Crítica | Bates Motel – 5X09: Visiting Hours

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estrelas 3,5

spoilers! Leiam as críticas dos demais episódios de Bates Motel aqui. E leiam as críticas para as várias versões de Psicose aqui.

Neste penúltimo episódio de Bates Motel temos um estranho passo atrás na força dos roteiros que víamos até então na temporada. Apenas uma única vez neste quinto ano, em Bad Blood, tivemos esse tipo de pausa para trabalhar narrativas paralelas com mais força. Esse efeito, todavia, não é bem-vindo em Visiting Hours. E nem estamos falando de uma pausa completa. Acontecem, de fato, muitas coisas nesse episódio. Mas essas coisas que acontecem (e com quem acontecem) são de um tipo de resolução que quebra a base de eventos da temporada, que manteve a principal linha do texto sustentada por Norman e a Mãe, destacando paulatinamente os coadjuvantes e suas histórias pessoais, não esse arroubo externo que custou bastante ao penúltimo degrau da série.

De início, não existem muitas mudanças em relação ao cenário que deixamos em The Body. Mas o roteiro de Scott Kosar altera completamente o andamento da narrativa, fazendo valer diretamente essas “horas de visita” do título, pondo nos holofotes as pessoas que chegam para ver Norman (agora tomado pela Mãe) e para encontrar e recolher os objetos deixados pelos mortos em sua propriedade ou que tiveram seus corpos descartados nas redondezas. É uma operação grande, com uma única grande tomada da câmera, mostrando os profissionais da polícia à procura de vestígios em torno do hotel e da casa, cada um encontrando indícios de assassinatos passados.

Por esta variação de atenção entre coadjuvantes e o retorno pouco modulado ao núcleo do problema (Norman/Mãe), o episódio é lento, e isso de uma maneira não muito positiva (porque existe a lentidão positiva em algumas narrativas). Ele demora para mostrar coisas de grande relevância e, quando mostra, essas coisas não alteram muito da história, o que nos traz uma sensação de insatisfação bem grande, pois não estamos em um capítulo de meio de temporada. Estamos no penúltimo episódio da série e o que temos de mais instigante é uma audiência chocha, alguns bons momentos de emoção entre Dylan e Emma; o esperado cara a cara entre Emma e Norman — que ela rapidamente percebe que é a personalidade da Mãe no comando — e uma ou outra provocação vinda pelo mal ajambrado núcleo de Romero. Para o nível desta 5ª Temporada e por ser este o penúltimo episódio da série, estamos falando de algo pouco animador. Ainda assim, o episódio é bom. Ele só não faz jus às coisas que deveria fazer e desvia-se demais daquilo que era, até então, o principal foco.

Neste episódio é fácil identificar deixas do roteiro para costurar toda a série, com citações e alusões a momentos do passado e a frases ou takes de episódios anteriores, muitas vezes com o intuito de nos entregar motivações de personagens ou outros pontos de vista para um fato que víramos sob o olhar dos Bates. Convenhamos que esta é sempre uma boa maneira de tratar os coadjuvantes, desde que eles não interfiram no andamento da história principal, como acontece aqui. Claro que Norman/Mãe tem ótimas cenas e a direção de fotografia ainda segue fazendo o primoroso trabalho de interação do duplo através de reflexos, paralelamente ajudado pela montagem, que alterna sutilmente a passagem de um para outro, embora saibamos que estamos vendo a mãe o tempo todo, só que em corpos diferentes.

Nesse ponto, não há queixas. Aliás, os elementos técnicos e a linha emotiva ou de “razões para” do roteiro se mantém em alta. Percebam a beleza da cena de Emma olhando a cremação da mãe e a subsequente dispersão de suas cinzas. Percebam o ímpeto de Romero ao entrar na delegacia e chegar ao ponto final de sua jornada, pegando Norman e forçando-o a levá-lo para o corpo de Norma. Percebam o elemento familiar em crise do casal Dylemma, onde fica difícil julgar moralmente a situação, pois ela não é comum e trata de sentimentos “alheios” ao fato de o casal se amar, ter uma filha e não dar nenhum indício de que querem mudar essa situação atual de suas vidas. Ou seja, os elementos dramáticos mais fortes aos quais já estamos acostumados na série se fazem presentes aqui, mas eles são tratados de maneira a deixar a linha de Norman/Mãe em segundo plano justamente agora.

É quase certo que o trem volte aos trilhos no series finale, pois tudo aponta para uma junção de personagens, com Norman/Mãe novamente em destaque. E considerando as surpresas e boas mudanças que Bates Motel já nos apresentou, fica difícil imaginar como a produção pretende terminar a nossa estadia nesse lugar macabro. A hora está chegando. Preparem-se.

Bates Motel (EUA, 17 de abril de 2017)
Direção: Olatunde Osunsanmi
Roteiro: Scott Kosar
Elenco: Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thieriot, Nestor Carbonell, Isabelle McNally, Brooke Smith, Natalia Cordova-Buckley, Olivia Cooke, Chris Shields
Duração: 46 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.