Crítica | Bates Motel 4X07: There’s No Place Like Home

estrelas 4

Spoilers!

Leiam as críticas dos demais episódios de Bates Motel aqui. E leiam as críticas para as várias versões de Psicose de Hitchcock aqui.

Um novo mantra dramatúrgico deverá ser repetido por muito tempo em escolas para jovens atores pelo mundo afora após esta 4ª Temporada de Bates Motel: Freddie Highmore.

A cada episódio que passa vemos que o ator tem se entregado de corpo e alma ao papel de Norman Bates, não apenas na incorporação da persona de Norma, mas criando um bom número de camadas para o personagem, dando maior sentido ao complexo passado que o assombra (visto em partes no excelente The Vault) e demonstrando progressivamente a forma como ele engana a todos, fazendo-se ser enxergado como frágil e comportado para conseguir o que quer, ações que ele próprio assume para Julian em uma ótima cena deste capítulo.

Dirigido por Nestor Carbonell (o ator que interpreta o xerife Romero), There’s No Place Like Home foi um dos episódios mais sugestivos da temporada até agora, tanto do lado de Norma e Romero, quanto do lado de Norman e o Doutor Gregg Edwards. Dylan e Emma voltaram a ter um ponto de importância interessante no olho do furacão, com um elemento (a mãe desaparecida) que deve explodir o restante da felicidade dos Bates ao final desta temporada. A cada nova semana eu consigo pensar em motivos diferentes para o desaparecimento de Dylan nesse cenário tenebroso.

Chegamos a um momento da história em que conhecemos uma boa parte dos motivos que levaram Norman e esse atual estado mental, da mesma forma que percebemos justificativas cada vez mais fortes (sob o ponto de vista dele) para a morte de Norma. Os produtores construíram muitíssimo bem o caminho da internação do garoto, a sequência do casamento, o cotidiano em ajuste e progressiva felicidade dos recém-casados e a aparência de traição que isso possa ter, se avaliado sem o devido contexto. Talvez Norman veja em toda a atitude da mãe uma forma de afastá-lo e isso vai fazer com que ele se torne cada vez mais intransigente e exerça ainda mais controle sobre ela, inclusive de forma violenta (incluindo chantagens) como vimos acontecer no início da temporada.

Essa variação na personalidade do jovem Bates também nos oferece um bom número de justificativas e respostas para o por quê a terapia não deu certo ou se existe “mais do Norman” que ainda não conhecemos. Não sei se chegaremos a um ponto onde ele deve desenvolver outra personalidade além da mãe, mas me parece que estando ou não no controle de si mesmo, ele passa a ter alguma consciência de que é uma pessoa perigosa e de que precisa de ajuda. Aliado a isso, vemos que o personagem tem se tornado exteriormente mais simpático, mais frágil, passando um ar de confiança que sempre foi seu forte mas que se delineia ainda mais à medida que ele envelhece e tem contato com seus medos. E sintomaticamente, à medida que seu distúrbio de personalidade se fortalece.

Existem muitos elementos estéticos neste episódio que facilitam a nossa leitura e nos ajuda a construir a personalidade de Norman sob seu ponto de vista e de seu ambiente. Carbonell manda muito bem na direção, não tendo medo de utilizar diferentes lentes, planos, orientar saturação ou desfoque ao diretor de fotografia e também realizar tomadas que não são comuns na série, todas feitas para dar uma sensação inicial de liberdade e, no fim, tomando-nos essa impressão de assalto. Sobre a fotografia, mais um ponto: a saturação nos ambientes fechados (a casa dos Bates, em específico) e bastante suave, mesmo quando há escuridão, no Instituto Pineview gera uma base não só estética, mais também dramática. A foto nos conta uma parte da história.

É muito bom vermos que a metáfora utilizada nesses espaços ganha vida quando Norman manipula situações a seu favor, com o intento de passar de um lugar para outro, novamente, tendo a sua própria visão do que é segurança e, possivelmente, querendo levar a cabo um plano de vingança contra a mãe e talvez contra Romero também. Parece que os três episódios finais da temporada realmente prometem. Este ano caminha para se tornar um dos mais bem produzidos de Bates Motel.

Bates Motel 4X07: There’s No Place Like Home (EUA, 2016)
Direção: Nestor Carbonell
Roteiro: Carlton Cuse
Elenco: Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thieriot, Olivia Cooke, Nestor Carbonell, Marshall Allman, Damon Gupton, Andrew Howard, Kelly-Ruth Mercier, Jaime Ray Newman, Fiona Vroom
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.