Crítica | Bates Motel 4X05: Refraction

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estrelas 3,5

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de Bates Motel aqui.

Chega um momento em uma jornada de estranhezas e disfunções que nem mesmo as pessoas que fazem parte do jogo sabem muito bem o que está acontecendo e passam a jogar por instinto, aprendendo e apreendendo rapidamente a torrente de coisas que surgem e lhes trazem problemas, deixando marcas logo de início. Pois bem. Refraction, episódio que pontua a metade da 4ª Temporada de Bates Motel, é um exemplo de tudo isso.

De maneira bem mais rápida do que nos episódios passados, o roteiro deixa claro a sua intenção e de como ele pretende chegar a esse ponto B na narrativa. Norman volta a ser o foco central da história; Norma tem um papel de ponte dramática e Dylan + Emma representam a utopia com a qual os Bates sempre sonharam. Se isso irá seguir até o final é outra história, mas aqui, a relação serve como uma tentativa de mudança para o jovem e a recuperação de Emma nesta nova vida em muitos sentidos.

Nós já nos perguntamos sobre o destino de Dylan. Não há menções sobre ele em Psicose. A não ser que tenha mudado de nome, sido morto ou ido morar longe — situações que precisam ser, se for o caso, trabalhadas com muito cuidado na série para não cair no poço sem fundo do clichê das conveniências — fica difícil imaginar seu enquadramento no plano final. E confesso que chegando ao meio desta temporada, isso começa a me preocupar. Porque o estabelecimento dessa nova vida parece querer afastar o personagem… Me pergunto até onde isso vai. Todavia, há o não resolvido caso de Caleb, que já neste episódio mostra sinais de problemas sérios logo adiante, então ficamos apreensivos pelo que pode sair daí: o mistério pode ser trágico e frustrar os sonhos de Dylan, algo que estaria perfeitamente ligado às esperadas desgraças a que os Bates estão acostumados.

E então, vem o ponto fraco. Norma e Romero não são colocados como deveriam nesse episódio. De forma ainda menos impactante que o bloco de Dylan e Emma, Norma e Romero parece ser uma dupla que sempre precisa de algo a mais para funcionar (como em Lights of Winter), embora cada um dos personagens tenha bons momentos solo aqui, com Romero e Rebecca de um lado — apesar de já ter cansado essas idas e vindas, mas a curiosidade pelo que pode acontecer ainda existe — e Norma com qualquer pessoa com quem contracena, graças ao excelente trabalho de Vera Farmiga no papel.

Por fim, Freddie Highmore, o grande destaque do episódio. É por conta de um evento na vida de Norman que temos o título Refraction e, pela primeira vez, o Doutor Gregg vê a transformação do garoto em Norma, face a face. Diferente das outras vezes, a passagem aqui aparece como uma fuga de um momento difícil. Sem conseguir lidar com uma frustração, Norman busca refúgio incorporando a mão e agindo em nome dela — ou deixando ela agir sozinha… isso ainda é confuso de estabelecer. Fato é que o ator mais uma vez tem uma participação aplaudível nesse trânsito de personalidades e dá um outro tom aos apagões. Foi uma passagem harmônica, apesar de ter sido causada por um momento de raiva. Eu ainda acho que isso vai dar em algo para o Dr. Gregg.

Refraction é um episódio onde muita coisa acontece, mas não temos exatamente essa impressão. O roteiro acerta a maior parte do tempo, mas parece faltar algo… um espaço em branco a ser preenchido. A fotografia das cenas internas, sempre escuras ou com filtros azulados reforçam essa impressão, se bem que o efeito estético é entendível e aceitável, diferente dessas reticências no roteiro. A situação agora é ver como as pequenas farsas aqui encenadas serão desmascaradas nos 5 episódios seguintes. Bates Motel começa a caminhar para o final de sua penúltima temporada.

Bates Motel 4X05: Refraction  (EUA, 2016)
Direção: Sarah Boyd
Roteiro: Erica Lipez
Elenco: Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thieriot, Olivia Cooke, Nestor Carbonell, Marshall Allman, Lindsey Ginter, Damon Gupton, Ryan Hurst, Alessandro Juliani, Jason Asuncion, Daniel Jacobsen, Graeme McComb, Andrew Howard
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.