Crítica | Bates Motel – 5X02: The Convergence of the Twain

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estrelas 4,5

spoilers! Leiam as críticas dos demais episódios de Bates Motel aqui. E leiam as críticas para as várias versões de Psicose aqui.

O bloco dramático paralelo que ganhou destaque no episódio anterior foi o de Dylan e Emma, tendo Caleb em cena para tornar essa fase do casal mais complexa e moralmente mais incômoda, ou incerta. Com a saída dele deste cenário, o roteiro o segue e dá destaque à sua nova parada, o Bates Motel. Aqui, Chick Hogan (Ryan Hurst foi ficando cada vez mais interessante com esse personagem!) também aparece, assim como Romero, que recebe uma visita provocativa de Norman — e começa a preparar sua vingança — e o casal Madeleine e Sam “David Davidson” Loomis, que dão a Norman motivações bem diferentes.

Vera Farmiga interpreta a morta mais falsa-francesa que você respeita, e essa fase da “Mãe” tem sido a mais criativa e bem humorada da série até o momento, tendo inclusive a melhor fase da fotografia do episódio e uma perfeita escolha de figurinos. A complexa relação de Norman com ela começou a ser erguida em Dark Paradise e a consciência da mãe de que está morta, somada à dualidade mental do filho entre o seu mundo colorido e bem iluminado versus o mundo escuro e decrépito que corresponde à realidade não cansam de nos impressionar.

A conexão entre essas variantes (imaginação + realidade + características de personagens se mesclando) já foi vista na TV em montagem e concepção igualmente excelentes em Sense8, por exemplo, mas aqui em Bates Motel a ideia cresce e se torna ainda mais profunda, pois se trata de uma complicada variação mental. Nesse aspecto, temos semelhanças bem fortes com as ideias mais legais das irmãs Wachowski, ou seja, as muitas faces da conexão entre pessoas e realidades, e Legion, que também explora na TV essas variantes mentais de forma aplaudível. Novamente, Bates Motel faz com que conexão e realidades mentais ganhem um significado mais denso no texto e nas ações da dupla envolvida.

Em dado momento de The Convergence of the Twain, o espectador “se perde” ao perceber que o texto mostra, sem explicações ou didatismo (mais um ponto positivo!) diferentes maneiras de manifestações da Mãe, ao lado de diferentes maneiras de Norman reagir a isso. Ao fim do capítulo, o travestismo coroa toda a situação, trazendo algo que já havia acontecido na série, a Mãe tomando controle de Norman, mas não com esse impulso. E o mais legal desse lado da trama é que os crimes da Mãe são muito mais violentos e recebem um cuidado todo especial por parte da direção.

Freddie Highmore mostra mais uma vez um grande domínio do personagem, primeiro em uma interpretação contida, frente a Romero; depois em distintas reação frente à Mãe (destaque para a versão passivo-agressiva) e por fim, assumindo a personalidade dela e colocando mais uma calculada força na fala, tanto na cena do bar quando no ataque a Caleb e a revelação para Chick que a Mãe está viva.

Já é possível perceber dois caminhos para o futuro se erguendo aqui. Sam Loomis certamente será uma pedra no sapato de Norman ao longo da temporada e Romero sabe muito bem o que quer. Deverá acontecer um lapso de tempo nos próximos capítulos, a fim de nos levar até o final com o protagonista muito bem estabelecido nessa dualidade entre a Mãe e sua persona frágil, que só de quando em quando consegue manter o total controle do que faz. A transformação final de Norman vem juntamente com as coisas que o condenarão.

Bates Motel (EUA, 27 de fevereiro de 2017)
Direção: Sarah Boyd
Roteiro: Alyson Evans, Steve Kornacki
Elenco: Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thieriot, Olivia Cooke, Nestor Carbonell, Andrea Brooks, Ryan Hurst, Kenny Johnson, Isabelle McNally, Austin Nichols, Daniel Boileau, Antonio Cayonne, Cameron Dent, Lee Shan Gibson, Ash Lee, Shane Munson
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.