Crítica | Batman: A Piada Mortal (2016)

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estrelas 3,5

Há quem defenda que a jóia das adaptações audiovisuais da Warner para suas propriedades da DC Comics esteja em seu braço de home video. Já fazem mais de 10 anos que a produtora entrega animações com um nível de qualidade excepcional, ao mesmo tempo em que apresenta histórias inéditas da Liga da Justiça e também aposta em versões de clássicos consagrados, tal como A Morte do SupermanPonto de IgniçãoBatman: Ano UmBatman – 0 Cavaleiro das Trevas. A próxima obra a ganhar sua versão animada é mais um clássico do Homem-Morcego: A Piada Mortal, a HQ seminal sobre o Coringa que Alan Moore escreveu e Brian Bolland preencheu de vida com seu belíssimo traço.

Para quem não conhece, a história narra mais um confronto entre Batman e seu grande inimigo, que acaba de escapar do Asilo Arkham e bota em prática um plano maligno que visa provar a todos que a loucura é uma linha tênue que pode ser ultrapassada por qualquer um, dadas as circunstâncias. É uma obra complexa e inteligente, que levou a fundo a relação interdependente de Batman e Coringa e ainda ofereceu o melhor olhar que já tivemos sobre a nebulosa origem do Palhaço do Crime.

É uma história que já traz uma qualidade cinematográfica marcante, o que não deveria ser um trabalho difícil para Sam Liu, que já havia dirigido Ano Um e diversas outras animações da DC. Pra atiçar ainda mais o hype dos fãs, a Warner traz de volta as icônicas vozes de Kevin Conroy para o Batman, Mark Hamill para o Coringa e Tara Strong para Batgirl, promovendo uma reunião do talentoso elenco da série animada que fora comandada por Bruce Timm originalmente transmitida pela Fox. Uma receita para o sucesso, e no geral, A Piada Mortal segue o mesmo padrão eficiente de outras adaptações do estúdio.

De cara, traz alguns dos mesmos erros. O traço adotado aqui é o mesmo das demais, o que é bom quando ganhamos uma versão mais estilosa do traço tortuoso de Frank Miller, mas ruim quando perdemos os maravilhosos desenhos de Bolland na HQ, além da paleta de cores que ganha tons muito mais cinzentos e menos saturados. O estilo de animação também deixa a desejar no quesito movimentação, já que a quantidade limitada de quadros por segundo garante movimentos travados e pouco expressivos; com exceção das cenas de ação, claro.

Muitos fãs também torcerão o nariz com os acréscimos que Liu e o roteiro de Brian Azzarello fazem aqui, trazendo uma enorme quantidade de tempo dedicada à Batgirl. É uma porção da história que funciona muito bem como um “episódio” isolado, sendo muito fascinante observar o cotidiano da vigilante e sua atração cada vez mais forte por Batman, o que rende reviravoltas muito inesperadas nesse quesito. Sem falar que garante ainda mais peso dramático ao brutal ataque que a personagem sofre pelo Coringa na metade da história, ainda que a inclusão de uma cena “pós créditos” com a personagem infelizmente tire um pouco do sagaz final da história.

De resto, é um bom entretenimento ao longo de seus 76 minutos. É maravilhoso ouvir novamente Hamill oferecer sua voz distorcida e megalomaníaca para o Coringa, enfim proclamando discursos tão memoráveis da carreira do personagem. Gosto também de como Liu apostou em um inusitado número musical que surge durante o passeio do trem fantasma com Gordon, onde a habilidade de canto do ator é posta em prática…

A Piada Mortal sofre de alguns problemas de animação, mas ainda assim é mais uma competente adaptação de um clássico da DC pelas mãos da Warner Home Video. O elenco de vozes liderado por Hamill e Conroy é excelente, mas a surpresa fica pelo bem-vindo foco fornecido à Batgirl. Só fica o desejo de que a Warner aposte em técnicas de animação mais avançadas.

Batman: A Piada Mortal (Batman: The Killing Joke, EUA – 2016)

Direção: Sam Liu
Roteiro: Brian Azzarello (baseado em graphic novel de Alan Moore e Brian Bolland)
Elenco: Kevin Conroy, Mark Hamill, Tara Strong, Ray Wise, Kari Wahlgreen, John DiMaggio
Duração: 76 min

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.