Crítica | Batman – A Guerra da Secessão

estrelas 3

Um dos eventos mais conhecidos da história dos Estados Unidos, a Guerra da Secessão (1861–1865) já ganhou versões cinematográficas, televisivas e editoriais, dos livros de história às revistas de publicação específica. Talvez por estar ligado à abolição dos escravos no país ou ao assassinato do presidente Abraham Lincoln (1809–1865), a Guerra da Secessão ganhou contornos reforçados de importância através do tempo, o que justifica toda essa atenção recebida.

Com inspirações claras em Zorro e Cavaleiro Solitário, Elliot S. Maggin constrói em Batman – A Guerra da Secessão (1992) uma história com alguns pontos muitos interessantes no que concerne a adaptação do Batman que conhecemos para o Batman desse mundo em guerra, onde os escravagistas do sul são confrontados pelo Tenente-coronel Bruce Wayne e seu Robin índio, chamado Pássaro Vermelho. O foco central é a busca por uma grande quantia em dinheiro roubada pelos confederados, quantia essa que serviria para financiar a guerra do Norte.

Com ordens precisas do presidente Lincoln, Batman precisa recuperar o dinheiro, e sem a ajuda da tecnologia que sua versão atual tanto esbanja, fica muito difícil o rastreamento e a ação sobre os bandidos. Com o destino da Guerra Civil nas mãos, Batman e seus amigos (dentre eles, os “Cavaleiros das Trevas” ou negros foragidos, sacada que achei genial) percorrem as regiões inóspitas do território de Nevada à procura do tesouro roubado e do criminosos.

O primeiro e talvez o maior problema dessa história esteja relacionado à grande quantidade de personagens na trama. Por mais atento que seja o leitor, fica complicado lidar o tempo inteiro com os nomes em código dos agentes do Batman, depois, com seus codinomes e em alguns casos com seus nomes verdadeiros!

As citações aos diversos coronéis, heróis, vilões ou indivíduos minimamente importantes para o que está sendo narrado acaba por saturar a história de maneira desnecessária e obriga o roteiro a cair, sem querer, nos furos da falta de trabalho adequado das personagens, tornando-as apenas plataformas para que o heroísmo dos protagonistas seja eficaz.

Até certo ponto, parece-nos que o roteiro está apenas lidando com os elementos históricos, situando Batman nesse novo mundo e enriquecendo suas possibilidades de ação. De fato, essa estratégia funciona pelo menos até o meio da revista. O problema é que ela vai se tornando cada vez mais burocrática, passando de um grupo para outro de agentes de ambos os lados da Guerra, atropelando acontecimentos e multiplicando ex-machinas, um verdadeiro nó na linha narrativa do conto.

O trabalho artístico de Weiss e Garcia-López é mais interessante pelo contexto do que pelo mérito artístico. E explico: eu tenho um grande apreço por cenários e histórias que se passam no Oeste americano, como no caso dessa versão meio cowboy do Batman. Minha tendência é gostar, pelo menos de forma geral, de uma arte que mesmo com traços exageradamente fortes e estranha saturação das cores seja ambientada no Velho Oeste. Isso não significa que uma arte ruim, mesmo nesse mundo, vá ganhar a minha aprovação. Mas tratando-se de algo bem razoável, como é o presente caso (uma arte boa em geral, mas com alguns exageros de concepção), já considero-a acima da média. Soma-se a esses tropeços artísticos a diagramação pouco imaginativa da revista e uma ou outra distribuição desigual do texto pelas páginas.

Batman – A Guerra da Secessão é um conto interessante e válido para aqueles que se interessam por esse evento da história ou para os fãs dos elseworlds do Morcegão. Não se trata de uma obra exemplar, mas com certeza o leitor irá gostar muito de algumas passagens dessa revista, e eventualmente poderá gostar mais dela do que eu.

Batman – A Guerra da Secessão (The Blue, The Grey, And The Bat) – EUA, 1992
No Brasil: Editora Abril, 1993
Roteiro: Elliot S. Maggin, Alan Weiss
Arte: Alan Weiss
Arte-Final: José Luis García-López
Cores: Digital Chameleon
Páginas: 68

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.