Crítica | Batman #5 a 7 – Novos 52

estrelas 4,5

Da primeira edição até a quarta, vimos o vigilante de Gotham levando a melhor em suas investigações. Por mais que tenha passado por duas experiências de quase-morte, Batman, pareceu não estar, efetivamente, em perigo (mesmo com a assustadora revelação dos esconderijos da Corte das Corujas). Isso tudo muda no 5º quadrinho do Homem-morcego – ele caiu em uma armadilha que afetará sua própria sanidade.

A história começa no topo da delegacia, onde, através de um diálogo entre Gordon e Harvey, aprendemos que o herói já está desaparecido faz oito dias. Somos mostrados os membros da bat-família pesarosos com o sumiço do vigilante, já anunciando o estado chocante que encontraríamos o Morcego nas páginas seguintes. Somos, então, levados ao labirinto da Corte, onde vemos uma figura distorcida se esgueirando pelos corredores estreitos daquela tortura, tanto física, quanto psicológica.

Eles querem que eu saia do escuro, mas eu não vou. Não vou. Ficarei aqui, onde é seguro. Seguro deles.

Através de um ótimo trabalho de luz e sombras e traços distorcidos do personagem, Greg Capullo e Jonathan Glapion, nos apresentam um Batman que fora quebrado. Suas roupas estilhaçadas, sua barba malfeita e apenas um de seus olhos à mostra revela perfeitamente a loucura crescente dentro do herói. O roteiro de Snyder amplifica tal sensação, fazendo o Morcego voltar repetidas vezes à mesma sala, olhando para os retratos daqueles que vieram antes dele. Alan Wayne é quem ele vê, é quem ele, aos poucos, se torna.

Cada vez mais o vigilante se torna mais agressivo, deixando de lado suas capacidades de observação e, sobretudo, a lógica de lado – algo que fica claro pelas frases repetidas que saem da boca do personagem. Os traços aos poucos se tornam mais monstruosos: híbridos de homens e corujas, olhos vermelhos esbugalhados e seres contorcidos ocupam os quadros da história. Bruce é levado a um ponto que não poderia mais voltar, até que, em um deslize de Snyder, que opta pela saída mais fácil da situação, o Homem-morcego recebe uma dose repentina de motivação, tirando-o, temporariamente, do perigo. Essa falha do roteiro, contudo, é rapidamente remediada nas páginas seguintes, onde vemos um herói destruído e, claramente, derrotado.

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Sua volta, em lágrimas, para a bat-caverna é o ápice de sua queda, nos remetendo às edições anteriores, onde o herói é questionado sobre o envolvimento emocional em sua investigação. Em trechos seguintes vemos o próprio herói admitindo que gostaria nunca de ter entrado nesta investigação. Agora, contudo, já é tarde demais e a corte foi “acordada”, já anunciando, nas últimas páginas, o que veremos nas revistas finais da Corte das Corujas.

Os números 5, 6 e 7 de Batman são histórias que focam extremamente no psicológico e emocional do personagem, trazendo uma figura totalmente oposta ao que vimos nas quatro primeiras edições. É um herói quebrado, que luta com toda a sua força para salvar seu corpo e mente. Dentre poucos deslizes no roteiro, são páginas inesquecíveis do primeiro arco do Morcego nos Novos 52.

Batman – #5 a 7 (EUA, 2012)
No Brasil: Batman #5: No Fundo do Labirinto, Batman #6: Debaixo do Vidro, Batman #7: À Mercê da Corte
Roteiro: Scott Snyder
Arte: Greg Capullo
Arte-final: Jonathan Glapion
Cores: FCO
Páginas: 60

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.