Crítica | Batman – A Máscara do Fantasma

estrelas 4,5

Não é segredo para ninguém que a década 1990 representou uma etapa de fortes polarizações na construção de conteúdos para o Homem-Morcego. Tim Burton merece todos os louros e reverências por ter sido o responsável a garantir tamanha popularidade ao Batman. Com o indiscutível sucesso alcançado com duas ousadas produções de cinema (Batman e Batman – O Retorno), era natural que todos os olhares da época incidissem no nosso Morcego camarada.

Essa popularidade excessiva culminou em uma gama de produções. Algumas de extremo cuidado e comprometimento à identidade do Cavaleiro das Trevas. Outras que, diante de certa saturação de ideias eficientes, optaram pela massificação do conteúdo com produções caça-níqueis que infantilizavam cada vez mais seu público, visando mais lucro e abrindo mão da essência que integra o Batman.

Voltemos, felizmente, para o lado bom das produções dos anos noventa. Após o estabelecimento de Batman – A Série Animada, chegava o momento de dar vida ao primeiro projeto experimental de um longa animado derivado da série. Assim, com o excelente roteiro coordenado por Alan Burnett, estreava às salas dos cinemas americanos em dezembro de 1993, Batman – A Máscara do Fantasma. O número tímido de salas ocupadas pelo filme não foi um obstáculo para que o curto longa de 55 minutos ganhasse notoriedade de público e aclamação da crítica.

A impressão que temos quando assistimos ao longa é que estamos diante de um material exaustivamente pensado e calculadamente desenvolvido. Temos uma identidade conceitual que perpassa não somente o enredo, como também se faz presente em todos os elementos visuais e sonoros do filme. A Gotham que ambienta toda a história é repleta de detalhes que ajudam a caracterizá-la de acordo com o já habitual estilo noir. Os personagens são traçados de maneira bastante específica e, assim, cada um ganha uma abordagem mais justa e completa. A qualidade sonora também não fica atrás, mas o que marca A Máscara do Fantasma é, sem dúvida, o roteiro.

Sem cair nos lugares comuns que envolvem a típica apresentação do herói e o surgimento do Batman, o filme vai direto ao ponto e nos leva a Gotham e aos perigos que a cidade guarda. Há uma nova figura em Gotham. Um justiceiro mascarado que ronda a cidade em busca de chefes da máfia local. Por trajar vestes negras e manter-se à distância de olhares mais aguçados, o “Fantasma” é subitamente tomado pelas autoridades como o Batman. Assim, em uma missão dupla, o Cavaleiro das Trevas deve encontrar o novo justiceiro da cidade para impedir que mais homicídios aconteçam e revelar quem é o real responsável pela matança.

 Se a trama por si só já é boa, vemos que o resultado final é brilhante, quando o roteiro nos mostra que esse plot é apenas o plano de frente de uma história ainda mais densa e interessante. Com uma ótima intercalação de flashbacks, voltamos a momentos cruciais na evolução de Bruce Wayne como Batman, bem como sua relação com a estonteante Andrea Beaumont, elemento de fundamental importância durante todo o longa.

Diante de uma infinidade de acertos, que incluem os elementos citados acima somados à incrível e sempre elementar aparição do Coringa, posso dizer que há somente uma falha em Batman – A Máscara do Fantasma: a duração de 55 minutos. Conforme confirmado pelo diretor Eric Radomski, o longa foi basicamente o resultado de um episódio expandido. O diretor declarou que, o roteiro não foi originalmente pensado para estrear em cinemas. Nós espectadores, só podemos comemorar pelo ótimo resultado do primeiro longa metragem animado do Universo Batman.

Batman – A Máscara do Fantasma (Batman – The Mask of The Phantasm, EUA, 1993)
Direção: Eric Radomski, Bruce Timm.
Roteiro: Alan Burnett, Paul Dini, Martin Pasko, Michael Reaves.
Elenco: Kevin Conroy, Dana Delany, Mark Hamill, Hart Bochner, Stacy Keach, Abe Vigoda, Dick Miller, Efrem Zimbalist Jr., Bob Hastings.
Duração: 55 min.

FILIPE MONTEIRO . . . O exército vermelho no War, os indianos em Age of Empires, Lannister de Rochedo Casterly. Entrou em órbita terrestre antes que a Estrela da Morte fosse destruída, passou pela Alameda dos Anjos, pernoitou em Azkaban, ajudou a combater o crime em Gotham e andam dizendo por aí que construiu Woodburry. Em uma realidade alternativa, é graduando em Jornalismo, estuda Narrativas e Cultura Popular, gosta de cerveja e tempera coentro com comida.