Crítica | Batman #1 (1940)

Batman_1 1940 plano critico The Legend of the Batman - Who He is, and How he Came to Be

estrelas 4

Numa noite, há 15 Anos… Assim começa a primeira edição da revista Batman, que teve, pelo menos em seus cinco primeiros volumes, uma publicação quadrimestral, alterando no ano seguinte para edições bimestrais, e então, mensais. Em 55 páginas, a revista nos traz quatro contos escritos por Bill Finger e ilustrados por Bob Kane (desenhos) e Jerry Robinson (arte-final). No início, temos a repetição da origem do herói, já narrada na Detective Comics #36. Em seguida, o conto de abertura nos apresenta pela primeira vez àquele que seria o mais astuto dos vilões do Batman: o Coringa.

Dentro de um gênero que lhe era muito caro, Bill Finger constrói com perfeição a primeira aparição do Coringa em uma série de roubos de diamantes e mortes misteriosas em Gotham City. A história é muitíssimo intricada, cheia de mistérios e surpresas, bem à altura da astúcia desse novo vilão.

O medo e o caos são coisas que qualquer sociedade contemporânea não consegue suportar. Tendo o homem a plena certeza de ter dominado parte dos mistérios do Universo e estar no controle do funcionamento do planeta, a sensação de que algo pode sair dos eixos e tornar tudo uma grande bagunça é algo que coloca medo em qualquer jurista, político, empresário e cidadão. E aí temos a infalível dupla: o caos e o medo. Quando se trata do Coringa, há que se pensar nessas duas coisas, as mais temíveis das pessoas comuns, aquilo que torna o vilão tão icônico quanto é.

O Coringa é um vilão sem medo, sem vínculos, sem nada a perder e sem nenhuma intenção de lucrar ou ficar rico com seus crimes. O que mais importa para o Coringa, e isso fica muito claro já nessa sua estreia, é a vontade de estabelecer o caos e o medo, o prazer de ver o desespero das pessoas em não poder controlar uma situação. E é nesse sentido que o demoníaco palhaço se torna um dos maiores vilões que já passaram por Gotham City.

Tanto no primeiro quanto no último conto da revista, The Joker e The Joker Returns, a captura e as batalhas contra o Coriga são difíceis até mesmo para o Batman, que já tinha passado por outros vilões relativamente complicados como o Dr. Morte, O Monge, Hugo Strange e o primeiro Cara-de-Barro. A grande diferença entre esses vilões e o Coringa está na mentalidade estratégica, ou seja, a maquinação de um plano a médio e longo prazo, não apenas a aposta de todas as cartas em uma situação que, se concretizada, alcançará outros resultados. O Coringa pensa além. Ele conta com os imprevistos e com as possibilidades de o plano dar errado, como podemos ver na sua captura, ao final do primeiro conto; e na sua “morte”, ao final do último conto (a propósito, um bom arco para a edição seguinte.). Não é gratuitamente que o próprio Batman reconhece seu mais novo inimigo como um “adversário à altura”.

A segunda aventura da revista, The Giants of Hugo Strange, não traz Robin como parceiro do Batman e estranhamente sentimos falta do garoto.

O vilão d edição é um conhecido do Homem Morcego, o professor Hugo Strange, que havia terminado preso ao final da Detective Comics #36, mas conseguiu fugir da cadeia e libertar alguns prisioneiros do hospício da cidade (que não tem nome ainda, mas certamente é o Asilo Arkham). A história não é das mais interessantes de Bill Finger, que dessa vez perde para a arte de Kane e Robinson. Em resumo, Hugo Strange faz uma fórmula complexa que aumenta o crescimento celular dos ex-internos e os transforma em Homens-Montro. O enfrentamento com o Batman é inevitável e culmina com a morte dos gigantes e o desaparecimento de Hugo Strange, sobre o qual paira a dúvida de estar morto ou não. Diferente da história do Coringa, não há aqui genialidade alguma. The Giants of Hugo Strange é um conto menor e esquecível.

No conto The Cat, a Mulher-Gato, que ainda não era chamada de Catwoman, surge pela primeira vez e traz o erotismo que não existia nas histórias do Batman. É claro que Julie, a noiva de Bruce Wayne, já havia aparecido, mas ela não servia como contraponto erótico feminino nas histórias. Batman e Robin pareciam mais um casal do que Bruce e Julie. Por isso, a chegada da Gata traz um impacto interessante e até faz o Batman se apaixonar à primeira vista, o que é percebido por Robin quando eles se chocam “acidentalmente” e acabam dando tempo para que a criminosa escape do iate. Bill Finger conseguiu escrever uma história bastante inteligente, com fugas, disfarces e uma subtrama detetivesca, algo que supera e muito a fraquíssima história dos Homens-Monstro de Hugo Strange.

Batman #1 tem uma grande importância para a história do Homem Morcego. Além de trazer dois novos vilões, e sendo um deles, o Coringa, a revista marcaria uma independência maior do herói, resultado de seu sucesso na Detective Comics. A partir desse ponto, o estúdio de Bob Kane estaria na DC Comics até 1964 e seria responsável por muito do que se conhece sobre as tenebrosas aventuras em Gotham City, como também estaria à frente de uma série de fases infantis e pouco criativas na vida do herói. Independente disso, Batman #1 é um marco histórico, o primeiro voo solo de Batman, um voo que com o passar dos anos encontraria muitas pistas para pousar. Esta aqui foi só a primeira.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.