “vazio” que foi essa introdução, mas isso fez sentido para Bates já neste Til Death Do You Part e terá melhor figuração no próximo episódio, Lights of Winter. Novamente, mais momentos tenebrosos ameaçam atingir os Bates. Essa temporada realmente veio para mostrar Norman subir (ou descer) no salto.

Bates Motel 4X03: Til Death Do You Part (EUA, 2016)
Direção: Phil Abraham
Roteiro: Alyson Evans, Steve Kornacki
Elenco: Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thieriot, Olivia Cooke, Nestor Carbonell, Marshall Allman, Damon Gupton, Ryan Hurst, Kelly-Ruth Mercier, Jaime Ray Newman, Catherine Barroll, Anna Hagan
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.