Crítica | Bates Motel – 5X07: Inseparable

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estrelas 4,5

spoilers! Leiam as críticas dos demais episódios de Bates Motel aqui. E leiam as críticas para as várias versões de Psicose aqui.

A imagem inicial de Inseparable reporta-nos diretamente ao close e distanciamento de câmera em relação ao corpo de Marion, em Psicose. Aqui, isto é feito em relação a Sam Loomis, morto por Norman no episódio passado. Naquela ocasião, a “outra versão de Norman” saiu das sombras e se revelou para o jovem psicopata, dando início a um entendimento psicológico inesperado e que já no capítulo seguinte traria uma grande surpresa: Norman recusando-se a matar Dylan, superando o estágio de controle mental da Mãe e ligando para a polícia, denunciando a si mesmo pelo assassinato de Sam Loomis. Sim, é muita coisa para digerir em um episódio só.

A impressão que tive neste excelente capítulo escrito por Freddie Highmore e Erica Lipez é que, enfim, tivemos um luto de fato para Norma. Pelo menos em todos os aspectos imagináveis. O reenterro; o conhecimento de Dylan sobre a tragédia e sua visita à velha mansão; a própria confusa e meio deslocada aparição de Romero com um lembrete sobre a morte de Norma, tudo isso são coisas que trouxeram a morte da icônica personagem e ajudaram a problematizar o novo estágio mental de Norman, um estágio que jamais esperávamos ver em tela, não nesta fase pré-prisão do personagem (nas sequências de Psicose, esse outro lado da mente dele é igualmente explorado, mas só depois de sua saída da prisão).

Ao retomar o luto, o roteiro também cria um elemento familiar igualmente inesperado a esta altura do campeonato. Esse deslocamento do drama pode até parecer forçado para alguns espectadores e eu entendo os que assim interpretarem essa nuance do roteiro, mas eu particularmente vejo-a como um caminho de novas experiências do próprio Norman. A Mãe não é exatamente mais um grande mistério para ele e, pelo que presenciamos na excelente cena final — diante dos preciosos diálogos entre os irmãos –, ela também não consegue manter controle sobre Norma por bastante tempo. Talvez depois de descobrir do que se tratava (uma espécie de auto-terapia) o seu desvio de personalidade e os motivos, apagões e crimes, tendo ele mesmo conscientemente cometido um, fizeram as coisas ficar ainda mais complexas.

Brincar com estágios de consciência não é uma coisa fácil. Percebam o quanto os produtores esperaram para nos entregar essa fase de Norman de maneira definitiva, primeiro mostrando as interações entre ele e a Mãe, depois fazendo-nos conhecer as camadas de personalidades e realidades possíveis em sua psicose e a percepção do ambiente em relação a isso. Agora é possível colocar em um mesmo episódio Norman brigando com a Mãe, Dylan com a melhor cara de espanto possível e declarações que nos trazem uma porção de dúvidas, como a do terapeuta de Norman dado como morto (eu perdi alguma coisa ou é isso mesmo, produção?) e a do próprio destino de Norman a partir daqui. Depois da longa preparação, vemos o cerco se fechar de uma maneira improvável e instigante.

Notem que a direção de arte do episódio preparou o cenário do interior da casa como sendo uma “evolução decrépita” daquela que vimos através de algumas pausas psíquicas do “paraíso escuro” de Norman, nos episódios anteriores. A boa montagem aqui também teve um papel importante nessa inversão de visões, sendo ajudada pelo excelente Freddie Highmore para fazer as trocas de personagem com extrema veracidade, sem precisar de truques ou pequenas sequências de contexto até que o jovem saia de cena e a Mãe entre. A cada semana, Bates Motel tem dado um 7X1 diferente nos espectadores. Que temporada, amigos! Que temporada!

Bates Motel (EUA, 3 de abril de 2017)
Direção: Steph Green
Roteiro: Freddie Highmore, Erica Lipez
Elenco: Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thieriot, Nestor Carbonell, Isabelle McNally, Brooke Smith
Duração: 46 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.