Crítica | Batman: Ano Dois

estrelas 2

SPOILERS

Publicada entre junho a setembro de 1987, Batman: Ano Dois (ou Detective Comics #575 — 578) foi escrita após a febre de Ano Um, numa clara tentativa de “dar continuidade” à história de Miller e Mazzucchelli. Inicialmente desprezada do cânone, a trama foi em parte aceita como oficial em 2011, com a publicação do volume DC Retroactive: Batman – The 80s #1. A partir de então, ficou claro que este Ano Dois só poderia se encaixar, na verdade, no ANO CINCO do Batman da Era Moderna e só a sua primeira parte funciona dentro do cânone, o restante continua sendo uma linha alternativa. Os elementos que podem ser considerados oficiais aqui são: a construção da futura Wayne Enterprises Tower; o namoro de Bruce com Rachel Caspian, que se tornaria freira no futuro; a luta do Batman com o vilão da Era de Ouro, Ceifador e o juramento do Morcego em não mais usar armas de fogo em combate. A partir daí as coisas entram para uma linha do tempo paralela.

A história de Ano Dois é insossa e traz uma das personagens mais inúteis e sem graça que já criaram para o universo do Morcegão: Doutora Leslie Thompkins (que debutou na Detective Comics #457), uma amiga da família Wayne que “acompanhou” o crescimento de Bruce e acabou descobrindo o que ele de fato faz em sua vida adulta. Em Ano Dois, ela é uma coadjuvante sem serventia, chata e com preceitos morais que nem Alfred nem Gordon nem ninguém mais velho em Gotham parece ter…

O que há de verdadeiramente bom nessa aventura é o vilão. O Ceifador (Judson Caspian) é uma personagem interessantíssima, um vigilante, assim como o Batman, mas com uma mentalidade de “purificação social” parecida com a de Ra’s Al Ghul. Ele não perdoa os criminosos e acredita que não devem ter segunda chance – algo que se tornaria comum nos vilões justiceiros da batfamília –, antes, devem ser exterminados. O mal só pode desaparecer se os seus portadores também desaparecerem. Assim pensa o Ceifador.

A começar pelo uniforme do vilão e depois pela a surra que ele dá no Batman, é impossível não gostar do caveiroso. Sua concepção é complexa e deixa um gosto amargo no final, quando aponta para uma “nova mentalidade” do Morcego, que para ele, já é um assassino. Estaria o Batman caminhando para uma tolerância menor aos criminosos? Bem, a longa linha cronológica que se seguiu a este Ano Dois provou que não há uma resposta fixa, definitiva ou unilateral para essa pergunta. Mas o fato é que Batman ainda estava em seus primeiros anos como vigilante e muita coisa havia para ele no futuro.

Ano Dois é uma história fraca com um vilão incrível e uma arte que surpreende em grandes quadros, especialmente nos ângulos para luta e inserção do Batman em determinados pontos; mas é pouco inspirada em outras representações. Vale como curiosidade para batmanícos de plantão, mas é algo que os menos neuróticos com cronologia podem ficar sem ler e não estarão perdendo nada. No mais, só a primeira parte da história é canônica e muitos leitores sequer consideram essa mesma primeira parte dentro do universo oficial, então, mais uma desculpa para quem não quer arriscar…

Batman: Ano Dois (Batman: Year Two) – EUA, 1987
História publicada na Detective Comics #575 a 578
Roteiro: Mike W. Barr
Desenhos: Alan Davis, Todd McFarlane
Arte-final: Paul Neary, Alfredo Alcala
Lançamento no Brasil: Editora Abril, 1988 e 1996
96 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.